segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pontos nos iis

Capa da revista “Pontos nos ii” de 5 de Janeiro de 1888, 

Pontos nos iis

Esta coluna agora iniciada, será trincheira, tribuna e espelho.
Trincheira na defesa da portugalidade, da língua portuguesa, do regionalismo, da tradição, da alma alentejana, da liberdade de pensar e do direito de opinar.
Tribuna de defesa da razão, da justiça, da solidariedade, do amor, da liberdade e da procura de novos caminhos.
Espelho dos nossos estados de alma, das nossas preocupações, das nossas motivações, dos nossos anseios, dos nossos sonhos e dos nossos desejos.
Esta coluna poderá vir a incomodar alguém, mas que fique desde já claro, que esta coluna não é quinta coluna de ninguém.
Não temos inimigos, embora admitamos poder ser inimigos de alguém, de quem não cumprimos os seus desígnios. Apenas cultivamos a amizade, um dos valores mais sagrados, tal como o carácter e o respeito pela palavra dada.
Somos capazes de ser amigos e de dialogar com quem pensa diferente de nós, apenas sob a condição de não nos quererem impor as suas ideias à força e nos deixarem a liberdade de decisão.
Não seguiremos cartilhas, não seremos a voz do dono, nem faremos de papagaios reais. Não somos súbditos de ninguém, nem prestamos vassalagem a ninguém. Temos dificuldade em dobrar a coluna vertebral, já que a nossa mãe nos pariu assim.
Como já dissemos algures, procuraremos que os nossos escritos tenham cabeça própria e mergulhem raízes na nossa identidade cultural, única forma de nos imunizar do contágio da eurocracia de pacotilha.
Seremos também artesãos das palavras, já que não se pode escrever a metro, como quem enche chouriços.
Procuraremos não errar. Por isso mesmo não nos meteremos por caminhos tortuosos e terrenos pantanosos, que não se sabe nunca onde vão desembocar. Trilharemos apenas caminhos seguros, nos quais possamos pisar chão firme. Será a nossa caminhada com os leitores, os quais serão nossos companheiros de estrada. Essa a nossa aposta.