sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Fuga de Peniche

VER (1ª metade do Século XVIII). Painel de azulejos (142 cm x 142 cm) representando
dama com espelho e telescópio. Colecção Berardo.

Homenagem
Passam hoje 54 anos sobre a famosa fuga do Forte de Peniche, uma das prisões de mais alta segurança do Estado Novo, protagonizada a 3 de Janeiro de 1960 por Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho. Esta fuga, uma das mais espectaculares evasões de toda a história do fascismo, marca o início do exílio de Álvaro Cunhal até ao 25 de Abril. No encerramento das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal (1913-2013), político e Homem de Cultura, repescámos um texto nosso, editado no Facebook, a 29 de Outubro de 2012. É a nossa singela homenagem aqueles que com coragem e firmeza souberam dizer não à besta fascista. Como diz Manuel Alegre, na Trova do Vento que passa:

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Um Homem nunca se rende
Fuzilando o cristalino espelho que reflecte majestaticamente a sua presunçosa figura, a dama oitocentista com as mamas empinadas por cingido colete e arrastando pelo chão o frou-frou das sedas daquele vestido à Maria Antonieta, interroga o espelho como se fosse um qualquer inspector Casaca da António Maria Cardoso:
- Espelho meu! Espelho meu! Haverá alguém mais belo do que eu?
Para desespero da dama, o espelho não responde. Era essa a postura dos heróicos resistentes que nos negros tempos da outra Senhora, se recusavam a responder quando torturados. Por mim, ainda hoje digo:
- Um Homem nunca se rende. Mesmo de fato e gravata.