terça-feira, 24 de março de 2015

Dia Mundial da Poesia

A poetisa Constantina Babau, de Estremoz,  declamando um poema de sua autoria.
(Fotografia de Jorge Pereira)

No passado dia 21 de Março comemorou-se o Dia Mundial da Poesia. Em Estremoz, a celebração da efeméride consistiu na apresentação do livro da poetisa Constantina Babau “Estremoz, eu e a caneta de Deus”. O evento decorreu na Casa de Estremoz e teve o apoio do Município.
Com a sala literalmente cheia, a sessão reuniu na mesa, para além das poetisa e da Vereadora da Cultura, o Cónego Júlio Esteves e o autor destas linhas, tendo os dois últimos, cada um dos quais à sua maneira, falado da obra e da autora.
No livro, a modalidade de poesia dominante é a décima, embora ao sabor da inspiração também brotem quadras, quintilhas e sextilhas, já que Constantina aprendeu as formas seguidas pelo seu pai, o lendário Hermínio Babau, a quem acompanhava no seu confronto poético com outras figuras igualmente lendárias, como Jaime da Manta Branca. É caso para dizer, que “quem sai aos seus não degenera” e “filho de peixe sabe nadar”.
Constantina fala da Família, revelando sentir uma grande saudade da mãe e do pai. Confessa o seu grande Amor a Deus e uma grande devoção pela Rainha Santa Isabel e por Nossa Senhora da Conceição. Verseja também sobre dignitários da Igreja. Relata a sua experiência de escrita, a sua participação na Academia Sénior, na Rádio Despertar, bem como sentimentos íntimos como a saudade e a tristeza e de atitudes como a amizade, a solidariedade e o voluntariado. Fala igualmente de outras terras e de personalidades de âmbito nacional.
Fala de Estremoz e dos seus monumentos, bem como de barro e olaria, de bonecos de Estremoz e de arte pastoril. Evoca também figuras locais que lhe são gratas: José de Alter, Joaquim Vermelho, António Simões, José Sena e José Gonzalez.
Confessa que recebeu de braços abertos o 25 de Abril. Canta o Alentejo, fala da gastronomia alentejana e mostra preocupações ambientalistas.
Constantina é fortemente crítica em relação àquilo que considera injustiças. Fala da fome, da pobreza e da emigração dos jovens na procura de melhores condições de vida. Verseja contra os governantes: Desta seguinte forma/ Eu queria-os convidar /Eu dou-lhes a minha reforma/Dão-me o que estão a ganhar/ Queria vê-los governar/ Como me estou governando/Queria vê-los penando/ Por esse mercado fora/ Eu estaria gozando/ Como eles gozam agora. Como corolário disto tudo, faz uma chamada às armas: À luta vamos meu povo/ Ao chão não vai a toalha/ Em força contra a canalha/ Que ameaça de novo/ Que ninguém seja estorvo/ Para as fileiras integrar/ A hora é de lutar/ Ter fé, sentir confiança/ Não os deixaremos passar/ Às armas, com força e esperança.
Fazendo minhas as palavras de Constantina, apetece-me dizer:
- VAMOS A ELES, CONSTANTINA!