segunda-feira, 5 de maio de 2025

Dia Nacional do Azulejo - 2025


Batalha do Ameixial em 1663 (séc. XVIII). Painel de azulejos de uma das salas do Palácio Tocha,
construído no início do século XVIII para residência do capitão Barnabé Henriques e sua família.
No interior sobressaem azulejos que representam cenas campestres, mitológicas ou de batalhas
da História Regional. No edifício funciona actualmente o Museu Berardo Estremoz, inaugurado em
25 de Julho de 2020 e que está dotado de um extraordinário e grandioso acervo azulejar.


Azulejos e Identidade Cultural Nacional
Ao longo de mais de cinco séculos, o azulejo tem sido usado em Portugal, como elemento associado à arquitectura, não só como revestimento de superfícies, mas também como elemento decorativo.
Pela sua riqueza cromática e pelo seu poder descritivo, o azulejo ilustra bem a mentalidade, o gosto e a História de cada época, sendo muito justamente considerado como uma das criações mais singulares da Cultura Portuguesa e um paradigma da nossa Identidade Cultural Nacional.

Dia Nacional do Azulejo
A 6 de Maio assinala-se o Dia Nacional do Azulejo, criado por proposta do Projecto ”SOS Azulejo”’ datada de 2016 e aprovada por unanimidade pela Assembleia da República, em 24 de Março de 2017.
O Dia Nacional do Azulejo é um evento anual que tem como objectivo reconhecer esta tradição e património nacional, projectando a sua importância, constituindo-se, igualmente, numa ocasião de evocação da sua protecção e preservação.
O Projecto SOS Azulejo criado em 28 de Fevereiro de 2007, é de iniciativa e coordenação do Museu de Polícia Judiciária (MPJ), na dependência do Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais (IPJCC), e nasceu da necessidade imperiosa de combater a grave delapidação do património azulejar português que se verificou recentemente, de modo crescente e alarmante, por furto, vandalismo e incúria.

Património Azulejar de Estremoz
O património azulejar da cidade de Estremoz é riquíssimo e está maioritariamente distribuído pelos seguintes edifícios: Convento dos Congregados do Oratório de São Filipe de Néri, Ermida de Santo Cristo, Convento das Maltesas, Convento de São Francisco, Palácio Tocha, Igreja do Anjo da Guarda, Antigo Hospital da Misericórdia, Convento de Nossa Senhora da Consolação, Passos da Irmandade do Senhor Jesus dos Paços, Armaria de D. João V (Pousada da Rainha Santa Isabel), Igreja de Santa Maria, Capela da Rainha Santa Isabel, Igreja de São Tiago, Estação da CP de Estremoz, Quinta de Nossa Senhora do Carmo, Ermida de Nossa Senhora da Conceição e Ermida de Nossa Senhora dos Mártires.
Para além do revestimento interior destes edifícios, há que destacar ainda o extraordinário e grandioso acervo azulejar do Museu Berardo Estremoz, instalado no Palácio Tocha e inaugurado em 25 de Julho de 2020.

Publicado inicialmente a 6 de Maio de 2024

O Milagre das Rosas. Painel de azulejos (126x173,5 cm) de meados do séc. XVIII,
da autoria de Policarpo de Oliveira Bernardes (1695-1778), pintor e azulejista alentejano,
pertencente ao chamado ciclo dos mestres, período em que se produziram as melhores peças
azulejares, do barroco português. Sacristia da Igreja do Convento de S. Francisco, Estremoz. 

Cena de caça (séc. XVIII). Painel de azulejos do Convento dos Congregados de S. Filipe Nery,
actual edifício dos Paços do Concelho de Estremoz. 

Dar de beber a quem tem sede (séc. XVIII). Um dos painéis de azulejos com as
virtudes Cardeais e Teologais, existentes na antiga Igreja da Misericórdia de Estremoz.

Adão e Eva no Paraíso (Séc. XVIII). Painel existente na Capela dos Passos
situada  no alçado exterior direito da Igreja do Convento de São Francisco. 

Milagre da criança salva das águas (c. 1725). Teotónio dos Santos (?). Painel de
azulejos  (2,60 m x 2,40 m). Capela da Rainha Santa Isabel do Castelo de Estremoz.

 Painel de azulejos (séc. XVIII) da Real Fábrica de Cerâmica de Estremoz.
Museu Municipal de Estremoz.

