sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Estremoz - Mercado das velharias (2ª edição)

Mercado de sábado. Estremoz, Agosto de 2006. Fotografia de José Cartaxo.


À minha amiga Manuela Mendes:

O mercado das velharias desenrola-se no Rossio Marquês de Pombal, paralelamente ao mercado de criação e já ocupa uma segunda “rua”, visto que uma se tornou insuficiente. A sua origem perde-se nos anos sessenta do século passado e é, sem dúvida, um dos melhores do país. Ali nasceu espontaneamente e cresceu. Por ali aparecem:
- Alfarrabistas que por vezes nos surpreendem com livros do século XVIII ou manuscritos do século XVII, primeiras edições e encadernações em inteira ou meia de pele, gravuras, postais antigos e registos de santo que nos fazem arregalar a vista;
- Antiquários com pratos, louças e vidros antigos, imagens religiosas em madeira, marfim, barro, mármore ou granito, bem como paramentos religiosos, pratas, quadros a óleo, gravuras antigas, registos, arte pastoril e peças da barrística popular de Estremoz ou das Caldas;
- Moedeiros que vendem moedas e notas, antigas e modernas, principalmente de Portugal e Colónias;
- Vendedores de toalhas, bordados e rendas antigas, que estiveram religiosamente guardadas e que sabe-se lá, porque artes mágicas ou fatalidades do destino, acabaram por surgir à luz do dia;
- Ourives com toda a parafernália de jóias em ouro e prata, que vão desde alianças e anéis, a pulseiras, fios e correntes, passando por símbolos de superstição popular como figas, cornichos e signo-saimões;
- Revendedores de recheios de casa, onde é possível encontrar de tudo: mobílias, loiças, vidros, electrodomésticos, quadros, livros e todo o género de bugigangas;
- Ferro-velhos com uma oferta variada, que vai de alfaias agrícolas caídas em desuso até ferramentas, passando pelos mais diversos tipos de ferragens de uso urbano, bem como objectos metálicos variados, em cobre, estanho, zinco, ferro ou latão.
- E há quem ofereça uma gama muito variada de objectos que passa por antiguidades, moedas e notas, gravuras, livros, postais, louças, vidros, etc., etc,
- Nalguns casos a variedade de objectos é de tal modo diversificada, que se torna difícil sistematizá-la.
- Por ali deambulo todos os sábados, qual peregrino que ali vai para homenagear o seu Santo Padroeiro. Bem vistas as coisas, o mercado das velharias é o meu Santiago de Compostela.
Dizem que eu sou um respigador nato, um cão pisteiro, um farejador de coisas velhas. Talvez seja algo de epidérmico, se não mesmo genético. E perante os meus olhos nascem coisas que parece que estavam ali circunspectas, à espera que eu me abeirasse delas e as resgatasse: objectos de arte pastoril, peças da barrística popular estremocense ou livros que me interessam pelos mais fundamentados motivos. Ali comprei recentemente uma "ANTOLOGIA DE FIALHO DE ALMEIDA", organizada por Manuel da Fonseca e com extensa dedicatória autografa, deste último. A minha biblioteca já incorporava outros livros com dedicatórias autógrafas de outros grandes escritores portugueses, nomeadamente alentejanos, como o Conde de Monsaraz ou António Sardinha, mas quanto ao Manuel da Fonseca, o nosso "Manel", estava às escuras.
Quando as minhas mãos nervosas, tactearam o livro descoberto pela cirurgia do meu olhar, senti uma espécie de calafrio na espinha, seguido dum deslumbramento como terão porventura sentido os nossos navegadores, quando aportarem ao novo mundo.
À semelhança do que acontecia com o meu vizinho Sebastião da Gama, que conheci ainda eu era uma criança, sábado é o dia mais belo da semana. Não troco por nada, a ida ao mercado de sábado.
Num dos seus poemas que relembro de memória, o Manel diz: "Domingo que vem vou fazer as coisas mais belas que um homem pode fazer na vida". Pois eu que sou "sabadeiro", digo para mim mesmo: "Sábado que vem vou comprar as coisas mais belas que um homem pode comprar na vida" e de sexta para sábado mal durmo, farto-me da dar voltas na cama, à espera que o dia nasça. Então ergo-me, de súpalo e com toda a adrenalina dos meus sessenta e cinco anos, ai vou eu, respigador nato, cão pisteiro, farejador de coisas velhas, em passo acelerado, a caminho do mercado de sábado, em Estremoz. E quando muito mais tarde, perto da hora de almoço, regresso a casa com o estômago vazio, a minha alma vai cheia. E aguenta-se uma semana, até ao sábado que vem.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pintura de Rui Alves no Centro Cultural de Estremoz

Da esquerda para a direita, Hernâni Matos (presidente da AFA), Rui Alves (Pintor) e José Trindade (Vereador do Pelouro da Cultura da CME).
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“PINTURA DE RUI ALVES” foi a Exposição, que de 31 de Outubro a 5 de Dezembrode 2010, esteve patente ao público, na Sala de Exposições do Centro Cultural de Estremoz.
O certame, da iniciativa da Associação Filatélica Alentejana e que contou com o apoio da Câmara Municipal, foi constituída por trinta e cinco trabalhos de acrílico sobre tela, onde o tema dominante era o Alentejo que viu o artista nascer: gente, casarios e paisagens.
Pintura a espátula saída das mãos de quem também é escultor. Pintura que esculpe casas na paisagem alentejana, memória e saudade dum Alentejo onde nasceu e que tem a ver com o mais profundo do seu ser. Quadros que são a imagem do seu e do nosso Alentejo, filtrado através do seu olhar de artista, a partir do qual faz o registo conjugado dos volumes, das formas, das cores e das texturas, em tudo aquilo que toca a sua e a nossa alma.
Rui Alves nasceu em Estremoz em 1956, tem o Curso de Artes Gráficas da Escola António Arroio e desde 1975 que trabalha em Cinema, Fotografia, Teatro, Publicidade, Adereços, Decoração, Efeitos Especiais e é claro, Pintura e Escultura.
Em 2010 já expusera na Freguesia de São João de Brito (Lisboa), Sociedade Recreativa e Dramática Eborense (Évora), Círculo Experimental de Teatro de Aveiro (Aveiro) e Espaço Nimas (Lisboa).
À “vernissage” compareceram mais de seis dezenas de amigos e admiradores, que assim lhe quiseram testemunhar o elevado apreço em que têm o seu trabalho.
De então para cá, Rui Alves soma e segue.


 Francisca de Matos, recitando Miguel Torga.
António Simões dizendo-se a si próprio.
Um aspecto do público.
 
 CEIFEIRA. Acrilico sobre tela (126 x 126 cm).
 ROSTO. Acrilico sobre tela (50 x 70 cm).
 CASAS. Acrilico sobre tela (71 x 56 cm).
HORIZONTE. Acrilico sobre tela (60 x 80 cm).
MONTE. Acrilico sobre tela (50 x 70 cm).