quinta-feira, 18 de junho de 2015

Efemérides de Julho (Nova versão)

29 de Julho
A 29 de Julho de 1803, no reinado de D. Maria I (1734-1816) foi criada a
Academia Real de Marinha e Comércio, na dependência da Companhia Geral da
Agricultura das Vinhas do Alto Douro com a finalidade principal de formar os seus
futuros quadros técnicos. Sediada no Porto, funcionou entre 1803 e 1837, sendo
então transformada na Academia Politécnica do Porto, que esteve na origem das
actuais Faculdades de Ciências e de Engenharia da Universidade do Porto. Sede da
Academia Real da Marinha no antigo Noviciado da Cotovia, onde também funcionava

o Real Colégio dos Nobres.
28 de Julho
 A 28 de Julho de 1446 são publicadas as Ordenações Afonsinas, colectâneas de
leis promulgadas durante o reinado de Dom Afonso V (1432-1481), distribuídas
por cinco livros e que visavam esclarecer a aplicação do direito canónico e
romano no Reino de Portugal. Nunca chegaram a ser impressas durante o período
em que vigoraram, apesar da imprensa de Johannes Gutenberg (1398-1468) já
star em uso na Alemanha desde 1439. A demora na produção de cópias
manuscritas parece ter sido um dos problemas para a sua aplicação em todo o
Reino, já que a imprensa em Portugal só apareceu por volta de 1487, no Reinado

de D. Manuel I (1469-1521). A sua aplicação não foi uniforme no Reino e vigoraram
apenas até à promulgação das suas sucessoras, as Ordenações Manuelinas.
27 de Julho
A 27 de Julho de 1866 nasce, em Vale da Vinha, concelho de Penacova,
António José de Almeida (1866-1929), médico, político republicano, sexto
Presidente da República (1919-23), fundador e director do jornal República.
ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA – Retrato de Henrique Medina (1901-1989).
Museu da Presidência da República.
26 de Julho
A 26 de Julho de 1994 é inaugurado o Museu da Música na Estação do Alto dos
Moinhos, do Metro de Lisboa. O Museu da Música detém um acervo com cerca
de 1400 instrumentos, entre os quais o cravo de Joaquim José Antunes
(1731-1811), o cravo de Pascal Taskin (1723-1793), o piano Boisselot, que o
compositor e pianista Franz Liszt (1811-1886) trouxe a Lisboa, em 1845,
e o violoncelo de Antonio Stradivari (1644-1737), que pertenceu ao rei
D. Luís I (1838-1889).
25 de Julho
A 25 de Julho de 1139 travou-se a Batalha de Ourique. Nela se defrontaram as
tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques (c.1109-1185) e as
muçulmanas, saldando-se o embate por uma vitória para as hostes portuguesas.
MILAGRE DE OURIQUE (1793). Domingos Sequeira (1768–1837).
Óleo sobre tela (270 × 450 cm). Musée Louis-Philippe du Château d'Eu, France.
24 de Julho
A 24 de Julho de 1780 realiza-se a primeira sessão da Real da Academia das
Ciências, no Palácio das Necessidades, em Lisboa. A Academia foi fundada no
reinado de Dona Maria I (1734-1816) em 24 de Dezembro de 1779, em pleno
Iluminismo, sendo o seu primeiro Presidente, o Duque de Lafões (1719-1806).
A Academia encontra-se, desde 1833, instalada no antigo Convento de Nossa
Senhora de Jesus da Ordem Terceira de São Francisco, edifício setecentista
localizado na parte baixa do Bairro Alto, em Lisboa. Depois da implantação da
República, a instituição passou designar-se Academia das Ciências de Lisboa
23 de Julho
A 23 de Julho de 1951 é fundada, em Lisboa, a Liga dos Cegos de João de Deus.
JOÃO DE DEUS (1830-1896), eminente poeta lírico e pedagogo.
22 de Julho
A 22 de Julho de 1946, a revista americana “Time” publica uma reportagem
sobre Salazar e a ditadura do Estado Novo com o título "Até que ponto o melhor
de Portugal é mau". A distribuição nacional da revista é proibida.
21 de Julho
A 21 de Julho de 1542, o Papa Paulo II (1417-1471) institucionaliza a Inquisição.
Auto-de-fé promovido pela Inquisição Portuguesa na Praça do Comércio em

