sexta-feira, 5 de novembro de 2010

D. Nuno Álvares Pereira - Um herói em tempo de crise


Assim se vai às estrelas (i)   
                              Virgílio (Eneida, 9, 641)

1. D. NUNO ÁLVARES PEREIRA PROCLAMADO SANTO

Filho ilegítimo de D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Hospital, D. Nuno Álvares Pereira terá nascido em Cernache do Bonjardim ou Flor da Rosa em 24 de Junho de 1360. Foi para a Corte aos 13 anos, sendo armado cavaleiro por Dona Leonor Teles com o arnês do Mestre de Avis, de quem se torna amigo. Adere à causa do Mestre, que o nomeia fronteiro da comarca de Entre Tejo e Odiana.
Vencedor da Batalha dos Atoleiros (6 de Abril de 1384), de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385) e de Valverde (15 de Outubro de 1385), D. Nuno Álvares Pereira desempenhou um papel fundamental na resolução da crise de 1383-1385 com Castela e na consolidação da independência. Por isso sempre foi, desde sempre, muito justamente considerado como um símbolo da independência nacional.
Nomeado Condestável do Reino e Mordomo-mor, recebeu ainda de D. João I, os títulos de 3º conde de Ourém, de 7º conde de Barcelos e de 2º conde de Arraiolos.
Em 1388 iniciou a edificação da capela de São Jorge de Aljubarrota e, em 1389, a do Convento do Carmo, em Lisboa, onde se instalaram os frades da Ordem do Carmo, no ano de 1397.
Após a morte de sua esposa, Leonor de Alvim, com quem casara em 1376, torna-se Carmelita em 1423, recolhendo ao Convento do Carmo, em Lisboa, onde ingressa sob o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Ali permanece até à sua morte em 1 de Novembro de 1431, aos 71 anos de idade e já com fama de Santo.
Durante os últimos anos de vida, aquele que foi considerado o homem mais rico de Portugal, abandona todos os títulos nobilárquicos, desfaz-se de todas as riquezas materiais e procura ajudar os mais necessitados de Lisboa, tornando-se num mendigo a juntar esmola para entregar a quem precisava de comer. O Rei ordenou então que deixasse de pedir e concedeu-lhe sustento, que este repartia de igual forma pelos mais humildes e necessitados, junto dos quais procurava a riqueza interior.
D. Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV e é desde 26 de Abril de 2009, mais um Santo português, após a cerimónia de canonização em Roma, do Beato Nuno de Santa Maria. O anúncio fora feito pela Santa Sé, no final do Consistório de 21 de Fevereiro de 2009, presidido por Sua Santidade o Papa Bento XVI.
Em nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa divulgada em Fátima a 6 de Março de 2009, a propósito da Canonização de D. Nuno Álvares Pereira, pode-se ler:
“A pessoa e acção de Nuno Álvares Pereira são bem conhecidas do povo português. A nível civil, é lembrado em monumentos, praças e instituições; a nível religioso, é celebrado em igrejas, imagens e associações. Figura incontornável da nossa história, importa revitalizar a sua memória e dar a conhecer o seu testemunho de vida. Para além de ser um modelo de santidade, no seguimento radical de Cristo, que “não veio para ser servido mas para servir” (Mateus 20, 28), apraz nos pôr em relevo alguns aspectos de particular actualidade, para todos os homens e mulheres de boa vontade:
- Nuno Álvares Pereira foi um homem de Estado, que soube colocar os superiores interesses da Nação acima das suas conveniências, pretensões ou carreira. Fez da sua vida uma missão, correndo todos os riscos para bem servir a Pátria e o povo.
- Em tempo de grave crise nacional, optou corajosamente por ser parte da solução e, numa entrega sem limites, enfrentou com esperança os enormes desafios sociais e políticos da Nação.
- Coroado de glória com as vitórias alcançadas, senhor de imensas terras, despojou se dos seus bens e optou pela radicalidade do seguimento de Cristo, como simples irmão da Ordem dos Carmelitas.
- Não se valeu dos seus títulos de nobreza, prestígio e riqueza, para viver num clima de luxos e grandezas, mas optou por servir preferencialmente os pobres e necessitados do seu tempo.”
Mais adiante aquela nota pastoral acrescenta: “Vivemos em tempo de crise global, que tem origem num vazio de valores morais. O esbanjamento, a corrupção, a busca imparável do bem estar material, o relativismo que facilita o uso de todos os meios para alcançar os próprios benefícios, geraram um quadro de desemprego, de angústia e de pobreza que ameaçam as bases sobre as quais se organiza a sociedade. Neste contexto, o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também um apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão do melhor humanismo ao serviço do bem comum.
Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos.”
Também a propósito da canonização de D. Nuno Álvares Pereira, Sua Excelência o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em mensagem divulgada a 26 de Abril de 2009, proclamou:
“Hoje é um dia de alegria para todos os Portugueses.
A canonização de Nuno Álvares Pereira constitui um gesto que honra uma das figuras mais marcantes da nossa História, uma figura em que os Portugueses se revêem como símbolo de amor ao seu País, de defesa corajosa da independência nacional, de vontade de triunfar mesmo nas horas mais difíceis.
Orgulhamo-nos com a canonização de Nuno Álvares Pereira, pelo que ela representa de reconhecimento do valor exemplar de um português heróico e ilustre.
Um português que soube também ser humilde, o que o levou a retirar-se do gozo das grandezas mundanas em nome da fé que possuía.
Recordo o seu epitáfio: “As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge”.
De facto, Nuno Álvares Pereira soube voltar as costas às honras terrenas que conquistara através de feitos heróicos.
Mas não voltou as costas ao seu amor por Portugal, pois foi em nome desse amor que o Condestável comandou tropas em defesa da independência de uma nação ameaçada.
O “forte Dom Nuno”, como lhe chamou Camões, é um exemplo para todos nós e, muito em particular, para as nossas Forças Armadas.
Congratulo-me pela canonização de Nuno Álvares Pereira e estou certo de que este gesto ficará inscrito na nossa memória colectiva e será motivo de orgulho e de alegria para todos os que amam o nosso País e a sua história.”
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2. D. NUNO ÁLVARES PEREIRA NA CULTURA PORTUGUESA
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Talvez a referência mais antiga a Nuno Álvares Pereira na poesia portuguesa, seja a cantiga que os pobres cantavam à porta do Convento do Carmo, onde ele se havia recolhido. Tal cantiga, recolhida dos manuscritos de Azurara, foi coligida por Teophilo Braga (ii) no seu "Cancioneiro Popular" [2]:

O Gram Condestabre
Em o seu Mosteiro
Dá-nos sua sôpa,
Mail-a sua rôpa,
Mail-o seu dinheiro.

A bênção de Deos
Cahiu na Caldeira
De Nunalves Pereira,
Que abondo cresceu
E todolo deo.

Se comer queredes,
Nom bades alem:
Don menga non tem,
Ahi lo comeredes,
Como lo bedes.”

Camões (iii) , em termos exactos ou simbólicos, de um modo explícito ou implícito, faz referência ao Condestável nada menos que 14 vezes em “Os Lusíadas” [3], chamando-lhe o "forte Nuno" e logo no Canto I, onde indica o assunto global da obra, na 12ª estrofe, evoca a figura de São Nuno, ao dizer:

“Por estes vos darei um Nuno fero,
Que fez ao Rei o ao Reino tal serviço,
…………………………………………………………”

No Canto IV, Vasco da Gama prossegue a narrativa da História de Portugal ao rei de Melinde, iniciada no Canto III, narrando agora a história da 2.ª Dinastia, começando pela a revolução de 1383-85, incidindo fundamentalmente na figura de Nuno Álvares Pereira e na Batalha de Aljubarrota. Na estrofe 30, após o início da batalha é logo destacada a acção de Nun’Álvares:

