quarta-feira, 1 de julho de 2026

A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / 3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS / 3.4 – Dia de Sortes

 

Dia de Sortes (Carlos Alberto Alves)


3 - BANDAS E OUTROS CONJUNTOS

3-4. - Dia de Sortes (Carlos Alberto Alves)

No decurso da guerra colonial (1961-1974), os jovens eram convocados para as “Inspecções” aos 18/19 anos. Tratava-se da inspecção militar, que consistia em provas físicas e médicas, visando determinar se os mancebos estavam ou não aptos para serem incorporados no Serviço Militar Obrigatório.

Os apurados nas inspecções eram incorporados no ano em que cumpriam o 20.º aniversário e o tempo de "tropa" podia chegar a quatro anos ou mais.

O “Dia das Inspecções” era na gíria popular conhecido por “Dia de Sortes”, designação devida ao facto de ser nesse dia que cada mancebo inspeccionado ficava a saber qual a “sorte” que lhe tinha cabido na inspecção militar: apurado, livre ou adiado. A cada sorte estava associada simbolicamente uma fita colorida, de acordo com a seguinte convenção: APURADO=VERDE, LIVRE=VERMELHO, ADIADO=BRANCO.

À saída das inspecções cada jovem identificava-se com a “sorte” que lhe tinha cabido. Para tal exibia a correspondente fita colorida, pregada no peito, no boné ou no chapéu. À sua espera um tocador de harmónio contratado que os acompanhava pelas ruas da cidade, enquanto cada um deles tocava a sua própria pandeireta. Era um modo simples e tradicional de partilhar com a comunidade, o conhecimento da “sorte” que lhe tinha cabido. Era de certo modo, um ritual de puberdade que se extinguiu tal como o Serviço Militar Obrigatório.

O Dia de Sortes” foi perpetuado no figurado de Estremoz pelo barrista Carlos Alberto Alves, que para o efeito criou um grupo alegórico constituído por um tocador de harmónio e 3 tocadores de pandeireta com “sortes” diferentes uns dos outros: um “apurado”, um “livre” e outro “adiado”.

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