Painel de azulejos policromos de temática mariana (c. 1669).
Ermida de Nossa Senhora da Conceição, templo maneirista
situado nos arredores de Estremoz, edificado no último quartel
do século XVI. 

Painéis de azulejos (meados do século XVIII), saídos de uma grande
oficina lisboeta, cuja temática iconográfica é inteiramente dedicada
a cenas da vida da Virgem e da Infância de Jesus. Ermida de Nossa
Senhora dos Mártires, cuja origem remonta ao reinado de D. Fernando
e terminada pelo Condestável Dom Nuno Álvares Pereira, Senhor
da Vila de Estremoz.

 Estremoz – Mercado de Sábado (1940). Painel azulejar policromático da autoria
de Alves de Sá (1878-1972), fabricado na Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego,
em Lisboa. Estação da CP em Estremoz.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Israel, minha Vaga Estrela – François Truffaut, Cineasta Marrano

 



Israel, minha Vaga Estrela – François Truffaut, Cineasta Marrano, é o título da mais recente obra de Pedro Martins, a ter lugar no próximo dia 8 de Maio, 5ª feira, pelas 18h 30 min, na ESMCT - Escola de Medicina Tradicional Chinesa, na Rua de Dona Estefânia, 175, em Lisboa.
A sessão será presidida pelo Professor Dr. José Faro, co-director da ESMCT.
A apresentação da obra, estará a cargo do Dr. José António Barreiros.

O livro
Com prefácio de António Cândido Franco, posfácio de Risoleta C. Pinto Pedro e ilustração de capa de Mara Rosa, Israel, Minha Vaga Estrela - François Truffaut, Cineasta Marrano é editado com a chancela da Zéfiro, no âmbito da Colecção Ventos da História.
Neste seu novo ensaio, Pedro Martins opera uma hermenêutica diegético-simbólica da obra cinematográfica do realizador de Les Quatre Cents Coups, filho biológico do baionês Roland Lévy, descendente de cristãos-novos portugueses que se haviam refugiado em França no século XVII.
À luz dos mais modernos estudos sobre o marranismo, onde pontificam, além dos de António Telmo e Moisés Espírito Santo, os de Yarmiyahu Yovel, Nathan Wachtel e Anita Novinsky, e de outros domínios do conhecimento como a psicanálise de Freud, a ciência das religiões, a filosofia e o esoterismo, e em diálogo com os mais reputados especialistas da obra de Truffaut e com a literatura francesa contemporânea, onde se destaca a figura de Pierre Assouline, o autor rasga uma perspectiva inovadora e ousada sobre o corifeu da “Nouvelle Vague”.
Como no prefácio escreveu António Cândido Franco: "Que eu saiba é este o primeiro grande estudo que encara o marranismo na dimensão universal e universalista, deixando cair qualquer territorialidade portuguesa. Mesmo a última das territorialidades, a língua, tão importante ainda para um Samuel Usque, está ausente do estudo de Pedro Martins. Não é a língua portuguesa, ou qualquer aspecto da cultura que desta resulta, que interessa o autor deste livro, mas sim o marranismo, expresse-se ele através da literatura bucólica em línguas ibéricas e ladinas ou através da diegese cinematográfica em francês e inglês – como é o caso de Truffaut."

