sábado, 4 de julho de 2026
Rainha Santa Isabel, Padroeira de Estremoz
quinta-feira, 2 de julho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 4 - SOLISTAS
4 -
SOLISTAS
Os
solistas são músicos que executam uma peça musical ou parte dela,
sozinhos ou em destaque num grupo musical. No figurado de Estremoz podem-se
considerar solistas os Tocadores de Harmónio, dos quais figuram na
colecção, 19 exemplares manufacturados por Mariano da Conceição (1), Sabina
Santos (4), Liberdade da Conceição (2), José Moreira (4), Fátima Estróia (1), Irmãs
Flores (1), Mário Lagartinho (1), Maria Luísa da Conceição (2), Quirina Marmelo
(1), Duarte Catela (1) e Ricardo Fonseca (1). O exemplar deste último barrista
é acompanhado dum desenho onde o barrista nos mostra as sucessivas fases de
execução do seu Boneco.
Para
além dos Tocadores de Harmónio, a colecção apresenta 6 outros solistas como Trovador
(Irmãs Flores), duas figuras diferentes de Preto Guitarrista (Irmãs
Flores), Figura de Entrudo com Pandeireta (Irmãs Flores), Tocador de
Gaita de Foles (José Moreira) e Tocador de Guitarra (José
Moreira).
quarta-feira, 1 de julho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.4 – Dia de Sortes
3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS
3-4. - Dia de Sortes (Carlos
Alberto Alves)
No decurso da guerra colonial
(1961-1974), os jovens eram convocados para as “Inspecções” aos 18/19 anos.
Tratava-se da inspecção militar, que consistia em provas físicas e médicas,
visando determinar se os mancebos estavam ou não aptos para serem incorporados
no Serviço Militar Obrigatório.
Os apurados nas inspecções
eram incorporados no ano em que cumpriam o 20.º aniversário e o tempo de
"tropa" podia chegar a quatro anos ou mais.
O “Dia das Inspecções” era na
gíria popular conhecido por “Dia de Sortes”, designação devida ao facto de ser
nesse dia que cada mancebo inspeccionado ficava a saber qual a “sorte” que lhe
tinha cabido na inspecção militar: apurado, livre ou adiado. A cada sorte
estava associada simbolicamente uma fita colorida, de acordo com a seguinte
convenção: APURADO=VERDE, LIVRE=VERMELHO, ADIADO=BRANCO.
À saída das inspecções cada
jovem identificava-se com a “sorte” que lhe tinha cabido. Para tal exibia a
correspondente fita colorida, pregada no peito, no boné ou no chapéu. À sua
espera um tocador de harmónio contratado que os acompanhava pelas ruas da cidade,
enquanto cada um deles tocava a sua própria pandeireta. Era um modo simples e
tradicional de partilhar com a comunidade, o conhecimento da “sorte” que lhe
tinha cabido. Era de certo modo, um ritual de puberdade que se extinguiu tal
como o Serviço Militar Obrigatório.
O “Dia de Sortes” foi
perpetuado no figurado de Estremoz pelo barrista Carlos Alberto Alves, que para
o efeito criou um grupo alegórico constituído por um tocador de harmónio e 3
tocadores de pandeireta com “sortes” diferentes uns dos outros: um “apurado”,
um “livre” e outro “adiado”.
terça-feira, 30 de junho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.3 – Cante Alentejano
3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS
3-3. - Cante Alentejano (Ana
Bossa)
A identidade cultural do povo alentejano tem a ver com o Cante Alentejano, que de acordo com a tese litúrgica do padre António Marvão teve origem em escolas de canto popular fundadas em Serpa, por monges paulistas do Convento da Serra d’Ossa, os quais tinham formação em canto polifónico.
O Cante Alentejano foi proclamado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2014.
A barrista Ana Bossa que
nos anos 90 do séc. XX, frequentou o atelier das irmãs Flores, perpetuou no
barro um Grupo de 9 cantadores como expressão do Cante Alentejano.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.2 – Música Popular Alentejana
3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS
3-2. Música Popular Alentejana (Carlos Alberto Alves)
Os executantes e
os instrumentos musicais populares alentejanos são parte integrante da
identidade cultural alentejana, a qual urge preservar e valorizar enquanto
memória do povo.
Etno-musicólogos
como Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça calcorrearam os campos do
Alentejo nos anos 60 do século passado e efectuaram o registo etno-musical da
região.
