terça-feira, 17 de março de 2020

Bonecos de Estremoz: Duarte Catela


Duarte Catela (1988-  ). Fotografia de 2018 da autoria de Joana Serrano.
Arquivo fotográfico do autor. 

Duarte Miguel Menezes Catela nasceu a 4 de Fevereiro de 1988, nas traseiras da Rua Alexandre Herculano, n.º 33 em Estremoz. Filho legítimo de Luís Miguel Ramalho Catela, de 22 anos e de Helena Maria Lopes Bravo Menezes Catela, de 22 anos. É bisneto dos barristas António Lino de Sousa (1918-1982) e Quirina Alice Marmelo (1922-2009). Frequentou a Escola Secundária Rainha Santa Isabel, em Estremoz, na qual concluiu em 2006, o 12º do Agrupamento 1 – Curso de Carácter Geral. Tem o curso de Hotelaria da Escola Profissional de Hotelaria e Turismo de Lisboa, concluído em 2009.  Começou a trabalhar na Pousada de Sagres e passou a sub-chefe de cozinha nas Pousadas de Portugal, permanecendo nessa condição na Pousada de Queluz. Actualmente é chefe de cozinha na Pousada de Palmela e no Restaurante Cozinha Velha (Palácio Nacional de Queluz). O seu interesse pelos Bonecos de Estremoz remonta à juventude quando, à guarda da bisavó, a observava na modelação e pintura dos Bonecos, acabando por seguir o seu padrão de execução, ao mesmo tempo que utiliza os moldes das faces que dela herdou. Cozinheiro de profissão, procura conciliar a actividade profissional com a arte bonequeira que herdou da família. Modela os Bonecos na sua residência em Lisboa e estes depois de secos, são transportados para Estremoz onde são cozidos na mufla eléctrica que pertenceu à sua bisavó Quirina Marmelo e se encontra na antiga oficina-loja na Rua Arco de Santarém, nº 4, onde moram os seus avós. Em Estremoz, a sua mãe Helena Catela, colabora na pintura dos Bonecos. A venda dos seus Bonecos é feita no Museu Municipal de Estremoz, na Mercearia Figo no Rossio Marquês de Pombal n.º 73 em Estremoz e directamente a clientes que lhe fazem encomendas. Em Estremoz tem participado na FIAPE, já expôs individualmente e tem participado em exposições colectivas, bem como em feiras onde não estando presente, está representado no stand da Câmara Municipal de Estremoz.

Publicado inicialemente em 17 de Março de 2020


Presépio de 3 figuras.

 Nossa Senhora da Conceição.

 Nossa Senhora dos Mártires.

 Matança do porco - 1.

Matança do porco - 2.
  
Pastor de tarro e manta.
  
 Homem do harmónio.

 Pastor debaixo da árvore.

 Ceifeiro.

Cozinha dos ganhões.
  
 Mondadeira.

 Mulher das castanhas.

 Senhora ao toucador.

 Primavera de arco.

Amor é cego.

domingo, 15 de março de 2020

Coronavírus COVID-19



O surto da doença causada pelo coronavírus surgiu em 31 de Dezembro de 2019 na cidade de Wuhan na China, foi declarado pela OMS como Emergência de Saúde Pública em 30 de Janeiro de 2020 e como pandemia em 11 de Março de 2020.
Os maiores cartoonistas mundiais, cada um deles com o seu tipo próprio de sentido de humor e especial modo de o tratar graficamente, debruçou-se sobre os múltiplos aspectos suscitados pela pandemia. Os seus cartoons foram publicados na imprensa mundial e encontram-se disseminados pela Internet. Aí recolhi e seleccionei 40 desses cartoons, os quais revelam a preocupação dos seus autores com a transmissão do vírus, os comportamento pessoais a adoptar no seu combate, os oportunismos surgidos na sequência da pandemia e uma forte crítica à China e a Trump.
Os cartoons escolhidos foram em número de quarenta, número cuja escolha não foi acidental, já que é o número que corresponde à quantidade designada correntemente por “quarentena”, palavra que designa igualmente o período de isolamento a que devem ser submetidos, pessoas, animais ou mercadorias provenientes de um país onde grassa uma epidemia.






































sexta-feira, 13 de março de 2020

Vem aí a Primavera!


Primavera de arco (Alegoria à estação homónima).
Liberdade da Conceição (1913-1990).

