sábado, 4 de junho de 2011

Estremoz – Mercado das Velharias




À minha amiga Manuela Mendes:

Dizem que eu sou um respigador nato, um cão pisteiro, um farejador de coisas velhas. Talvez seja algo de epidérmico, se não mesmo genético. E perante os meus olhos nascem coisas que parece que estavam ali circunspectas, à espera que eu me abeirasse delas. Ainda há dias foi a 1ª edição da "SUBERICULTURA" (1950) e a nova edição (1942) de "POMARES" do Prof. Vieira Natividade, que ali comprei ao preço da uva mijona.
Para fechar com chave de ouro, essa manhã de sábado, comprei ainda ao preço da dita uva, uma "ANTOLOGIA DE FIALHO DE ALMEIDA", organizada por Manuel da Fonseca e com extensa dedicatória autografa, deste último. A minha biblioteca já incorporava outros livros com dedicatórias autógrafas de outros grandes escritores portugueses, nomeadamente alentejanos, como o Conde de Monsaraz ou António Sardinha, mas quanto ao Manuel da Fonseca, o nosso "Manel", estava às escuras.
Quando as minhas mãos nervosas, tactearam o livro descoberto pela cirurgia do meu olhar, senti uma espécie de calafrio na espinha, seguido dum deslumbramento como terão porventura sentido os nossos navegadores, quando aportarem ao novo mundo.
À semelhança do que acontecia com o meu vizinho Sebastião da Gama, que conheci ainda eu era uma criança, sábado é o dia mais belo da semana. Não troco por nada, a ida ao mercado de sábado.
Num dos seus poemas que relembro de memória, o Manel diz: "Domingo que vem, vou fazer as coisas mais belas que um homem pode fazer na vida". Pois eu, que sou "sabadeiro", digo para mim mesmo: "Sábado que vem vou comprar as coisas mais belas que um homem pode comprar na vida" e de sexta para sábado, mal durmo, farto-me da dar voltas na cama, à espera que o dia nasça. Então ergo-me, de súpalo e com toda a adrenalina dos meus sessenta e cinco anos, aí vou eu, respigador nato, cão pisteiro, farejador de coisas velhas, em passo acelerado, a caminho do mercado de sábado, em Estremoz. E quando muito mais tarde, perto da hora de almoço, regresso a casa com o estômago vazio, a minha alma vai cheia. E aguenta-se uma semana, até ao sábado que vem.
Publicado inicialmente em 4 de Junho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia Mundial da Criança


ASSOBIOS - Bonecos de Estremoz (Séc. XX). Museu Nacional de Etnologia, Lisboa.

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Criança. Não das crianças de ontem, mas das crianças de hoje e com uma aposta forte nas crianças de amanhã.
Ser criança é brincar. A brincadeira é o trabalho da criança. É a brincar que a criança aprende a ser homem e constrói a sua personalidade.
As brincadeiras de hoje não são as brincadeiras de ontem. Não foi por acaso que escolhi apitos de barro de Estremoz, para ilustrar esta crónica. Com um apito destes podíamos imitar um pássaro, um polícia ou um árbitro. Dependia da nossa imaginação momentânea e daquilo que nos desse na real gana. Exercitávamos assim a nossa imaginação criadora e praticávamos o exercício da liberdade.
Outras brincadeiras e jogos eram colectivos: o jogo do botão, do pião, da bola, etc. Com eles, desenvolvíamos a nossa socialização e reforçávamos o espírito colectivo.
Coleccionávamos cromos da História de Portugal, das Raças Humanas, das Bandeiras do Universo, dos Trajes do Mundo. Era a nossa iniciação à leitura e à literatura, a nossa primeira abordagem à História de Portugal, a nossa partida à descoberta do mundo, de outros povos e de outros costumes.
Hoje em muitos casos não é assim. São as consolas, os jogos de vídeo, de computador e de telemóvel. Tudo envolvendo jogos que na sua esmagadora maioria foram concebidos para serem praticados individualmente, visando fomentar o individualismo e para programarem e vincularem os seus praticantes, a estereótipos de egoísmo, do salve-se quem puder, do vale tudo, da violência, do terror e do medo. É isso que interessa à sinistra alta finança mundial, que a nível global, controla os governos de cada país.
Não lhes interessa que haja cidadãos que se possam sentir homens livres, criativos, com carácter, com coragem, amantes da Paz, solidários com o próximo, com respeito pelo colectivo, que reconheçam o valor do esforço, do trabalho e do mérito. Isso para eles é subversivo. Para eles, interessa-lhes que em criança, os cidadãos sejam programados de maneira diferente.
Interessa-lhes cidadãos dóceis, submissos, governados pelo medo, obedientes, egoístas, sem respeito pelo colectivo e que aceitem acefalamente a violência e a guerra.
É preciso que os pais e educadores tenham cada vez mais consciência destes problemas e se empenhem em dar a volta a isto, para que a formação daqueles que serão os homens de amanhã, se possa efectuar sem desvios nem distorções.
Torna-se necessário retomar jogos e brincadeiras antigas, algumas das quais têm milhares de anos e adoptar outras novas, que ajudem a formar homens e mulheres de carácter, livres, verdadeiros, justos e solidários. Essa é uma revolução permanente que temos de tomar nas nossas mãos. É a nossa grande batalha pela cidadania. E havemos de vencer, porque quem não se rende, vence sempre.