Conhecedor deste
registo e daqueles que nele participaram, entre eles o seu tio Aníbal Falcato
Alves, o barrista Carlos Alberto Alves, no mais estrito respeito pela técnica
de produção e pela estética do Boneco de Estremoz, criou um conjunto de figuras
sob a epígrafe “MÚSICA POPULAR ALENTEJANA”, o qual incorpora os tocadores dos
seguintes instrumentos musicais populares alentejanos: adufe, pandeireta,
bombo, tambor, ronca, cana rachada, cântaro, udu, ferrinhos, reque-reque,
tamboril, trancanholas, castanholas, chocalho, guizos, flauta, viola campaniça
e harmónio, num total de 18. Com esta criação procura homenagear todos aqueles
que contribuíram para o registo etno-musical do Alentejo.
domingo, 28 de junho de 2026
A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.1 - Bandas Filarmónicas

3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS
3.1 - Banda
Filarmónica (Jorge Carrapiço e outros)
No
concelho de Estremoz existem 3 Bandas de Música: Sociedade Filarmónica
Luzitana, Sociedade Filarmónica Veirense e Sociedade Filarmónica Artística
Estremocense, que actuam em eventos religiosos (procissões, missas, funerais e
romarias) e eventos civis (concertos, desfiles, festas e touradas).
Um dos
eventos religiosos em que as Bandas participam é a Procissão do Senhor Jesus
dos Passos, perpetuada no barro por Mariano da Conceição nos anos 40 de séc.
XX. Nela o barrista incluiu uma Banda de Música. De então para cá, os barristas
de Estremoz, cada um deles com o seu estilo muito próprio, têm modelado Bandas
de Música, nas quais é variável o número e o tamanho dos executantes, o tipo de
instrumentos usado, bem como o figurino e as cores do fardamento.
Em geral,
as Bandas produzidas pelos nossos barristas e cuja beleza não está em causa,
foram modeladas de um modo ingénuo que já vem detrás e também ao sabor do
momento. Só assim se explica que algumas dessas Bandas possam não apresentar
instrumentos que são fundamentais e incluam outros que pouco sentido fazem numa
Banda (ferrinhos, maracas, pandeiretas), bem como instrumentos cuja definição
não permite saber o que são.
A
presente colecção integra uma Banda de Música de José Moreira (12 figuras) e
outra de Quirina Marmelo (10 figuras), as quais apresentam algumas das
características acima referidas, o que me levou a desejar possuir uma Banda de
Música que traduzisse no barro com naturalismo, todo o contexto que lhe está
associado.
A banda
viria a ser executada pelo barrista Jorge Carrapiço, bisneto de Ana das Peles,
músico e executante de trombone na Sociedade Filarmónica Artística Estremocense.
Na execução da Banda foi fundamental a consultadoria do Maestro Mário Tiago da
Sociedade Filarmónica Artística Estremocense, que definiu o número de
executantes de cada instrumento, bem como a sua posição dentro do conjunto,
como se tratasse de uma Banda real. Os instrumentos que a integram pertencem a
diferentes categorias: PERCUSSÃO [caixa (2), bombo (1), pratos (1)], METAIS
[tuba (1), trombone (1), contrabaixo (1), bombardino (1), trompa (1), trompete
(2)], PALHETAS [clarinete (4), sax alto (1), sax barítono (1), sax tenor (1)] e
FLAUTAS [flauta (2)]. Ao todo são 22 figuras, número que inclui o Maestro e o
Porta-estandarte. O barrista-músico Jorge Carrapiço empenhou-se de alma e
coração na criação daquela que passará agora a ser a sua Banda de Música. À
simplicidade na modelação das figuras, Jorge Carrapiço acrescentou a definição
de todos os instrumentos musicais, à maneira de uma Banda real, sem que cada
figura perdesse o seu cunho verdadeiramente popular. Tudo faz sentido na Banda
de Música de Jorge Carrapiço, a começar pelos instrumentos musicais que ali
estão porque ali não podiam faltar e que estão onde deviam estar.
A Banda
de Música de Jorge Carrapiço passa a partir de agora e por direito próprio a
integrar a História dos Bonecos de Estremoz, visto que com ela ocorreu uma
mudança de paradigma, facto que aqui atesto e registo para memória futura.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
O cabeça de moringue de Luís Santos
Um olhar cirúrgico que num ápice identifica os traços identitários do visado e através das redes neuronais, os transmite instantânea e pantograficamente às suas mãos mágicas, as quais através duma multiplicidade de actos escultóricos, registam no barro aquilo que o seu olhar decifrou.
As caricaturas de barro de Luís
Santos são uma ínfima parte do potencial artístico que Luís Santos encerra em
si e que lhe brota à flor das mãos, sempre que afeiçoa o barro, qual Deus
bíblico do Genesis.
Desta feita, este moringue
antropomórfico retrata nada mais nada menos, este cabeça de moringue que sou
eu, alentejano dos barros de Estremoz, guardador de memórias, entre elas as
guardadas no barro, muito em especial de Bonecos e Olaria de Estremoz, bem como
louça vidrada de Redondo.
Obrigado Luís, por me ter
recriado com esta sua recreação, a partir de hoje a socializar com os mais
belos exemplares do meu acervo e com um lugar muito especial no meu coração.
Bem-haja, Luís.














