quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Bonecos de Estremoz - Bonecos da Inovação


 Pastor a limpar o suor (sd). Aclénia Pereira (1927-2012).

Há um conjunto de cerca de 100 Bonecos de Estremoz, cuja manufactura tem sido comum aos barristas dos sécs. XX-XXI. São os chamados Bonecos da Tradição. Para além destes e em número indeterminado, mas superior a 100, existem os chamados Bonecos da Inovação, criados pelos mais diversos motivos:
- Por livre iniciativa de cada barrista;
- Por sugestão de estudiosos da barrística popular estremocense como Joaquim Vermelho, Hugo Guerreiro e Hernâni Matos;
- A pedido de clientes.
Para além dos exemplares aqui apresentados, há muitos outros, sobretudo devidos a encomendas de fregueses no âmbito das imagens devocionais e dos presépios.
Tradição ou a Inovação tanto faz, pois independentemente da temática onde cada figura ou conjunto se possa inserir, registam um elo comum: o respeito pelos cânones do velho processo de fabrico ao modo de Estremoz, o qual tem por base a combinação de três geometrias em barro: a bola, o rolo e a placa.



Semeador (sd). Sabina Santos (1921-2005).
  
 Camponesa com cesto e taleigo (1987). Liberdade da Conceição (1913-1990).

Pastor a descansar debaixo de uma árvore (sd). José Moreira (1926-1991).

Tapeteira de Arraiolos (c. de 2010). Maria Luísa da Conceição (1934-2015). 

Confissão (2005). Irmãs Flores (1957, 1958 - ). Figura composta manufacturada
 a partir de desenho de Jorge Branco.

Coqueira (sd). Quirina Marmelo (1922-2009). A coqueira é a mulher que está "à coca",
ou seja, a vigiar a cozedura da comida dos trabalhadores rurais que levam o seu
almoço para cozinhar.

Pastor (1996). João Fortio (1951- ). 

 Pastor (1987). Rui Barradas (1953- ).

Maquineta com Presépio (2008). Guilhermina Maldonado (2008).

Barrista a modelar Bonecos de Estremoz (2013). Jorge da Conceição (1983 - ). 
Figura composta modelada em homenagem ao avô Mariano da Conceição
(1903-1959), que nos anos 30 do séc. XX e na peugada de Ana das Peles
[Ana Rita da Silva (1870-1945)], ficou indissociavelmente ligado à
recuperação dos Bonecos de Estremoz na Escola Industrial António Augusto
Gonçalves, graças à iniciativa do seu director, José Maria de Sá Lemos
(1892-1971). Trabalho inspirado em fotografia de Rogério de Carvalho
(1915-1988), datada dos anos 40 do séc. XX.

Cozinha dos ganhões (2018). Duarte Catela (1988- ). Os “ganhões“ eram assalariados
agrícolas indiferenciados, que se ocupavam de tarefas como lavras, cavas, desmoitas,
eiras, etc., com excepção de mondas, ceifas e gadanhas. No monte, as refeições da
ganharia tinham lugar na chamada “Cozinha dos ganhões”. Aí se sentavam em
burros dispostos ao longo de uma mesa comprida e estreita. A cozinha dispunha
igualmente de uma lareira espaçosa onde se podia cozinhar em panelas de ferro.

Aguadeiro (2018). Ricardo Fonseca (1986- ). Figura composta inspirada  em bilhete
postal ilustrado editado pela Câmaras Municipal de Estremoz nos anos 40 do séc. XX,
com base em fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988). Em Estremoz existiram
aguadeiros, proprietários de carro com grade para transporte de cântaros, puxados
por muar ou por burro. Eram eles que asseguravam a distribuição domiciliária de água,
o que constituiu prática corrente até à inauguração da rede pública de abastecimento
de água, em 26 de Maio de 1952. Os cântaros utilizados eram geralmente em zinco,
para não partirem e com tampa, para não entornarem. 

Jogador de bilhar (2011). Irmãs Flores (1957, 1958- ) e Ricardo Fonseca (1986- ).
Composição projectada pelo pintor Armando Alves para servir de troféu em
disputa no II Torneio de Bilhar "António Telmo", integrado nas Comemorações do
IV Aniversário do Falecimento de António Telmo (1927-2010), filósofo, escritor
e professor, figura cimeira da Cultura e da Filosofia Portuguesa. As comemorações
tiveram lugar em 2014 em Estremoz, por iniciativa do Círculo António Telmo e da
Sociedade Recreativa Popular Estremocense. António Telmo e Armando Alves
foram companheiros no jogo do bilhar.