Publicado pela 1.ª vez em 1 de Junho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

O sentido da visão: Superstições, Rezas e Benzeduras

Ilustração de Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957) para o livro “Alentejo não tem sombra” de Eduardo Teófilo, Portugália Editora, 1954.

PREÂMBULO
No desenvolvimento do tema “O sentido da visão”, efectuámos até à presente data edição dos posts:
Chegou agora a altura de editar o post:
- O Sentido da visão: Superstições, Rezas e Benzeduras
Comecemos pelos:
OLHOS E SUAS DOENÇAS
Existem inúmeras superstições populares ligadas aos olhos:
- Quando um lobo avista alguém, antes de ser por ela visto, a pessoa perde a fala. [4]
- Passar pelos olhos um ovo quente, acabado de pôr, tem a virtude de aclarar a vista. [4]
- Olhar-se a um espelho, tendo a cara inflamada, agrava a inflamação. [5]
- Ao encontrar-se um ninho de andorinha, devem cegar-se os filhos, pois a andorinha vai buscar uma pedrinha que tem a virtude de lhes restituir a vista e que por isso deixa ficar no ninho. Subtrai-se então a pedra do ninho e não há doença de olhos que resista à sua influência benéfica. [4]
- Nascem treçolhos nos olhos de qualquer pessoa a quem uma mulher grávida peça uma coisa e não lha dê. [4]
- Para talhar o terçolho, acende-se uma fogueira numa casa que tenha duas portas. Quem tem o terçolho, entra a correr por uma porta e salta três vezes a pés juntos por cima da fogueira, gritando: “Aqui-del-rei! Fogo em casa do terçogo!” Depois sai pela outra porta, gritando o mesmo. [5]
- Um afogado começa a deitar sangue pelos olhos e pelo nariz, quando se lhe chega ao pé, um parente próximo ou remoto. [4]
- Quando um finado fica de olhos abertos, é sinal que está chamando por alguém da família. [4]
- Ver-se de noite sem luz, é ver o Diabo. [4]
- Não se deve ter uma luz acesa, numa casa sem ninguém, porque está a alumiar o Diabo. [5]
As doenças de olhos eram tratadas pelo povo com mezinhas caseiras, que não iam além da simples lavagem com água de rosas ou água de malvas. As doenças mais correntes eram:
- BOLIDAS - Manchas esbranquiçadas que apareciam na íris.
- CABRITA – Mancha de sangue no branco do olho.
- FARPÃO - Borbulha inflamatória na córnea.
- REXA – Úlcera traumática da córnea, adquirida normalmente na ceifa ou no varejo da azeitona.
- TERÇOLHO - Pequeno tumor no bordo das pálpebras.
Para a remoção de corpos estranhos dos olhos, recorria-se às chamadas pedras alguereras, ou d'alguêro, vendidas em feiras e mercados e que ao serem introduzidas nos olhos originavam produção abundante de lágrimas,as quais expulsavam qualquer corpo estranho à vista.
Para além das mezinhas, as doenças de olhos eram tratadas com benzeduras. Uma reza usada na benzedura dos olhos, diz assim:


“Em lavor de Santa Luzia
Esta vista venho benzer:
De prego, de farpa e farpão.
De cabra (?), de cabrito (?), de rôxidâo,
De vermelhidão e d'enflamação,
De bicha e de bichão!...
Ê te corto e te torno a cortar,
Rabo, cabeça e raízes do coração
P'ra que te seques e te mirres
Em lavor de Santa Luzia,
Padre-Nosso... Avém-Maria.” [6]


Mas há outras rezas empregues na benzedura de olhos, como esta:


“A mão de Deus e a da Virja Maria vá adiente da minha
P'ra qu'apagu'estas rechas, estes farpões,
Estes carnazões, estes cravos, estes pregos,
Estas bolidas, êste mal d'olhos...
Em louvor de Deus e da Virgem Maria,
Padre-Nosso… Avém-Maria.” [6]