O autor
Pedro Martins nasceu em Lisboa em 22 de janeiro de 1971. Jurista e advogado licenciou-se em 1993, pela Faculdade de Direito de Lisboa. Pós-graduou-se em Sociologia do Sagrado e do Pensamento Religioso, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Vive há muito em Sesimbra. Aqui ou em Estremoz, conviveu uma década bem contada com António Telmo, de quem é um continuador.
É autor dos livros O Anjo e a Sombra: Teixeira de Pascoaes e a Filosofia Portuguesa (2007); O Céu e o Quadrante: desocultação de Álvaro Ribeiro (2008); O Segredo do Grão Vasco: de Coimbra a Viseu, o 515 de Dante (2011); Teoria Nova da Saudade (2013); Agostinho da Silva em Sesimbra (em colaboração com António Reis Marques, 2014: 2.ª edição, revista e muito aumentada, 2017); Cartas de Agostinho da Silva para António Telmo (em colaboração com João Ferreira e Rui Lopo, 2014); Um António Telmo: Marranismo, Kabbalah e Maçonaria (2015); António Quadros e António Telmo - Epistolário e Estudos Complementares (em colaboração com Mafalda Ferro e Rui Lopo, 2015); A Liberdade Guiando o Povo - Uma Aproximação a Agostinho da Silva (2016); Agostinho da Silva - A Última Entrevista de Imprensa (em colaboração com António Ladeira e José Pedro Guerreiro Xavier, 2016); Uma Vida de Herói - Morte e Transfiguração de Jaime Cortesão (2018); Deste Lado do Mar de Sesimbra (2022); A Glória da Invenção - Uma Aproximação ao Pensamento Iniciático de António Telmo (em colaboração com Risoleta C. Pinto Pedro, 2023).
Em 2020, posfaciou as primeiras edições completas de Vida Conversável de Agostinho da Silva com Henryk Siewierski, e de Portugal, Razão e Mistério - A trilogia, de António Quadros. Colabora nas revistas A Ideia e Nova Águia.
Fundador do Projecto António Telmo. Vida e Obra, integra a coordenação editorial das Obras Completas de António Telmo e a direcção da Colecção Thomé Nathanael - Estudos Sobre António Telmo.
É membro do Conselho Fiscal do Centro de Estudos Bocageanos e do Conselho Consultivo da Fundação António Quadros. Integrou a Comissão Científica das Comemorações dos 250 anos do nascimento de Bocage. Tem participado, como orador, em encontros científicos nacionais e internacionais dedicados a figuras como Cervantes, Verney, Bocage, Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes, Sebastião da Gama, Agostinho da Silva, António Quadros e Miguel Real, e a temas como a Maçonaria, a Saudade, o Espírito Santo, o Futurismo ou a historiografia e a hermenêutica da Filosofia Luso-Brasileira.

FONTES


Pedro Martins, o autor (à esquerda).

terça-feira, 15 de abril de 2025

Benfica - Arouca

 

Bacia de barro vermelho vidrado, de Redondo. Decoração esgrafitada e pintada
com base na tradicional tricromia verde-amarelo-ocre castanho, sobre fundo creme.

O emproamento verbal de quem se regozija com o empate Benfica-Arouca, leva-me a concluir que “A mau falar, boa resposta dar”, acrescido de “Quem muito fala, pouco acerta” e como nada está decidido, remato proclamando: “Bom é saber calar até ser tempo de falar”.

- VIVA O BENFICA!

A matriz do meu pensamento, expressa e veiculada através do texto supra, é invariante e inalterável. Não reage a diatribes verbais reactivas, independentemente da sua origem e motivação. Fazê-lo seria contemporizar com o clima tóxico alimentado pelo fanatismo que grassa nas hostes clubistas.
A meu ver, o exemplo a apresentar à juventude, que é o futuro, é a da elevação e da verdade desportiva, a qual deve ser transversal, abrangendo dirigentes, jogadores e adeptos. O contrário é suicídio dos intervenientes e a morte do desporto. Para tal não podem contar com o meu contributo.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Estremoz - Recolha e preparação do barro para a cerâmica


Nos dias 11 e 12 de Abril, o Museu Municipal Prof. Joaquim Vermelho, em Estremoz, receberá o workshop de Recolha e Preparação do Barro para a Cerâmica, iniciativa integrada no projeto 2LEGACY, financiado pelo laboratório associado IN2PAST.

O projecto 2LEGACY, liderado pelo laboratório HERCULES da Universidade de Évora, conta com a parceria do Lab2PT da Universidade do Minho, do CRIA da FCSH da Universidade NOVA de Lisboa e do VICARTE da Universidade NOVA de Lisboa, bem como com o envolvimento indispensável do Município de Estremoz e da ADOE. O projeto investiga a importância da argila local na cerâmica tradicional, analisando o seu papel no passado e a sua aplicação em práticas contemporâneas em Estremoz e Barcelos, contribuindo para a ligação entre investigação, património e inovação.

Com o apoio do Centro Ciência Viva de Estremoz (CCVE), este workshop oferece uma oportunidade única para aprofundar e documentar os processos de recolha e preparação da argila, essenciais para a preservação do saber-fazer tradicional e a valorização dos recursos locais. Ao destacar a riqueza da argila endógena e das técnicas cerâmica tradicionais, a iniciativa contribui para a dinamização do património cultural de Estremoz.

