sábado, 25 de dezembro de 2021

Pomba de Paz

 

Pomba de Paz. Prato de Redondo. Autor desconhecido.

Ao inventariar a minha colecção de cerâmica de Redondo, encontrei um prato de pequenas dimensões, com aba enfeitada por arcos cheios numa tonalidade de azul e que emolduram tufos amarelos. No fundo, uma pomba em azul e com asas e bico em amarelo, transporta nas patas um ramo verde de folhas de oliveira.
A cor azul está associada à tranquilidade, serenidade, harmonia e paz, pelo que partilha alguma simbologia própria da cor branca, a qual também reflecte calma e paz. A pomba representada no prato constitui assim uma alegoria evidente à Paz, pelo que poderá ser considerada uma “Pomba de Paz”, tal como as da série de desenhos criados por Pablo Picasso para simbolizar a Paz no pós-Segunda Guerra Mundial.
Nas religiões judaica e cristã, uma pomba branca é uma alegoria da Paz. Trata-se de uma interpretação com origem no Antigo Testamento: Depois do Dilúvio, Noé terá solto uma pomba para que encontrasse terra. A pomba terá voltado, carregando um ramo de oliveira no bico, levando Noé a concluir que o nível das águas tinha baixado e novamente havia terra para o Homem. (Génesis 8:11).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Um Presépio da boniqueira Joana



Presépio da boniqueira Joana Santos

boniqueira Joana Santos criou recentemente um Presépio que nos aquece a alma e quando o divulgou ainda em cru, prendou-nos com uma estória a que chamou “QUEM CONTA UM CONTO…”. Deliciei-me então com a leitura da estória e logo ali resolvi alinhavar palavras sobre aquilo que tinha visto e lido, o que aqui transcrevo:

A Joana é uma dupla contadora de estórias, já que indistintamente as escreve com barro e as modela com palavras. Todavia, não é uma contadora de estórias qualquer, nem as suas estórias são do género "Maria vai com as outras".
A Joana é uma extraordinária contadora de estórias que nos concede o privilégio de lhes acrescentar os pontos que muito bem entende por ditame da sua alma.
A Joana é uma criadora de primeiras águas e nós, os seus admiradores, estamos-lhe gratos por isso e ficamos felizes por toda a beleza que partilha connosco.
Obrigado Joana, por ser feita da massa que é.
Obrigado.
Obrigado, Joana.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

É melhor comer filhoses



Cerâmica de Redondo. Homem vegetal. Experiência de decoração de Hernâni Matos, 1973.


Em 1973 (há 48 anos) tinha eu 27 anos e numa ida ao Redondo, deu-me para fazer a experiência de decorar 2 pratos. Um, era a ilustração dum poema meu e um dia deu-lhe para se fazer em fanicos e foi à vida. O outro nunca fanicou e hoje é quase um cinquentão. Chamei-lhe na época "Homem vegetal" e a designação é óbvia, tal como é obvio que a minha experiência, apesar de modernista, não me elevou. Na verdade, tenho mais vocação para outras coisas que o meu pai alfaiate não me talhou, mas me talhei a mim próprio, o que dá para perceber que decorar um prato não é o mesmo que comer filhoses.