terça-feira, 23 de junho de 2026

Adagiário do Verão


Verão. Gravura de Paul van Somer II (activo ca.1670 – 1714).

O Verão, estação caracterizada por elevadas temperaturas, decorre de cerca de 21 de Junho até por volta de 23 de Setembro. O adagiário de Verão é assim o somatório dos adágios de Junho, Julho, Agosto e Setembro, que já foram inventariados nos respectivos meses. Daí que aqui só se apresentem aqueles em que figura explicitamente a palavra Verão:
- A água com que no Verão se há-de regar, em Abril há-de ficar.
- A água que no Verão há-de regar, de Abril e Maio há-de ficar.
- A burra de vilão, mula é no Verão.
- A formiga faz as suas provisões no Verão, ajunta no tempo de ceifa o seu alimento.
- A Inverno chuvoso Verão abundoso.
- Ande por onde andar o Verão, chega sempre pelo S. João;
- Ande por onde andar o Verão, há-de vir no S. João.
- Março, marçagão, de manhã Inverno, à tarde Verão.
- Março, marçagão, manhãs de Inverno e tardes de Verão.
- Nem no Inverno sem capa, nem no Verão sem cabaça.
Nem o Inverno sem capa, nem o Verão sem cabaça.
- No Verão acabam as ceias e começam os serões.
- No Verão ardem os montes e secam as fontes.
- No Verão o sol dá paixão.
- O Verão colhe e o Inverno come.
- Orelha de homem, nariz de mulher e focinho de cão, nunca viram o Verão.
- Outubro suão, negaças de Verão.
- Pão de hoje, carne de ontem, vinho do outro Verão, fazem um homem são.
- Quem no Verão colhe, no Inverno come.
- Sol nascente desfigurado, No Inverno, frio, no Verão, molhado.
- Uma (só) andorinha não faz o Verão.

Hernâni Matos
Publicado inicialmente a 23 de Julho de 2018

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Começou o Verão


Verão" ou "A Ceifa", aguarela de Dordio Gomes (1890-1976).

Em 21 de Junho ou próximo a este dia, o Sol atinge o ponto mais ao norte na sua trajectória pelo céu. É o solstício de Verão, momento em que o Sol, no seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. A duração do dia é então a mais longa do ano.
No Hemisfério Norte o solstício de Verão ocorre cerca do dia 21 de Junho e o solstício de Inverno por volta do dia 21 de Dezembro. Estas datas marcam, respectivamente o início do Verão e do Inverno no Hemisfério Norte. O dia e hora exactos variam de um ano para outro.
Tal como no solstício de Verão a duração do dia é a mais longa do ano, também no solstício de Inverno, a duração da noite é a mais longa do ano.
No Hemisfério Sul, o fenómeno é simétrico: o solstício de Verão ocorre em Dezembro e o solstício de Inverno ocorre em Junho. Os momentos exactos dos solstícios, que assinalam também as mudanças de estação, são determinados mediante cálculos astronómicos.

Hernâni Matos
Publicado inicialmente a 20 de Junho de 2012

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Artes do Vagar e Mestres do Saber-fazer / 1 – MANUEL ANTÓNIO CAPELINS

 

Manuel António Capelins (1924-1974)

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS:
Armando Alves (Manuel António Capelins)
Flórido de Vasconcelos (peças).

Entre 15 e 17 de Julho de 1983 teve lugar em Estremoz, no Rossio Marquês de Pombal, frente aos cafés, a I Feira de Arte Popular e Artesanato do concelho de Estremoz. Com ela ocorreu uma mudança de paradigma. Artesãos e artes tradicionais mais ou menos esquecidas ou ignoradas, “vêem a luz da ribalta” e adquirem como que uma “carta de cidadania”, de tal maneira que aquela Feira constituiu, “o alfa e o ómega” da divulgação do saber-fazer dos nossos artesãos.    

Naquela Feira descobri artesãos que corresponderam à minha sensibilidade, ao meu gosto pessoal e que me aqueceram a alma, levando-me a adquirir trabalhos seus ao longo dos anos.

