Padrão
da medida de Côvado gravada verticalmente no segundo colunelo à
Direita
da porta de entrada da primitiva Casa da Câmara de Estremoz.
Confirmada a descoberta
Entre 28 e 30 de Dezembro passado, houve troca de emails entre mim e o Professou Doutor Mário Jorge Barroca do Instituto de Arqueologia, Departamento de Ciências e Técnicas do Património, Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Aquele Professor certificou a veracidade da descoberta por mim divulgada em artigo publicado no nº 848-3ª série (25-12-2014) do jornal “Brados do Alentejo”, sob a epígrafe:DESCOBERTA ARQUEOLÓGICA / Padrão Medieval de côvado identificado em Estremoz . Disse-me o Docente Universitário que já o tinha identificado e iria adicioná-lo a uma actualização do seu “Inventário das Medidas Medievais Portuguesas”. Referiu ainda que o meu texto, pelo qual me felicitou, iria ser citado naquele Inventário como a primeira publicação que se referiu a esta descoberta.
Remoção da massa vedante do padrão
No artigo anterior sugeri ao Município que fosse removida a argamassa que ainda oculta parcialmente o padrão medieval de côvado. Chamo agora a atenção para o facto de o pedreiro que o fizer, o dever fazer com todo o cuidado, de modo a só remover a massa vedante do sulco, sem o danificar. Por outro lado e é uma observação nova que agora faço, esta argamassa que é de dois tipos, deveria ser recolhida, visando a sua análise pelo Laboratório Hércules da Universidade de Évora. Na verdade, os investigadores que estão a efectuar o estudo material e técnico dos Bonecos de Estremoz, através do estudo das argamassas poderiam balizar a data em que o padrão de côvado foi oculto, anteriormente à fotografia do “SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico”, divulgada no meu artigo anterior e obtida em 1968 no decurso de obras de restauro e onde a ocultação está patente.
A importância da descoberta
Penso que a descoberta é da máxima importância, pelo que após o padrão medieval de côvado ser desobstruído de toda a argamassa e revelado na sua totalidade, deveria ser alvo de divulgação mediática por parte do Município, a qual a meu ver deveria ser de âmbito nacional.
A partir de agora, Estremoz figurará por direito próprio, na rota das medidas-padrão medievais portuguesas. No Alentejo e para além de Estremoz, foram há muito identificadas medidas-padrão nas seguintes localidades e lugares: CASTELO DE VIDE - Porta do Castelo (Vara); MONFORTE – Igreja da Madalena (Meia Braça e Meia Vara); ALANDROAL – Porta do Castelo (Vara); REDONDO – Porta do Sol das Muralhas do Redondo (Vara e Meia Vara); MONSARAZ – Porta da Vila das Muralhas de Monsaraz (Vara e Meia Vara).
Datação provável da ocultação do padrão
As medidas medievais de comprimento (palmo, côvado, meio côvado, vara, meia vara e braça) foram utilizadas em Portugal até ao séc. XIX. O metro, que ainda hoje é usado como unidade de comprimento, faz parte do Sistema Métrico Decimal, que foi adoptado em Portugal por decreto de D. Maria II (1819-1853), de 13 de Dezembro de 1852, o qual estipulava um prazo de dez anos para a sua entrada em vigor. Daí que em 20 de Junho de 1859 tenha sido assinado por D. Pedro V (1837-1861), o decreto pelo qual passa a vigorar o metro como unidade de comprimento a partir da data de 1 de Janeiro de 1860, sendo a partir desta data abolidas e consideradas ilegais todas as medidas medievais de comprimento. A partir desta data a medida-padrão de côvado era desnecessária para a aferição de côvados usados no comércio. Passara a ser apenas um sulco no mármore dum colunelo da primitiva Casa da Câmara. Provavelmente terá sido nesta época que o padrão medieval de côvado terá sido preenchido com argamassa. De resto, no início do séc. XVIII, a Casa da Câmara já havia sido transferida para a Rua Nova da Praça (hoje rua 5 de Outubro), frente à demolida Igreja de Santo André. Na Praça (actual Largo Luís de Camões), realizava-se todos os sábados, um mercado.
