quinta-feira, 17 de julho de 2014

Primárias? Não, obrigado!


Se há um conceito que me é grato e me está na massa do sangue, é o conceito de companheiros de estrada. Trata-se daqueles com quem gosto de fazer caminhadas conjuntas, não só pela necessidade de fazer pontes com quem pensa de maneira diferente de mim, mas também porque a união faz a força.
Os meus companheiros de estrada ou estão fora do espectro político-partidário ou então distribuem-se ao longo dele. Entre eles estão os socialistas do PS. Um deles, um amigo que muito prezo, convidou-me a participar nas primárias do PS. Ele não levará a mal, mas eu não quero participar nessa luta pela liderança do PS, por três motivos que passo a expor:
Em primeiro lugar, porque António Costa e António José Seguro são duas faces da mesma moeda, o Partido Socialista, que como partido do arco da governação é co-responsável conjunto com a direita instalada no poder, pelo estado a que o país chegou.
Em segundo lugar, é meu entendimento que é aos socialistas do PS e só a eles, que compete decidir quem será o seu próximo Secretário-Geral e candidato a Primeiro-Ministro de Portugal. Lá diz o rifão: “Quem está de fora, racha lenha”. Eticamente não faz sentido, que um não militante do PS, se declare simpatizante ao subscrever a Declaração de Princípios do Partido e com isso possa votar em pé de igualdade com militantes que pagam cotas, vão a reuniões, colam cartazes e fazem trabalho político.
Em terceiro lugar, porque perderia a minha independência ao subscrever a referida Declaração de Princípios. Como é que os meus restantes companheiros de estrada que não são do PS, me passariam a encarar? Certamente que não da mesma maneira que até aí. Eu já não seria ponte entre braços do mesmo rio. Eu teria passado a integrar um dos braços do rio. E essa não é a minha vontade.
Pelas razões expostas, só me resta declinar o convite do meu amigo, dizendo-lhe delicadamente:
- Primárias? Não, obrigado!