Foi com base na minha colecção de Arte Pastoril e de Arte Conventual, que a convite do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Pena Sadio, concebi a exposição ARTES DO VAGAR, integrada nas Comemorações do Centenário da Elevação à Categoria de Cidade. A mesma foi inaugurada no passado dia 16 de Maio, na sala de exposições temporárias do Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho e ali estará patente ao público até ao próximo dia 6 de Setembro.

O certame é integrado por 123 trabalhos de artesãos naturais do concelho de Estremoz ou que aqui se fixaram e que aqui produziram, os quais na sua esmagadora maioria participaram em várias edições da saudosa Feira iniciada em 1983 no Rossio Marquês de Pombal. 

Uma visita à exposição permite de imediato concluir estar-se em presença da “nata” de artesãos do vagar, pelo que importa enquadrar a obra de cada um deles no contexto do respectivo perfil biográfico. É o que passo a fazer a partir de hoje e durante 9 números nas páginas deste jornal.  

1 - MANUEL ANTÓNIO CAPELINS (1924-1974)

Natural de Santo António de Capelins (Alandroal). Cedo começou a trabalhar como pastor e na calma da paisagem as suas mãos habilidosas aprenderam a esculpir e a rendilhar a madeira e o chifre. Porém, nas pedreiras pagavam melhor e ele tinha mulher e dois filhos. Tornou-se então trabalhador das pedreiras, abandonou a pastorícia e com ela a arte pastoril. Todavia, as coisas não ficaram por aqui. Alguém que conhecera o virtuosismo das suas mãos e a grandeza da sua alma de artista popular, consegue-o subtrair à dureza do trabalho das pedreiras, levando-o a dedicar-se exclusivamente à arte pastoril, o que passou a fazer na sua casa, situada então na aldeia de São Gregório (Rio de Moinhos).

Os materiais utilizados foram cabaças, chifre e madeira: laranjeira, buxo, figueira, aloendro e raiz de oliveira. Serviu-se de utensílios como navalha, goiva de vareta e compasso. A decoração muito rica era variada e de natureza geométrica, fitomórfica, zoomórfica e antropomórfica de inspiração regional. Executou trabalhos como cabaças lavradas, cornas azeitoneiras, cornas azeiteiras, polvorinhos, pulseiras, cáguedas, chavões, colheres, colheres de pastor, talheres, canudos de ceifa, canudos de soprar o lume, tabaqueiras, caixas de segredo, esculturas em madeira, jogos de xadrez e quadros.

Participou em feiras como: Mercado da Primavera em Belém, Feira de Artesanato do Estoril e Feira Nacional da Agricultura em Santarém. Está representado nas colecções do Museu Nacional de Etnologia em Lisboa e no Museu do Artesanato em Évora.

Em Maio de 1963, o pintor Armando Alves organizou uma exposição de trabalhos seus na Escola Superior de Belas Artes do Porto, para a qual foi editado um catálogo com prefácio do Professor J. M. Pereira de Oliveira. O poeta Eugénio de Andrade dedicou-lhe em 1964 o texto “E o pastor, de Alentejo era…”, que veio a ser inserido no livro OS AFLUENTES DO SILÊNCIO (1968).

Em 1964 passou a residir no Monte Novo da Palma, na Fonte do Imperador, em Estremoz. Os seus trabalhos passam mais tarde a ser comercializados na Livraria e Papelaria Aníbal, nesta cidade.

A exposição de Manuel António Capelins na Sociedade Nacional de Belas Artes seria ainda objecto do apreço do historiador de arte Flórido de Vasconcelos, que publicou o texto “Notas de Arte Popular Alentejana“ no nº 21, de Março de 1967 da revista PANORAMA.

Após o falecimento de Manuel António Capelins em 1974, o seu legado artístico foi continuado pela filha Teresa Serol Gomes (1952-1988) e pelo filho Miguel Serol Gomes (1957-  ), cujos perfis biográficos integram igualmente o presente trabalho.

