segunda-feira, 16 de novembro de 2015

36 – Homem dos foguetes

 
Homem dos foguetes.
Irmãs Flores.
Colecção particular.

Não há festas sem foguetes, o que equivale a dizer que não há festas ou romarias que dispensem os espectáculos pirotécnicos e em particular o lançamento de foguetes. Estes além de serem lançados na abertura e fecho das festividades, assinalam também o início e o fim de cada evento integrado nas mesmas.
Nas festas, os foguetes são lançados pelo “homem dos foguetes”, o qual trabalha com um ajudante, que lhe vai passando os foguetes a um e um, por uma questão de segurança.
Cada foguete é constituído por uma cana que numa das extremidades tem atado um canudo contendo pólvora, com um rastilho na extremidade. Este ao ser inflamado provoca uma reacção química na pólvora que origina a expulsão de considerável quantidade de gases, que fazem subir o foguete. É que os gases expelidos desenvolvem uma força propulsora que ao interactuar com a atmosfera é responsável pela variação da velocidade do foguete, o qual ascende na atmosfera. Trata-se de um fenómeno físico regido pela chamada “Lei da variação da quantidade de movimento”, estritamente associada à ”Lei da igualdade da acção e reacção”, de acordo com a qual: “À acção de um corpo sobre outro, corresponde uma reacção de igual intensidade e de sentido oposto à acção”.
No lançamento de foguetes, o tempo de subida, a altura máxima atingida e o alcance horizontal aumentam com a velocidade e o ângulo de lançamento, verificando-se que o alcance é máximo quando a cana faz um ângulo de 45º com a horizontal.
O homem dos foguetes está representado na barrística popular estremocense. Por sua vez, os foguetes estão presentes na nossa literatura de tradição oral. A nível de ADAGIÁRIO temos: “Deitar foguetes antes da festa”, “Deitar os foguetes e apanhar as canas”, “Fazes a festa e deitas os foguetes”, “Não deitar foguetes antes da festa”, “Não se deitam foguetes antes da festa”, “O foguete é na maré de festa”, “São mais os foguetes que a festa”. No que respeita a GÍRIA POPULAR são conhecidas as expressões: Como um foguete (Muito rapidamente), Correr atrás de foguetes (Entusiasmar-se facilmente), Dar uma foguetada (Repreender), Deitar foguetes (Entregar-se a manifestações exuberantes de alegria), Levar uma foguetada (Ser repreendido), Meter-se a fogueteiro (Arriscar-se a fazer coisa que não se conhece bem e fracassar), Pegar em rabo-de-foguete (Assumir compromisso difícil de cumprir). Quanto a ADIVINHAS são conhecidas algumas cuja solução é foguete. Eis uma: "Que é, que é, / que quando sobe / é porque há festa?". E outra: "Fumo, ruído, / produz a subir; / cortando a aragem/ onde faz mais barulho/ é no fim da viagem.". No âmbito das ALCUNHAS ALENTEJANAS registam-se duas: FOGUETE - Alcunha outorgada a quem reúne uma das condições: anda muito depressa (Estremoz), conduz muito rápido (Almodôvar), é muito célere a fazer as coisas (Mora) ou tem temperamento explosivo (Castelo de Vide); FOGUETEIRO - Denominação atribuída a alguém que fabrica foguetes (Estremoz). Em termos de TOPONÍMIA temos: FOGUETEIRO - Lugar da freguesia de Amora, concelho de Seixal. Quanto ao CANCIONEIRO POPULAR ALENTEJANO, este regista a ocorrência da quadra: “Estala a bomba e o foguete vai no ar, / Arrebenta e fica todo queimado. / Não há ninguém que baile mais bem / Que as meninas da ribeira do Sado.”