quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Rua do Outeiro, berço de barristas

 

Rua do Outeiro (1944). Roberto Augusto Carmelo Alcaide (1903-1979).


Como é sabido, sou assíduo frequentador do Mercado das Velharias em Estremoz. Ali tenho comprado coisas invulgares, umas pré-existentes na minha mente, outras descobertas por mero acaso. Foi o que aconteceu há cerca de 20 anos com uma pintura que me aqueceu a alma como investigador da barristica popular estremocense. Daí que a tenha utilizado como imagem de abertura do meu livro “Bonecos de Estremoz”, publicado em 2018 pelas edições Afrontamento. Trata-se da Rua do Outeiro (1944), um gouache sobre cartão (27 cm x 19 cm), da autoria de Roberto Augusto Carmelo Alcaide (1903-1979), autodidacta, caricaturista, maquetista, cenógrafo e dramaturgo. Casado com a poetisa Maria Palmira Osório de Castro Sande Meneses e Vasconcellos (1910-1992), que sob o pseudónimo Maria de Santa Isabel, publicou obra poética, a qual inclui: Flor de Esteva (1948), Solidão Maior (1957), Terra Ardente (1961), Fronteira de Bruma (1997), Poesia Inédita (A editar).
Nascido em 1946, tive o privilégio de conhecer em vida, não só a poetisa como o seu esposo, pertencente como eu a ramos distintos da Família Carmelo, ele da 9.º geração e eu da 10.ª.
Da rua do Outeiro, rua de oleiros e bonequeiras, nos fala a “Marcha do Outeiro”, vencedora do concurso de Marchas Populares de Estremoz, em 1948: “O outeiro iluminado / de rubras malvas bordado, / tanta graça Deus lhe pôs!) / que foi berço das primeiras / fantasias das oleiras / nos bonecos de Estremoz!”. A letra da marcha era da autoria de Luís Rui, pseudónimo literário de Joaquim Vermelho (1927-2002), que se tornaria um destacado estudioso da barrística popular estremocense.

Hernâni Matos
Publicado inicialmente em 12 de Setembro de 2022

Roberto Augusto Carmelo Alcaide (1903-1979).

2 comentários:

  1. Contigo ,aprendo sempre algo de novo, também tive o prazer de conhecer o Sr. Roberto e ainda tive algumas conversas com ele na sua loja (tabacaria?), mas desconhecia quem era a sua esposa.
    Nesta foto do Sr. Roberto parece um actor.
    Obrigada Hernani

    ResponderEliminar
  2. Conheci Roberto Alcaide e Maria de Santa Isabel ainda rapaz, já que nasci no Largo do Espirito Santo e por ali andei e deambulei até tarde. Eles moravam na Horta Primeira com entrada pela Rua da Levada. Ele foi patrão do José Cravo, antes de ter ingressado na CGD.
    No curto mandato do José Sena, o Município promoveu uma homenagem a Maria de Santa Isabel, com descerramento de placa no edifício onde morou e discursos, tendo também no Salão Nobre dos Paços do Concelho ocorrido uma conferência sobre ela proferida pelo poeta Vasco da Lima Couto.
    No meu blogue, entre outras coisas, publiquei recentemente o texto :
    ESTREMOZ - O NEO-REALISMO A PASSAR POR AQUI
    https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2024/09/estremoz-o-neo-realismo-passar-por-aqui.html
    No meu blogue, poderás encontrar também alguns poemas dela:
    PUCARINHOS DE BARRO
    https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2017/04/poetas-em-defesa-da-olaria-de-estremoz.html
    BONECOS DE ESTREMOZ
    https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2024/01/poesia-portuguesa-104.html
    AO LUME
    https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2015/10/poesia-portuguesa-018.html

    Por agora é tudo. Um abraço para ti.

    ResponderEliminar