Hernâni Matos  












Publicado no jornal E nº 382, de 19 de Junho de 2026






domingo, 14 de junho de 2026

𝐄𝐒𝐓𝐑𝐄𝐌𝐎𝐙 𝐍𝐎 𝐏𝐑𝐄́𝐌𝐈𝐎 𝐂𝐈𝐍𝐂𝐎 𝐄𝐒𝐓𝐑𝐄𝐋𝐀𝐒 𝐑𝐄𝐆𝐈𝐎̃𝐄𝐒 𝟐𝟎𝟐𝟔 - 𝐄𝐒𝐓𝐑𝐄𝐋𝐀𝐒 𝐍𝐎 𝐀𝐓𝐋𝐀̂𝐍𝐓𝐈𝐂𝐎

 



Transcrito com a devida vénia do
Facebook do Município de Estremoz,
de 13 de Junho de 2026

 

Decorreu, no dia 11 de junho de 2026, na ilha de S. Miguel, nos Açores, no Concelho da Ribeira Grande, a cerimónia da entrega dos Prémios Cinco Estrelas Regiões 2026.

Estremoz foi 𝐯𝐞𝐧𝐜𝐞𝐝𝐨𝐫 nas categorias de 𝐢́𝐜𝐨𝐧𝐞𝐬 𝟓 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐞𝐥𝐚𝐬:

Feiras, Festas e Romarias com a FIAPE - Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz; Cozinha Tradicional com a Maior Sopa de Tomate do Mundo, em Évora Monte e nas Aldeias e Vilas com Évora Monte.

Este ano, houve a novidade da distinção do 𝐌𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐓𝐫𝐚𝐝𝐢𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐒𝐚́𝐛𝐚𝐝𝐨, enquanto 𝐦𝐚𝐫𝐜𝐚 𝟓 𝐞𝐬𝐭𝐫𝐞𝐥𝐚𝐬, na categoria de Feiras e Mercados.

Estes reconhecimentos reforçam a identidade, a autenticidade e a excelência do nosso concelho, valorizando o que de melhor temos para oferecer a quem nos visita e a quem aqui vive. São distinções que resultam do trabalho, dedicação e orgulho da nossa comunidade, preservando tradições e promovendo o território.

Estremoz continua a afirma-se como um destino de referência, onde a cultura, a gastronomia e as tradições continuam a brilhar.


Hernâni Matos









quarta-feira, 10 de junho de 2026

Hernâni Matos e os Bonecos de Estremoz


Hernâni Matos


Alentejano dos barros de Estremoz, onde nasceu em 1946. Professor e guardador de memórias, entre elas as guardadas no barro. Reconhecido como recolector e investigador da Cultura Popular Alentejana, muito em especial de Bonecos e Olaria de Estremoz, Arte Pastoril, Arte Conventual e Cerâmica Vidrada de Redondo.

Coleccionador de Bonecos de Estremoz há mais de 50 anos, tornou-se investigador da Barrística Popular Estremocense, tendo desde os primórdios deste século, dando um forte contributo para o aprofundamento e consolidação da sua História.

Teve um papel entusiasta na promoção do Figurado em Barro de Estremoz, especialmente no contexto da sua elevação a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2017. Nesse sentido, entre 2014 e 2017, durante 70 números, manteve no jornal regionalista Brados do Alentejo, uma secção dedicada aos Bonecos de Estremoz.

Após a proclamação dos Bonecos de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade, centrou a sua actividade como publicista, divulgador e investigador da Barrística Popular Estremocense, no jornal E de Estremoz, onde desde a primeira hora é colaborador.

Desde Fevereiro de 2010 que mantém o blogue “DO TEMPO DA OUTRA SENHORA”, dedicado à Cultura Portuguesa e muito em especial aos Bonecos de Estremoz, relativamente aos quais já efectuou mais de 300 publicações no blogue desde 2014.

Como corolário natural de um dos seus múltiplos percursos de vida, o de coleccionador e investigador da Barrística Popular Estremocense, publicou o livro BONECOS DE ESTREMOZ, editado em 2018 pelas Edições Afrontamento, por muitos considerado uma bíblia, no sentido metafórico do termo. A obra é um testemunho de amor aos Bonecos de Estremoz. Mas é igualmente e sobretudo um livro de respeito e admiração por todos os barristas do passado e do presente, sem excepção.

Conferências proferidas sobre Bonecos de Estremoz: 

2013

Mestre Mariano da Conceição (O Alfacinha)”. Estremoz, Escola Secundária da Rainha Santa Isabel, 15 de Fevereiro de 2013.