No séc. XVIII, Estremoz já não tinha a feira franqueada criada em 1463 por D. Afonso V. Tinha duas feiras francas com a duração de três dias: - A Feira de Santiago com início a 25 de Julho e que tinha lugar no Grande Rossio (actual Rossio Marquês de Pombal); - A Feira de Santo André com início a 30 de Novembro e que decorria no Rossio de São Brás (presentemente Largo D. José I).
Não será despropositado admitir que possam ter existido e que ainda não foram descobertos, padrões medievais de medidas de comprimento, na Praça, no Grande Rossio ou no Rossio de São Brás. É um assunto que carece de investigação.
Padrão da medida de Vara gravada verticalmente na ombreira direita de uma
Porta do Castelo de Castelo de Vide, na face voltada ao exterior.
Padrões das medidas de Meia
Braça e Meia Vara gravadas verticalmente em
coluna do alpendre da
Igreja da Madalena, em Monforte.
Padrão da medida de Vara
gravada verticalmente na ombreira direita da
Porta do Castelo do Alandroal,
na face voltada ao exterior.
Padrão das medidas de Vara
e Meia Vara gravadas verticalmente na ombreira
direita da Porta do Sol das
muralhas do Redondo, na face voltada ao exterior.
Padrão das medidas de Vara
e Meia Vara gravadas verticalmente na ombreira
direita da Porta da Vila
das muralhas de Monsaraz, na face voltada ao interior.






Uma das imagens tem a legenda "Padrão da medida de Vara gravada verticalmente na ombreira direita de uma
ResponderEliminarPorta do Castelo de cabeço de Vide, na face voltada ao exterior", mas o texto fala de "CASTELO DE VIDE - Porta do Castelo (Vara)" ; afinal é Cabeço de Vide ou Castelo de Vide ??
Castelo de Castelo de Vide. Já corrigi. Obrigado.
EliminarVolto ao contacto para perguntar se pode fornecer a digitalização dos três artigos que publicou sobre este assunto no jornal "Brados do Alentejo"; obrigado.
EliminarNo meu blogue, em ESTREMOZ - DEFESA DO PATRIMÓNIO
ResponderEliminarhttps://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2010/04/estremoz-defesa-do-patrimonio.html
estão inventariados 4 artigos centrados nas medidas padrão medievais:
- Côvado à vista! (01-06-2017)
- A importância das medidas padrão medievais (05-02-2015)
- Ainda o padrão medieval de côvado (21-01-2015)
- Descoberta arqueológica em Estremoz (24-12-2014)
Clicando na hiperligação lá existente tem acesso ao texto publicado no blogue. Se está a fazer um trabalho escolar e precisa de fazer citações é só seguir as normas previstas para textos “on line”.
Querendo publicar os meus artigos como anexo ao trabalho, só lhe consigo facultar a cópia digital do mais recente (Côvado à vista! ) que foi publicado no jornal E, pois tenho o pdf do jornal. Para lho enviar, indique-me um email de contacto ou a sua página do Facebook, para onde o poderei enviar via Messenger.
Os 3 restantes artigos foram publicados no jornal Brados do Alentejo, em cuja secretaria não terão dificuldade em lhe facultar a cópia digital dos artigos ou mesmo o pdf dos jornais em que foram publicados, o que terá acontecido em datas muito próximas das acima supra-referidas.
Certo. Pode enviar o PDF com o artigo de 2017 através do facebook. Fui eu que o contactei aqui: https://www.facebook.com/photo?fbid=10202928164236922&set=o.124331758934
EliminarRealmente prefiro citar os artigos de jornal, mas não gosto de citar sem ver.
Obrigado.