"Começa-se a travar a incerta guerra;
De ambas partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão da própria terra,
Outros as esperanças de ganhá-la;
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba, e encontra, e a terra enfim semeia
Dos que a tanto desejam, sendo alheia.”

e na estrofe 45, Nun’Alvares é reconhecido como o artífice da vitória contra os castelhanos:

"O vencedor Joane esteve os dias
Costumados no campo, em grande glória;
Com ofertas depois, e romarias,
As graças deu a quem lhe deu vitória.
Mas Nuno, que não quer por outras vias
Entre as gentes deixar de si memória
Senão por armas sempre soberanas,
Para as terras se passa Transtaganas.”

No Canto VIII, Paulo da Gama explica ao Catual o significado dos símbolos das bandeiras portuguesas, contando-lhe episódios da História de Portugal nelas representados. E na estrofe 32 diz:

"Se quem com tanto esforço em Deus se atreve,
Ouvir quiseres como se nomeia,
Português Cipião chamar-se deve;
Mas mais de Dom Nuno Alvares se arreia:
Ditosa pátria que tal filho teve!
Mas antes pai, que enquanto o Sol rodeia
Este globo de Ceres e Netuno,
Sempre suspirará por tal aluno.”

De acordo com o Professor Doutor Márcio Moniz [5]: ”Nuno Álvares Pereira recebe por parte de Camões a consideração dada aos grandes heróis da pátria. Na condição de artífice da vitória na Batalha de Aljubarrota, que impediu a dominação castelhana durante a crise de 1383-1385, o Condestável terá um espaço, em termos de quantidade de estâncias ou oitavas do poema, que poucas personagens terão. Além disso, o poeta concede-lhe a voz narrativa num discurso feito durante a reunião do Conselho Real, em Abrantes, para decidir sobre a batalha, cuja força retórica só se assemelha à fala de outras importantes personagens do poema, como o Velho do Restelo, Inês de Castro e o Gigante Adamastor.” Para aquele Professor de Literatura: “Os adjectivos com que o poeta qualificará a pessoa e as acções do herói também são representativos da deferência que lhe tem Camões. Nuno Álvares Pereira é forte, feroz, leal, verdadeiro, grande, valoroso, entre outros adjectivos que lhes ressaltam as qualidades físicas, morais e éticas. Ou seja, toda a descrição busca qualificá-lo como figura central e responsável não só pela vitória na Batalha de Aljubarrota, mas também pela construção e afirmação da liberdade do reino, governado por um novo rei, alçado ao trono por uma nova dinastia, a de Avis.”
Outros poetas escreveram sobre Nuno Álvares Pereira. Em 12 de Dezembro de 1928, Fernando Pessoa (iv) , escreveu o poema:

“NUN’ÁLVARES PEREIRA

Que auréola te cerca?
é a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur (v) , a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

Esperança consumada,
S. Portugal em ser, (vi) 
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver.(vii)"