Dia 11 de abril, o público inscrito, deve reunir-se no CCVE, pelas 11:00 horas, para transporte para o local da cava do barro e, no dia seguinte, os trabalhos decorrerão no Museu Municipal a partir das 9:30 horas.

Inscrições, até dia 9 de abril em: https://forms.gle/x1QJY5bjE55KgSvL7

Hernâni Matos


terça-feira, 1 de abril de 2025

Rua de Santo André em Estremoz vai ter cara lavada

 


Estremoz, 1 de Abril de 2025

Foi tornado público que o Município de Estremoz deliberou recentemente regularizar a intransitável calçada da Rua de Santo André, bem como combater o estacionamento selvagem ali patente.

Trata-se de um gesto de elevada compreensão pelas dificuldades sentidas pelo trânsito pedonal naquela artéria citadina.

Trata-se igualmente de um gesto magnânimo relativamente aos peões que por ali se vêem forçados a transitar, não só moradores como também clientes dos estabelecimentos comerciais instalados naquela via urbana.

Pessoalmente, congratulo-me com o alcance social das providências tomadas pelo Município.

Bem hajam!

Hernâni Matos

(Morador há 52 anos na Rua de Santo André,
onde até ao presente era frequente ouvi-lo vociferar:
- ONDE É QUE JÁ SE VIU UMA RUA ASSIM!)

domingo, 16 de março de 2025

Espiga Pinto, presente!


Espiga Pinto (1940-2014), no início dos anos 60 do séc. XX.


Espiga Pinto, presente!
(No 85º aniversário do seu nascimento)

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A Obra de Espiga Pinto na sua fase dos anos 60 do século 20, interpreta duma forma magistral as mais variadas cenas da vida agro-pastoril do Alentejo de antanho. Por isso, os seus trabalhos são um reflexo da identidade cultural alentejana. Daí a emoção estética e regionalista que a sua obra desperta.

Os sobrenomes “Espiga” e “Pinto”, atribuídos na pia baptismal, terão sido, porventura, o prenúncio de que a sua obra de artista plástico, iria abordar o “agro” (Espiga) e o “pastoril” (Pinto).

Espiga Pinto (1940-2014), natural de Vila Viçosa, pintor da 3ª Geração Modernista e da fase tardia do Neo-realismo, foi professor na Escola Industrial e Comercial de Estremoz (1960-1965), era eu adolescente e já admirava a sua Obra. Muitos anos mais tarde e já neste século, tive o privilégio de falar com ele algumas vezes em Estremoz. Uma das suas preocupações na época era a dificuldade que estava a sentir com a Câmara Municipal de Vila Viçosa, no sentido de esta lhe assegurar um edifício que pudesse funcionar como espaço exposicional, o qual permitisse alojar o seu legado, de modo que o público pudesse usufruir do conhecimento da sua Vida e da sua Obra.

Neste momento, parece que o actual executivo municipal de Vila Viçosa está interessado em concretizar a intenção do artista. Vejamos o que o futuro nos reserva.

A importância da obra de Espiga Pinto é consensual entre “quem percebe da poda” e justifica plenamente o empenhamento da comunidade no sentido de que o desejo do artista se torne realidade.

A exposição “Espiga Pinto – Memórias do Alentejo”, promovida pela Galeria Howard’s Folly e o Legado de Espiga Pinto, no espaço daquela Galeria, por ocasião da celebração do 85º aniversário do nascimento do artista, decerto que irá aumentar e reforçar as hostes dos admiradores da sua Vida e da sua Obra, o que constituirá um justificado motivo de júbilo para o universo dos seus admiradores, entre os quais humildemente me posiciono.

Estremoz, 16 de Março de 2025

sábado, 15 de março de 2025

Tocador de ronca

 

Tocador de ronca. Modelação de Carlos Alves. 
Pintura de Cristina Malaquias.

No Alentejo de outrora, grupos de homens agasalhados do frio, percorriam as ruas dos povoados em compasso lento e solene, entoando cantares de Natal ou das Janeiras. Paravam aqui e ali, para dedicar os seus cantos aos moradores de determinadas casas. Os cantares eram acompanhados pelo som, grave e fundo, das roncas percutidas por tocadores. A ronca é um instrumento musical tradicional do Alentejo, pertencente à classe dos membranofones de fricção. Ainda pode ser encontrado na zona raiana (região de Portalegre, Elvas, Terrugem e Campo Maior).

Hernâni Matos