segunda-feira, 14 de março de 2011

Do coice ao Cavalo-vapor

Churrião. Bilhete-postal ilustrado do início do século XX (Edição de Faustino António Martins, Lisboa).

Órfãos de pai e mãe, discípulos acidentais de Proust, procuramos angustiadamente o tempo perdido.
Foi na velha Albion, nos primórdios da Revolução Industrial, que os iniciáticos da energia elástica do vapor, deram o golpe de misericórdia na empregabilidade e ultrajaram a convicção libertária de que o Homem é o capital mais importante. Económica e sociologicamente estiveram na génese do capitalismo, das sequelas que se lhe seguiram, bem como de outros “ismos” que prosseguiram na sua peugada. Todavia e numa perspectiva cientifica de Arqueologia Industrial - é legítimo pensá-lo - foram arcaicos. Os seus arquétipos estavam limitados espaço-temporalmente à energia do cavalo, ao coice da mula e à teimosia do burro, o qual duma forma singular, sabe como ninguém dizer:
- “ Não. Não vou por aí”.
Para eles, a sua referência-mestra eram a energia e a potência dos motores de combustão a palha. Do coice e da tracção animal, assim se chegou ao Cavalo-vapor como unidade de potência.