Este poema seria integrado na “Mensagem” [7], que como nos diz António Quadros no seu artigo “O título da mensagem” in [6] é “um livro hermético, com uma mensagem oculta, que ao ser recebida inicia o recipiente nos mistérios que ela própria contém”. Em “Nun’Alvares Pereira”, poema estruturado em três estrofes (quadras), à maneira de diálogo, o poeta dirige-se a D. Nuno, a quem em cada estrofe formula uma pergunta, apresentando de seguida uma resposta. D. Nuno Álvares Pereira fora beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV e apesar de canonicamente ter sido apenas beatificado, a crença popular considera-o Santo (Santo Condestável) celebrando a sua festa religiosa a 6 de Novembro. Na primeira estrofe do poema, o poeta aponta a santidade de Nun’Álvares e associa heroísmo e santidade. Na segunda estrofe, a espada de Nun’Álvares é celebrada como um instrumento de força duplamente material e espiritual, que não é uma simples arma de Guerra, mas aquela que foi abençoada por Deus, tal como a “Excalibur” do Rei Artur. Esta referência a “Excalibur” permite inferir metonimicamente a herança inglesa na História de Portugal e implicitamente o Santo Graal.
Pessoa na “Mensagem” e Camões em “Os Lusíadas” cantam Portugal e em particular Nun’Alvares, mas de um modo bastante diferente. Camões canta o início do império real, através da narração e da descrição, valorizando o passado e o nacionalismo. Por sua vez, Pessoa canta o fim do império português, duma forma abstracta e interpretativa, exaltando o futuro ao cantar um Portugal que há-de voltar a ser glorioso (o do Quinto Império), bem como o nacionalismo universalista.
Outros poetas como Guerra Junqueiro, Corrêa d'Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Augusto Casimiro, Fernando Pessoa, Mário Beirão, Miguel Torga, Couto Viana, Moreira das Neves, etc, cantaram igualmente Nun’Alvares.
Para além da poesia, a bibliografia acerca de Nuno Álvares Pereira, aproxima-se do milhar de títulos, número que inclui crónicas, livros de História, artigos de jornais e revistas, biografias, hagiografias, etc. Por ordem cronológica merece a pena destacar a seguinte bibliografia:
1. LOPES, Fernão. Chronica de El-Rei D. João I. Escriptorio. Lisboa, 1897-1898 (7 vol).
2. ANÓNIMO. Crónica do Condestabre de Portugal de Dom Nuno Alvarez Pereira, do século XV. Edição F. França Amado. Coimbra, 1911.
3. MARTINS, J. P. Oliveira. A Vida de Nun'Alvares, Lisboa, 1893.
4. CARDOSO, Elias. A Bibliografia Condestabriana. Instituto Carmelitarum. Roma, 1958.
5. ALMEIDA, Fortunato. História da Igreja em Portugal. Livraria Civilização, Porto, 2000 (4 volumes).
Nuno Álvares Pereira motivou “(…) também músicos, que produziram variedade de cânticos e de hinos (Manuel Nunes Formigão, Venceslau Pinto, Inácio Aldossoro, M. Pacheco, Luiz Gonzaga Mariz, José Ferreira...) desde as remotas chacóinas ou músicas com que os habitantes da zona saloia de Lisboa abrilhantavam as suas peregrinações ao túmulo do Conde Santo na Igreja do Convento do Carmo”. [4]
Passemos agora à iconografia de D. Nuno Álvares Pereira. Segundo D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa [1]: “As descrições fisionómicas de Nuno de Santa Maria, referidas pelos cronistas carmelitas, apontam como características principais do seu rosto: comprimido e branco, nariz afilado, olhos pequenos e vivos, sobrancelhas arqueadas, rugas na testa, boca pequena, cabelo e barba ruivos, sendo esta pouco densa e caída.” Segundo o Prelado: “Quando se trata de iconografia de santos, a primeira questão é saber se há “verdadeira efígie”. Ora, para São Nuno de Santa Maria é considerado um retrato do século XV, no espaldar da sacristia do Convento do Carmo de Lisboa, de meio-corpo e vestido como donato carmelita (meio-irmão). Este quadro ardeu no terramoto de 1755, mas conservam-se muitas figurações semelhantes”. No artigo citado é dada a conhecer vasta iconografia do Condestável, representando-o como donato carmelita e em veste de guerreiro. Da iconografia referida, salientamos alguma que nos parece merecer destaque:
- Pintura seiscentista sobre tábua (Moura);
- Xilogravura da “Crónica do Condestabre”, da edição de Germão Galhardo (1526);
- Azulejos setecentistas da Igreja de Nossa Senhora da Orada, em Sousel;
- Estátua do escultor Vítor Bastos (1873) no Grupo Escultórico do Arco da Rua Augusta, em Lisboa;
- Desenho de António Carneiro (1927) conservado no Museu de Amarante;
- Estátua de Leopoldo de Almeida (1966), frente ao Mosteiro da Batalha.
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3. D. NUNO ÁLVARES PEREIRA NA FILATELIA PORTUGUESA
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Os Correios de Portugal associaram-se à Canonização do Beato Nuno de Santa Maria, emitindo um selo (Fig. 1) cujo design é do Atelier Acácio Santos/Túlio Coelho, a partir de foto de retrato de D. Nuno Álvares Pereira, óleo sobre tela, de autor português desconhecido, do século XVI, pertencente a colecção particular. Os selos com 40x30,6 mm foram impressos a off-set em folhas de 50 sobre papel de 102g/m2, com denteado 13 x Cruz de Cristo. A tiragem foi de 330.000 exemplares. Foi igualmente emitido um sobrescrito de 1º dia, formato C6 e uma pagela cujo texto é subscrito pelo Cardeal D. José Saraiva Martins. Houve obliterações de 1º dia em Lisboa (Fig. 2), Porto, Funchal e Ponta Delgada.