Durante a benzedura, a benzedeira segura numa mão um objecto cortante (faca, navalha ou canivete) e na outra, um bocado de pau de loendro no qual corta, quando as palavras do ensalmo o declaram, ao mesmo tempo que aproxima dos olhos do paciente, o objecto cortante e o pedaço de loendro.
A benzedura é efectuada durante cinco, sete ou nove dias, findos os quais, a doença deve estar debelada. Faz-se então, o seguinte ofertamento: — “Ofereço estas santas benzeduras à Senhora Santa Luzia que livrou este olho do arpão, cravo e récha. Em nome de Deus Padre, de Deus Filho, de Deus 'Sprito Santo e de Santa Luzia. Padre Nosso e Avém-Maria”. [6]
Vejamos ainda mais uma reza utilizada na benzedura dos olhos:


“Eu te benzo... (nome da pessoa)
rexa, cabrita, farpão.
Santa Luzia por aqui passou,
com o seu manto borrifou;
assim tu te aches como ela se achou.
Em nome de Deus e da Virgem Maria
Pai-Nosso e Ave-Maria.” [1]


Reza-se nove vezes e ao fim de cada uma delas, a benzedeira e o paciente rezam um Padre Nosso e uma Ave Maria, oferecidos a Santa Luzia.
Existe uma reza expecífica, usada na benzedura do farpão. Uma das suas muitas variantes diz o seguinte:


Diz a benzedeira:
- “Jesus, santo nome de Jesus,
onde está o santo nome de Jesus,
não está mal nenhum“
Continua a benzedeira:
“ Eu te corto.”
Responde o doente:
“- Farpão. “
Continua a benzedeira:
“- Eu t’o corto da cabeça,
eu t’o corto dos braços,
eu t’o corto das pernas,
para que não possas reinar.
Aqui te hás-de secar,
aqui te hás-de mirrar,
daqui não hás-de passar.
Hei-de te mandar deitar
para lá das águas do mar,
onde não ouças galinhas nem galos cantar,
nem filhos bradar.
Em louvor de Deus e de Maria,
Padre-Nosso e Ave-Maria.” [3]


Enquanto são pronunciadas aquelas palavras, a benzedeira passa por cima do farpão um anel de ouro ou um dente de alho. A benzedura é feita nove vezes e ao fim de cada uma delas, a benzedeira e o paciente rezam um Padre Nosso e uma Ave Maria, oferecidos a Santa Luzia e à sagrada Morte e Paixão de Cristo.


OLHOS DE SANTA LUZIA
Como se sabe o povo é superticioso e por tradição popular era dado ao uso de amuletos. Um deles, conhecido por “Olhos de Santa Luzia”, em prata, era usado num fio ao pescoço, para prevenir as doenças de olhos, assim como ofertados à Santa, em cumprimento de promessa por graça recebida. De resto, os devotos rezavam uma “Oração a Santa Luzia”:


Ó Santa Luzia
Que saras dos olhos
Livrai-nos d’escolhos
De nout’ e de dia.


Ó Santa Luzia
Bendita sejais,
Por seres bendita,
No Céu descansais.” [6]


MAU-OLHADO
O mau-olhado é uma faculdade atribuída a certos indivíduos de trazerem desgraça àqueles para quem olham. O povo ainda hoje crê que o chamado mau-olhado pode ser comunicado a outrem, por quem tem o poder de o fazer, por querer ou mesmo sem querer. Crê ainda que o mau-olhado tanto se pode manifestar em pessoas como em animais, sob a forma de doenças como o quebranto ou então estar na origem de desastres, perdas materiais ou outros malefícios.
São correntes superstições populares relativas ao mau-olhado:
- Por causa do mau-olhado, é bom trincar um alho em jejum. [4]
- Para livrar das bruxas ou do mau-olhado, é bom pôr uma ferradura na porta. [5]
Para talhar o mau-olhado, a benzedeira tem de verificar primeiro se a doença do paciente tem ou não origem em mau-olhado. Para tal, deita um fio de azeite num pires, molha nele três dedos e deixa cair três pingos na água contida numa bacia. Se as pingas se juntarem, é mau-olhado que o paciente tem. Se não se juntarem não é. Em seguida, torna a molhar os dedos no azeite e faz sobre as pingas que estão na água o sinal da cruz, ao mesmo tempo que pronuncia as palavras rituais da reza:


“Fulano (Nome da pessoa) Deus te fez,
Deus te criou,
Deus te tire o mal
Que no teu corpo entrou.” [2]


Eis uma das muitas rezas usadas na benzedura do mau-olhado:


Começa a benzedeira:
- “Jesus, santo nome de Jesus,
onde está o santo nome de Jesus,
não está mal nenhum“
Diz depois a benzedeira:
“- Eu te benzo, criatura, do mau-olhado.
Se for na cabeça, em nome da Senhora da Cabeça,
se for nos olhos, em nome de Santa Luzia,
se for na cara, em nome de Santa Clara,
se for nos braços, em louvor de S. Marcos,
se for nas costas, em louvor da Senhora das Verónicas,
e se for no corpo, em louvou do meu Senhor Jesus Cristo
que tem o poder todo.
Santa Ana pariu a Virgem
e a Virgem pariu o meu Senhor Jesus Cristo
assim como isto é verdade
assim seja este olhado daqui tirado 
e para as ondas do mar deitado,
Onde não ouça galo nem galinha cantar
Em louvor de Deus e de Maria,
Padre-Nosso e Ave-Maria.” [3]


Esta benzedura é feita nove vezes e ao fim de cada uma delas, a benzedeira que segura um rosário na mão e o paciente, rezam uma Salve Rainha oferecidas a Nossa Senhora.


