quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Poesia Portuguesa - 032


O Amor e o Tempo
António Feijó (1859-1917)

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

— “Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!”

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
— “Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?” — Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
— “Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!”

António Feijó (1859-1917)