Fig. 1
Fig. 2
Julgamos ter interesse destacar aqui algumas peças filatélicas centradas na figura do Herói e Santo. Assim:
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Fig. 3 - D. NUNO ÁLVARES PEREIRA NA BATALHA DOS ATOLEIROS - Postal máximo realizado com selo da taxa de 5 C, utilizada como taxa complementar, reproduzindo desenho de Alfredo Roque Gameiro baseado na imaginação do artista e gravura da firma Thomas de La Rue (Londres). Selo emitido em 1928 para comemorar a Independência de Portugal (3ª Emissão). Postal editado por A.F. (António Furtado), reproduzindo o desenho utilizado no fabrico do selo. Obliteração ordinária de 27.11.1928 (1º dia de circulação do selo), de LISBOA CENTRAL/3ª SECÇÃO, capital do Reino, de onde o Condestável D. Nuno Alvares Pereira partiu para a Batalha dos Atoleiros, que se travou a 6 de Abril de 1384, a meia légua de Fronteira, entre o exército português sob o seu comando e o exército castelhano, comandado pelo seu irmão, D. Pedro Alvares Pereira, Prior do Crato.

Fig. 4 - BATALHA DE ALJUBARROTA - Postal máximo realizado com selo da taxa de 20$00, reproduzindo desenho de Luís Filipe de Abreu, litografado na Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Selo emitido em 1985 para comemorar o 6º Centenário da Batalha de Aljubarrota. Postal da “Colecção Lusitana”, reproduzindo aguarela de Alberto de Souza. Obliteração ilustrada concordante de S. JORGE - PORTO DE MÓS, de 14/8/85, comemorativa do 6º Centenário da Batalha de Aljubarrota, travada nesse local no final da tarde de 14 de Agosto de 1385, entre tropas portuguesas comandadas por D. João I de Portugal e por D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano de D. João I de Castela. Esta batalha saldou-se por uma derrota definitiva dos castelhanos, o fim da crise de 1383-1385 e a consolidação de D. João I como rei de Portugal, o primeiro da dinastia de Avis.