QUEBRANTO
Para o povo, o quebranto é causado pelo mau-olhado e tem sintomas próprios: bocejos, mal-estar, dores no corpo, náuseas, arrepios, debilidade, definhamento.
São vulgares as superstições populares relativas ao quebranto:
- Para livrar de quebranto, é bom pregar uma ferradura nas portas das casas, pela parte de fora. [4]
- As crianças pequenas podem ser protegidas do quebranto, pondo-lhes ao pescoço um cordão de seda preta onde estejam enfiados um signo saimão, três vinténs em prata furados, uma argola, um dente de lobo, uma meia-lua e uma figa. [4]
- Para se tratar uma criança de quebranto, juntam-se quatro pedaços de chita, quatro de algodão, quatro de sapatos velhos, quatro de pato-do-mar, quatro ramos de aroeira, quatro de rosmaninho, quatro de alecrim, deita-se tudo no lume e passa-se a criança doente pelo fumo. [5]
Para saber se um paciente tem ou não quebranto, a benzedeira começa por proferir cinco vezes seguidas, as palavras cerimoniais da seguinte reza:


“Fulano (Nome da pessoa),
Deus te remiu, Deus te criou,
Deus te livre de quem para ti mal olhou!
Deus te livre deste cobranto:
Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo! [7]


Seguidamente, a benzedeira verte cinco pingas de azeite num prato com água pura. Se é quebranto, as pingas espalham-se. Se não é, juntam-se. E sendo quebranto, existe a crença de que a pessoa começa desde logo a melhorar.
Apresentamos de seguida uma reza usada na benzedura do quebranto, de sol e de lua. Diz a benzedeira:


“ Fulano (nome das pessoa) dois olhos te olharam mal,
Três te hão-de olhar bem,
Em nome de Deus Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amem
Quando Nossa Senhora pelo Mundo andou,
Com Santa Margarida se encontrou,
E lhe perguntou:
— Onde vais. Margarida?
— Eu à Vossa busca ia.
Tenho um filho doente
De sol e de lua e de fito morria.
Com que o curarei eu, Senhora?
— Com a cinza do lar
O Mundo será salvo.
A lua por aqui passou
E a cor de Fulano levou,
E a dela deixou.
Ela há-de tornar a passar,
A cor de Fulano há-de deixar,
E a dela há-de levar
Para as ondas do mar
Onde não oiça
Nem galos nem galinhas cantar,
Nem mãe por seu filho bradar.” [2]


No final, benzedeira e paciente rezam um Pai Nosso e uma Ave Maria que oferecem a Nossa Senhora e à Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
EPÍLOGO
A medicina popular, misto de empirismo e crenças arcaicas, indepedentemente dos seus resultados práticos, é merecedora de todo o nosso respeito, não só pela riqueza da sua literatura oral, como pelo papel que desempenhou na formação das identidades culturais regionais.
E com este post damos por terminada a abordagem efectuada ao sentido da visão, através dos múltiplos domínios da nossa literatura oral. Fazemos votos para que esta nossa incursão tenha sido do agrado dos leitores.
BIBLIOGRAFIA
[1] – ALVES, Aníbal Falcato. Rezas e Benzeduras. Campo das Letras. Porto, 1998.
[2] – DELGADO, Manuel Joaquim. A Etnografia e o Folclore do Baixo Alentejo. Separata da Revista “Ocidente”. Lisboa, 1956.
[3] – OLIVEIRA, Ataíde de. “Therapeutica Mystica-Bendeduras”, A Tradição: revista mensal d’Ethnografia Portuguesa. Série I, Anno I, nº9. Serpa, Setembro de 1899,
[4] - CONSIGLIERI PEDROSO, “Supertições Populares”, O Positivismo: revista de Filosofia, Vol. III. Porto, 1881.
[5] - CONSIGLIERI PEDROSO, “Supertições Populares”, O Positivismo: revista de Filosofia, Vol. IV Porto, 1882.
[6] – ROQUE, Joaquim. Rezas e Benzeduras Populares. Minerva Comercial. Beja, 1946.
[7] – LEITE DE VASCONCELLOS, J. Etnografia Portuguesa, Vol. X. Imprensa Nacional-Casa da moeda. Lisboa, 1988.
Hernâni Matos
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