segunda-feira, 28 de setembro de 2026

RUI SIMÕES ALVES (1956-2026) - Nota de pesar da Academia Portuguesa de Cinema




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É com profunda tristeza que a Academia Portuguesa de Cinema manifesta o seu pesar pelo falecimento de Rui Alves, profissional de cinema, cenógrafo, aderecista, artista plástico e homem de múltiplos talentos, cuja longa carreira ficou marcada por uma extraordinária dedicação ao cinema e às artes.

Nascido em Estremoz, em 1956, Rui Alves frequentou o Curso de Artes Gráficas da Escola António Arroio e iniciou, em 1975, um percurso profissional que se estenderia por várias décadas e por diferentes áreas da criação artística. Cinema, fotografia, teatro, publicidade, decoração, adereços, efeitos especiais, pintura e escultura fizeram parte de uma atividade marcada pela curiosidade, pela versatilidade e por uma permanente disponibilidade para criar.

No cinema, construiu um percurso particularmente rico, trabalhando em diferentes funções ligadas à cenografia, aos adereços e à construção dos universos visuais dos filmes. Desde os primeiros trabalhos como assistente de cenografia, no final da década de 1970, colaborou em produções portuguesas e internacionais, assumindo ao longo dos anos responsabilidades como aderecista, aderecista de plateau, assistente de decoração e responsável pela construção de adereços.

O seu nome encontra-se associado a numerosas produções, entre as quais O Conde de Monte Cristo, Le Cercle des Passions, La Lettre Voullè, To Catch a King, Giovanni Toscanini, Arsène Lupin, L'Accompagnatrice e Fado pour une jeune fille, revelando desde cedo a dimensão internacional do seu percurso profissional.

Ao longo da sua carreira, Rui Alves colaborou igualmente em importantes obras do cinema português. Foi responsável pela construção de adereços em Non ou a Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira, e trabalhou como aderecista de plateau e em efeitos especiais em Sinais de Fogo, entre muitos outros filmes.

A sua relação com o cinema estendeu-se ainda à cenografia e à decoração. Em A Moura Encantada, de Manuel Costa e Silva, surge creditado como aderecista e cenógrafo, testemunhando a amplitude das competências que colocou ao serviço das produções em que participou.

Mas a sua atividade artística não se limitou ao cinema. Rui Alves foi também pintor e escultor, desenvolvendo uma obra própria em que explorou formas, volumes, cores e texturas. Expôs regularmente o seu trabalho, apresentando, entre outras, a exposição Casas, em Lisboa, e mostras realizadas em Estremoz, Évora e Aveiro.

Essa multiplicidade de interesses e saberes definia também a sua presença profissional: um artista capaz de transitar entre o trabalho manual e a criação plástica, entre a construção de objetos e a composição de espaços, colocando a sua experiência e imaginação ao serviço das histórias que o cinema procurava contar.

Ao longo de uma carreira iniciada ainda nos anos 70, Rui Alves deixou uma marca discreta mas profunda nos bastidores de numerosas produções. O seu trabalho, muitas vezes invisível aos olhos do espectador, foi essencial para dar corpo, matéria e autenticidade aos mundos criados pelo cinema.

A Academia Portuguesa de Cinema presta homenagem ao seu percurso e ao importante contributo que deu ao cinema português, recordando um profissional de grande versatilidade e um artista cuja generosidade criativa se manifestou em múltiplos campos.

Aos seus familiares, amigos, colegas e a todos aqueles que com ele partilharam tantos anos de trabalho e amizade, a Academia Portuguesa de Cinema apresenta as suas mais sentidas condolências.




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