 Fig. 5
Fig. 6
Fig 5. e Fig 6. NUN’ALVARES NA HORA DE VALVERDE. Fig. 5 - Exterior de Bilhete-postal de Boas Festas (Nº 30) do serviço nacional, com selo de $25, azul claro do tipo “TUDO PELA NAÇÃO”, da emissão de 1940, com sobrecarga “ISENTO/PORTARIA/10.509” tipo I, da emissão de 1943, redigido a 12 DEZ 44 na Ilha do Sal – Cabo Verde, com marca do dia, de partida, a obliterar o selo (Fig. 5 – metade inferior). À esquerda da marca do dia, a marca “Censurado”, manuscrita a vermelho e logo por baixo, a rubrica do censor militar. Ainda no exterior do bilhete-postal, marca de Passagem de Censura Militar, circular, com 25 mm de diâmetro, batida a violeta e que era aplicada pelo censor militar, sediado na estação dos correios do local de chegada. Nesta marca, as indicações: M.G. (Ministério da Guerra) e C.M.P.T. (Censura Postal Militar Telegráfica), seguida da indicação que o carimbo é de passagem (P) e o censor militar o número 42, o qual rubricou à esquerda da marca do dia. Ilustração de Jaime Martins Barata no interior (Fig. 6 – metade direita): “NUN’ALVARES NA HORA DE VALVERDE”.

Fig. 7 - D. NUNO ÁLVARES PEREIRA - Postal máximo realizado com postal de edição privada, não identificada, reproduzindo gravura em madeira de autor desconhecido, impressa no verso da folha de rosto da "Chronica do Condestabre", de Femão Lopes, editada em Lisboa, em 1526 por Gusmão Galhardo. Selo da taxa de 15 C, utilizada nos impressos internos, reproduzindo a mesma gravura e emitido em 1931 para assinalar o 9° Centenário da Morte de D. Nuno Álvares Alvares Pereira. Obliteração ordinária de 1.11.1931 (1° dia de circulação do selo e data do 5° Centenário da Morte de D. Nuno Alvares Pereira), de dupla elipse de LISBOA CENTRAL/1ª SECÇÃO, cidade que ajudou a defender dos castelhanos na sua qualidade de fronteiro e defensor da Comarca de Entre e Ondiana. Em Lisboa se situa o Convento de Santo Maria do Carmo, onde o Condestável depois de ter posto termo à carreira militar, professou ordens monásticas em 1.4.1931 e viria a morrer em 1.11.1431.
Fig. 8 - D. NUNO ÁLVARES PEREIRA - Bilhete-postal do serviço nacional, com selo de 25 C, rosa-carmim, da emissão “Lusíadas”, de 1934. Composição da chapa com grafia “Enderêço” e selo 28 mm acima da 1ª linha da direcção. Tiragem em cartolina camurça. Utilização no serviço internacional com recurso a par de selos comemorativos, de 15 C, do 9° Centenário da Morte de D. Nuno Álvares Alvares Pereira, de 10 C de Padrões da Grande Guerra e de 40 C da emissão Lusíadas, como complemento de porte de 1$00, o qual foi excedido em 5 C. Expedido a 22-8-34 de PORTO CENTRAL / 3ª SECÇÃO para BUDAPEST. Circulação durante o chamado “Período de recurso”.

