domingo, 8 de maio de 2016

Adivinhário português da chuva


Almanaque Bertrand, 1938.

Em tempos recuados, a transmissão de saberes processava-se através da tradição oral, nomeadamente em serões de convívio e partilha inter-geracional. A tradição oral tem uma literatura própria, na qual se inserem as adivinhas.
O presente adivinhário da chuva, é fruto de recolha pessoal e da consulta de fontes bibliográficas, cujos autores, em épocas distintas, as recolheram da tradição oral ou noutras fontes bibliográficas:

O que é que se deseja
que venha quando tarda,
e que se vê
logo que vem?
(1)

O que é, o que é, sempre cai, mas nunca se machuca? (2)

Pelo muito bem que faço não posso ser dispensado, se persisto aborreço, se falto sou desejado. (3)

Que é, que é,
Que cai de pé
E corre deitado? (4)

Mil cordéis,
Dez mil fios de seda,
Caindo no rio
Não podem já ver-se. (5)

Que é, que é, que aberto guarda tudo, e, fechado, não guarda nada. (6) 

Ando sempre com o meu dono,
Ora aberto ora fechado.
Como sou eu quem o protege,
Traz-me muito estimado.
(7)

 O que é o que é que sobe quando a chuva desce? (8)

Qual é a coisa que vem em pé e está deitada? (9)

Semeiam-se aos regos,
Nunca botam grelos. (10)

Um terreno bem lavrado,
Sem charrua nem telhado. (11)

São muitas meninas numa varanda,
Todas a chorar para a mesma banda. (12)

Vinte mil meninas
Numa varanda,
Todas a chorar
P’rá mesma banda. (13)

Muitas senhoras,
Muitas senhoras.
Quando mija uma
Mijam todas. (14)

O que é que o guarda-chuva disse para a bengala? (15)

Soluções

(1) - Chuva.
(2) - Chuva.
(3) - Chuva.
(4) - Chuva.
(5) - Chuva (Macau)
(6) - Guarda-chuva.
(7) - Guarda-chuva.
(8) - Guarda-chuva.
(9) - Telha.
(10) - Telhas.
(11) - Telhado (Ameixial, concelho de Loulé).
(12) - Telhas (Querença, concelho de Loulé).
(13) - Telhas do beiral em dia de chuva (Barcelos, Rochoso, Guarda).
(14) - Telhas quando chove.
(15) - Você não tem vergonha de andar nua?

BIBLIOGRAFIA
- MOUTINHO, José Viale. Adivinhas Populares Portuguesas. 6ª edição.Editorial Notícias. Lisboa, 2000.
– PIRES DE LIMA, Augusto Castro. O Livro das Adivinhas. Editorial Domingos Barreira. Porto, 1943.
- VIEGAS GUERREIRO, M. Adivinhas Portuguesas. Fundação Nacional Para A Alegria No Trabalho. Lisboa, 1957.