A Primavera é a estação do ano que sucede ao Inverno e antecede o Verão.
No hemisfério norte a Primavera tem início no equinócio de Março (20 de Março) no qual o dia e a noite têm a mesma duração na linha do equador. A cada dia que passa, a duração do dia aumenta e da noite diminui, o que faz aumentar a insolação. A Primavera termina no solstício de Junho (20 de Junho). As datas referidas variam pouco de ano para ano.
A Primavera marca a renovação da natureza, sendo especialmente associada ao reflorescimento da flora e da fauna terrestres.
Como é natural, a Primavera marca presença no adagiário português:
- Após a névoa opaca do Inverno, sempre vem o colorido vivo da Primavera
- Borboleta branca: Primavera franca.   
- Como vires a Primavera, assim pelo al espera.
- Dizem os antigos, gente rude e sincera: nunca passou por mau tempo a chuva da Primavera.
- Foi atravessando os rigores do Inverno que o tempo chegou à Primavera.
- Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera.
- Um cuco não trás a Primavera.
- Um dia de Outono vale por dois de Primavera.
- Uma andorinha não faz a Primavera.
- Uma andorinha só não faz a Primavera.
- Uma flor não faz Primavera.
- Uma palavra gentil é como um dia de Primavera.


Publicado a 13 de Março de 2020

segunda-feira, 9 de março de 2020

Bodas de Caná da Língua Portuguesa


CUIDADO COM AS PINGAS!
Fig. 1 - RUA DE PARIS EM DIA CHUVOSO (1877). Gustave Caillebotte (1848-1894).
Óleo sobre tela (212,2 x 276,2 cm). Art Institute of Chicago, Chicago, USA.

As letras são sementes donde germinam palavras, que são tijolos com que se arquitectam frases com as quais se constroem textos mensageiros.
Contra o abastardamento preconizado pelo famigerado (des)acordo ortográfico, a Língua Portuguesa luta e resiste com pujança, argúcia e beleza.
A recomendação “Cuidado com as pingas!” é um aviso de que a chuva molha (Fig. 1). Em contrapartida, a expressão “Cuidado com a pinga!” é uma advertência de que o vinho embriaga (Fig. 2). Bastou substituir o plural pelo singular, para que a água se transformasse em vinho. O “s” desempenhou aqui o papel de Cristo nas Bodas de Caná (*). Tal a riqueza da Língua Portuguesa.    

(*) As Bodas de Caná são um episódio bíblico relatado no Evangelho de São João (João 2:1-11), no decurso do qual Jesus transformou a água em vinho, o que é considerado como o primeiro dos seus milagres.

Publicado inicialmente em 9 de Março de 2020

CUIDADO COM A PINGA!
Fig. 2 - OS BÊBADOS ou FESTEJANDO O S. MARTINHO (1907). José Malhoa (1855-1933).
Óleo sobre tela (150x200 cm). Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Adagiário dos Santos - 3


São Tiago. Jorge da Conceição (1963).

LER AINDA:

São Matias (14 de Maio)
- Dia de São Matias começam as enxertias.
- Pelo São Matias, noites iguais aos dias.
- Por São Matias antes de Março cinco dias salta da boga na cascalheira.
São Miguel (29 de Setembro)
- Chovendo no São Miguel, faz conta das ovelhas que os borregos não são teus.
- Chovendo no São Miguel, faz conta das ovelhas que os borregos são teus.
- Em Setembro, São Miguel soalheiro enche o celeiro.
- Em vinte e nove, São Miguel fecha as asas.
- O São Miguel ou seca as fontes ou leva açudes e pontes.
- Pelo São Miguel dá-se as figueiras ao rabisco.
- Pelo São Miguel estão as uvas como mel.
- Pelo São Miguel os figos são mel.
- Quem planta no São Miguel, vai à horta quando quer.
- Quem se aluga no São Miguel, não se senta quando quer.
- São João e São Miguel passados, tanto manda o amo como o criado.
- São Miguel das uvas, tarde vens e pouco duras; se duas vezes vieres no ano, não estivera com amo.
- São Miguel passado, tanto manda o amo como o criado.
- São Miguel passado, todo o amo é mandado.
- São Miguel soalheiro, enche o celeiro.
- Se houvesse dois São Miguéis no ano, não havia moço que parasse no amo.
- Vai-te com Deus e São Miguel com as almas.
São Nicolau (6 de Dezembro)
- Pelo São Nicolau neve e arraia, mas não carapau.
- Por Todos os Santos, neve nos campos; por dia de São Nicolau, neve no chão.
São Pedro (29 de Junho)
- Até São Pedro, há o vinho medo.
- Dia de São Pedro, tapa o rego.
- Dia de São Pedro, vê o teu olivedo; e, se vires um grão, espera por cento.
- Nevoeiro de São Pedro põe em Julho o vinho a medo.
- Pelo São Pedro vai ao arvoredo; se vires uma, conta um cento.
São Sebastião (20 de Janeiro)
- Por São Sebastião, laranjinha na mão.
- Por São Sebastião, laranjinha no chão.
- Pelo São Sebastião, cada perdiz com o seu perdigão.
- São Sebastião, laranja na mão.
São Silvestre (31 de Dezembro)
- Dia de São Silvestre, não comas bacalhau que é peste.
- Dia de São Silvestre, quem tem carne que lhe preste.
- Em Dezembro quem vai ao São Silvestre, vai um ano, vem no outro e não se despe.
- Pelo São Silvestre, nem no alho nem na reste.
- Por São Silvestre o bacalhau é peste.
São Simão (28 de Outubro)
- Andar marinheiro, andar, não te apanhe São Simão no mar.
- De São Simão a São Judas, comidas são as uvas.
- Em dia de São Simão, quem não assa um magusto não é bom cristão.
- Não peças água a Luzia e a Simão, nem sol a António e a João, que eles tudo isso te darão.
- No dia de São Simão, barcos para trás do portão.
- No dia de São Simão, semear, sim, marear, não.
- O Verão de São Martinho, a vareja de São Simão e a cheia de Santos são três coisas que nunca faltaram nem faltarão.
- Pelo São Simão e São Judas já colhidas são as uvas.
- Pelo São Simão enfarrusca o pinhão.
- Pelo São Simão, quem não faz um magusto, não é cristão.
- Por São Simão e São Judas, colhidas são as uvas.
- Por São Simão, fava na mão.
- Por São Simão, favas no chão.
São Suplício (18 de Janeiro)
- Se gela no São Suplício, haverá ano propício.
São Tadeu (28 de Outubro)
- Pelo São Tadeu e São Judas prova as uvas.
São Tiago (25 de Julho)
- Chuva de Julho, Sant'Ana vem com a cabacinha e Santiago traz o canado.
- Chuva de Julho: Santa Marinha vem com a cabacinha e São Tiago com o canado.
- Dia de São Tiago, pinta o bago.
- Dia de São Tiago, vai à vinha e acharás bago.
- Dia de São Tiago, vai à vinha e prova o bago.
- Frio em Julho, abrasa em São Tiago.
- No dia de São Tiago, a velha vai ao bago.
- Pelo São Tiago cada pingo vale um cruzado.
- Pelo São Tiago pinta o bago e cada pinga vale um cruzado.
- Pelo São Tiago pinta o bago.
- Pelo São Tiago vai à vinha e apanha o bago.
- Pelo São Tiago vai à vinha e prova o bago.
- Pelo São Tiago, na vinha acharás bago; se não for maduro, será inchado.
- Por São Tiago na vinha pinta o bago.
São Tomé (21 de Dezembro)
- Em dia de São Tomé pergunta ao porco que tempo é.
- Em dia de São Tomé, favas à terra.
- Em dia de São Tomé, vão os porcos à pilé.
- No dia de São Tomé, quem não tem porco, mata a mulher.
- Pela Senhora da Conceição, favas ao chão; por São Tomé, carregam da ponta ao pé; eu semeio quando me faz conta e carregam do pé à ponta.
São Vicente (22 de Janeiro)
- Em São Vicente sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a chorar; se vires terrear, põe-te a cantar; se vires luzir, põe-te a sorrir.
- Pelo São Vicente pare a chuva e venha o vento.
- Pelo São Vicente toda a gente é quente.
- Pelo São Vicente toda a água é quente.
- São Vicente alça a mão da semente.
Todos os Santos (1 de Novembro)
- De Santos a Santo André, um mês é; de Santo André ao Natal, três semanas.
- De Santos ao Natal, ou bom chover ou bem nevar.
- De Todos os Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
- De Todos os Santos ao Natal, bom é chover e melhor nevar.
- De Todos os Santos ao Natal, perde a padeira o capital.
- De Todos os Santos ao Natal, perde a padeira o natural.
- De Todos os Santos até ao Natal, perde a padeira o cabedal.
- Depois dos Santos, neve nos campos.
- Dos Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
- Dos Santos ao Natal, bico de pardal.
- Dos Santos ao Natal é bom chover e melhor nevar.
- Dos Santos ao Natal é Inverno natural.
- Dos Santos ao Natal perde a padeira o cabedal.
- Dos Santos ao Natal vai um salto de pardal.
- Dos Santos ao Natal, Inverno geral.
- Dos Santos ao Natal, perde o marinheiro o cabedal.
- O Verão de São Martinho, a vareja de São Simão e a cheia de Santos são três coisas que nunca faltaram nem faltarão.
- Pelos Santos, favas por todos os cantos.
- Pelos Santos, neve nos campos.
- Por Santos semeia trigo e colhe cardos.
- Por Todos os Santos, neve nos campos; por dia de São Nicolau, neve no chão.
- Por Todos os Santos, semeia trigo e colhe cardos.
- Por Todos os Santos, semeia trigo, colhe castanhas.