2017

O Figurado de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2017?” nas 2.ªs Jornadas para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial do Alentejo. Elvas, Auditório São Mateus, 16 de Setembro de 2017.

O Figurado de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2017?”. Lisboa, Academia Portuguesa de História, 13 de Novembro de 2017.

2018

“Bonecos de Estremoz, Património Cultural Imaterial da Humanidade” na tertúlia “Uma Conversa Por Mês” da Academia Sénior de Sousel. Sousel, Biblioteca Municipal Dr. António Garção, 24 de Abril de 2018.

2019

“BONECOS DE ESTREMOZ - Bons filhos à casa tornam”. Estremoz, Auditório da Escola Secundária da Rainha Santa Isabel, 28 de Maio de 2019.


Exposições na actualidade:

- A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ - COLECÇÃO HERNÂNI MATOS. Integrada no Programa das Comemorações do Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade. Galria Municipal D. Dinis, 16 de Maio a 6 de Setembro de 2026.

terça-feira, 9 de junho de 2026

EXPOSIÇÃO "ARTES DO VAGAR" - Francisco Ramos


Francisco Martinho Garrido Ramos (Xico de São Bento).
Poeta popular e Presidente da Academia do Bacalhau de Estremoz.

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Décimas dedicadas a Hernâni Matos
pelo poeta popular Xico de São Bento

EXPOSIÇÃO “ARTES DO VAGAR”

 

MOTE
Parabéns, Hernâni Matos,
Por esta bela exposição.
São grandes estes actos
E enchem-nos o coração.


És um recolector dos natos.
Colecionar é tua paixão.
Tens a arte no coração
E na alma os artesanatos.
És conhecedor dos factos.
Da barrística à pintura,
Tu conheces com fartura.
Proporcionaste a ocasião
Para nos dares uma lição.
Parabéns, Hernâni Matos.

Pões nos Bonecos atenção,
Do neorealismo és defensor
E da arte pastoril apreciador.
Colecionas por devoção
Sem qualquer contenção.
Conheces alfarrabistas,
Artesãos e outros artistas.
Compras o que aparece
E que a alma te aquece,
Por esta bela exposição.

De Redondo tens pratos,
Tachos, alguidares e barris,
Panelas, frigideiras e cantis,
E outros modos de artesanatos,
Pinturas, postais e retratos.
Conheces barristas e oleiros
Entre os melhores primeiros,
Tratas as obras de excelência
E aos mestres com referência.
São grandes estes actos.

Expões com dedicação
As obras colecionadas,
Cuidadosamente tratadas,
Com perfeita arrumação
No seio da colecção.
Escolheste com felicidade
O centenário da cidade.
São atitudes de cidadania,
Que nos dão muita alegria
E enchem-nos o coração.


São Bento do Ameixial, Maio de 2026
Com um grande e fraterno abraço
Xico de São Bento

domingo, 31 de maio de 2026

Exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ - Galeria Municipal D. Dinis

 


CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Luís Mendeiros (CME) 


IIntegrada no Programa das Comemorações do Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade, foi inaugurada pelas 17 horas de sábado, dia 16 Maio, na Galeria Municipal D. Dinis, a exposição A MÚSICA NO FIGURADO DE ESTREMOZ / COLECÇÃO HERNÂNI MATOS.

No evento participaram cerca de 4 dezenas de convidados, os quais foram conduzidos pelo expositor numa visita guiada à exposição.

No certame está patente ao público um total de 281 exemplares seleccionados do acervo pessoal de diferentes tipologias de Bonecos de Estremoz pertencentes à colecção particular do expositor.

Os Bonecos de Estremoz expostos são da autoria de 20 barristas: Ana Bossa, Ana Catarina Grilo, Ana das Peles, Carlos Alberto Alves, Duarte Catela, Fátima Estróia, Inocência Lopes, Irmãs Flores, João Sousa, Jorge Carrapiço, Jorge da Conceição, José Moreira, Liberdade da Conceição, Manuel Broa, Mariano da Conceição, Maria Luísa da Conceição, Mário Lagartinho, Quirina Marmelo, Ricardo Fonseca e Sabina da Conceição Santos.

A mostra estará patente ao público até ao próximo dia 15 de Setembro.

Hernâni Matos