Fig. 9 - D. NUNO ÁLVARES PEREIRA - PATRONO DA INFANTARIA - Bilhete-postal comemorativo, de taxa paga, válido para o serviço nacional. Design do atelier Acácio Santos/Túlio Coelho. Porte de 0,32 € do serviço nacional e prémio de registo simples de 1,30 €. Obliteração comemorativa ilustrada de MAFRA, de 14-8-2009, primeiro dia de circulação do Bilhete-postal. Expedido de Mafra para a Amadora.
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(i) - Do latim: “Sic itur ad astra” – alusão à subida ao céu, típica dos heróis.
(ii) - Joaquim Teophilo Fernandes Braga (1843-1924), poeta, historiador da literatura, ensaísta e político português.
(iii) - Luís Vaz de Camões (c. 1524 - 1580), considerado como o maior poeta de língua portuguesa.
(iv) - Fernando Pessoa (1888-1935), poeta e escritor português, considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, com valor comparado ao de Camões.
(v) - “Excalibur” é a fabulosa espada do Rei Artur, figura lendária britânica que de acordo com o folclore e literatura medievais, teria comandado a defesa contra os invasores saxões aportados à Grã-Bretanha no início do século VI. A existência histórica do Rei Artur é contestada por historiadores modernos e diversas fontes apontam a escassez dos seus antecedentes históricos. As lendas sobre o Rei Artur apresentam duas versões distintas sobre a origem de “Excalibur”:
- O “Ciclo do Lancelote-Graal”, importante fonte literária de lendas arturianas, escrita originalmente em francês nos anos 1210-1220 e que consta de uma série de cinco volumes em prosa, que relatam a história da demanda do Santo Graal e o romance entre o cavaleiro Lancelote e a rainha Genebra. Segundo o “Ciclo do Lancelote-Graal”, ”Excalibur” seria a espada presa na pedra.
 - O “Ciclo do Pseudo-Boron”, relevante conjunto de textos literários medievais sobre as lendas arturianas, escrito originalmente em francês nos anos 1230-1240, consiste numa modificação do “Ciclo do Lancelote-Graal”. O material do livro de Lancelote, que descreve o romance considerado pecaminoso entre Lancelote e a rainha Genebra, foi em grande parte omitido. Em contrapartida, é dada mais ênfase ao livro da Demanda do Santo Graal e aos aspectos cristãos da história. Segundo o “Ciclo do Pseudo-Boron”, a espada foi oferecida a Artur pela Dama do Lago, por intercessão de Merlin, seu conselheiro druida e havia sido forjada por um duende ferreiro.
A palavra “Excalibur”, deriva aparentemente do galês “Caledfwlch”, que combina os elementos “caled!” (batalha dura), e “bwlch” ( brecha, lacuna, entalhe). Na sua obra, Historia Regum Britanniae, Geoffrey de Monmouth, terá no século XII latinizado a palavra “Caledfwlch” para “Caliburnus”. A maioria dos celticistas considera o termo “Caliburnus” de Geoffrey como derivado dum antigo texto galês perdido, no qual “bwlch” ainda não tinha sido latinizado para “fwlch”. Nas fontes francesas antigas este tornou-se então “Escalibor”, “Excaliboor” e, finalmente, o familiar “Excalibur”.
Segundo as lendas, “Excalibur” seria uma espada mágica, inquebrável e que tornava o seu portador quase invencível, uma vez que lesões com perdas de sangue, não o matariam, já que as feridas recebidas não sangrariam em pleno.
(vi) - Através duma metonímia e duma metáfora, D. Nuno é transformado pelo poeta em “São Portugal em ser“, personificando assim o que há de místico em Portugal.
(vii) - Em jeito de prece, o poeta suplica ao beato que nos ilumine com a sua luz para que encontremos o caminho da pátria, isto é, a grandeza de Portugal.
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BIBLIOGRAFIA
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[1] - AZEVEDO, D. Carlos (Bispo Auxiliar de Lisboa). Iconografia do Santo Condestável. [http://condestabre.blogspot.com/2009/04/iconografia-do-santo-condestavel-por-d.html] – 6-12-2009.
[2] - BRAGA, Theophilo. Cancioneiro Popular, vol. 3. Imprensa da Universidade. Coimbra, 1867.
[3] - CAMÕES, Luís. Os Lusíadas. Instituto Camões. Lisboa, 2002.
[4] - GOMES, Pinharanda. S. Nuno de Santa Maria – Nuno Álvares Pereira. Antologia de documentos e estudos sobre a sua espiritualidade. Editora Zéfiro. Sintra, 2009.
[5] - MONIZ, Márcio Ricardo Coelho. A Figura do Santo Condestável em “Os Lusíadas”. [http://www.zenit.org/article-20700?l=portuguese] – 6-12-2009.
[6] - PESSOA, Fernando. Mensagem, Edição Crítica de José Augusto Seabra, Fundação Engº António Almeida. Lisboa, 1993.
[7] - PESSOA, Fernando. Mensagem. Lisboa: Parceria António Maria Pereira. Lisboa, 1934.