Lisboa, antes do terramoto de 1755. Gravura anónima do séc. XVIII.
20 de Julho
A 20 de Julho de 1955, morre em Lisboa, Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1965),
magnata do petróleo, coleccionador de arte, mecenas e filantropo.
19 de Julho
A 19 de Julho de 1886, morre o poeta Cesário Verde (1855-1886), com 31 anos
de idade. No ano seguinte Silva Pinto organiza “O Livro de Cesário Verde”,
compilação da sua poesia publicada em 1901. Ao retratar a Cidade e o Campo,
que são os seus cenários predilectos, no seu estilo delicado, Cesário empregou
técnicas impressionistas, com extrema sensibilidade.
18 de Julho
A 18 de Julho de 1697 morreu o Padre António Vieira (1608-1697), sacerdote
jesuíta, missionário, filósofo, escritor, orador, político e diplomata. Defensor
dos direitos dos povos indígenas do Brasil, foi também defensor dos judeus,
defendeu a abolição da escravatura e foi crítico da Inquisição. A sua obra
literária inclui mais de 200 sermões, 700 cartas, além de tratados proféticos,
relações, etc. Um dos seus mais famosos sermões é o Sermão de Santo António
aos Peixes. PADRE ANTÓNIO VIEIRA – Óleo  sobre tela (680 x 1280 mm)  de autor
desconhecido do início do séc. XVIII. Casa Cadaval, Muge.
17 de Julho
A 17 de Julho de 1877 é inaugurado o Hospital de D. Estefânia, em Lisboa. A
sua construção iniciada em 1860, foi iniciativa da Rainha Dona Estefânia de
Hohenzollern-Sigmaringen (1837-1859), mulher de D. Pedro V (1837-1861),
que numa visita ao Hospital de São José, impressionada com a promiscuidade
com que na mesma enfermaria eram tratadas crianças e adultos, ofereceu o
seu dote de casamento para que fosse construído um hospital para crianças
pobres e enfermas. A sua construção foi primorosamente planeada, tendo
D. Pedro V solicitado pareceres sobre projectos e plantas hospitalares,
elaboradas por técnicos de reconhecida competência, de locais como Londres,
Berlim e Paris. Dona Estefânia – retrato a óleo por Karl Ferdinand Sohn
(1805-1867). Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa.
16 de Julho
A 16 de Julho de 1212 trava-se a batalha de Navas de Tolosa, perto de Navas
de Tolosa, na actual Espanha. O rei Afonso VIII de Castela (1155-1214),
liderando uma coligação com Sancho VII de Navarra (1154-1234), Pedro II de
Aragão (1178-1213), um exército de Afonso II de Portugal (1185-1223),
juntamente com cavaleiros do reino de Leão e das ordens militares de Santiago,
Calatrava, Templários e Hospitalários, derrota o Califado Almóada. BATALHA DE
NAVAS DE TOLOSA -  Pintura a óleo do século XIX, de F. P. Van Halen, exposta
no Palácio do Senado, em Madrid.
15 de Julho
A 15 de Julho de 1759, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), Marquês
de Pombal, recebe o título de Conde de Oeiras. SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E
MELO -  Escola Portuguesa do séc. XVIII. Óleo sobre tela (119 x 97,5 cm). Colecção
particular. 
14 de Julho
A 14 de Julho de 1901, o cirurgião Egas Moniz (1847-1955), Nobel da Medicina
em 1949, conclui o doutoramento, em Lisboa. RETRATO DE EGAS MONIZ (1932).
José Malhoa (1855-1933). Pastel sobre papel (60 x 51 cm). Faculdade de Medicina
da Universidade de Lisboa.
13 de Julho
A 13 de Julho de 1647 é criada a Aula de Fortificação e Arquitectura Militar,
na Ribeira das Naus, em Lisboa. Ribeira das Naus foi a designação dada a partir
da construção do Paço da Ribeira às novas tercenas que o rei Dom Manuel I
mandou edificar a ocidente do novo palácio real, construído sobre o local das
tercenas medievais. A Ribeira das Naus foi o maior estaleiro do Império Português.
VISTA, A PARTIR DO TEJO, DO PALÁCIO DA RIBEIRA EM LISBOA (1598). Georg Braun
and Franz Hogenberg.A 13 de Julho de 1647 é criada a Aula de Fortificação e
Arquitectura Militar, na Ribeira das Naus, em Lisboa. Ribeira das Naus foi a
designação dada a partir da construção do Paço da Ribeira às novas tercenas
que o rei Dom Manuel I mandou edificar a ocidente do novo palácio real,
construído sobre o local das tercenas medievais. A Ribeira das Naus foi o maior
estaleiro do Império Português. VISTA, A PARTIR DO TEJO, DO PALÁCIO DA
RIBEIRA EM LISBOA (1598). Georg Braun and Franz Hogenberg.
Civitates Orbes Terrarum (a 1ª edição latina é de 1572).
A Ribeira das Naus está á esquerda do Paço da Ribeira.
12 de Julho 
A 12 de Julho de 1976, morre Simão César Dórdio Gomes (1890-1976), pintor
modernista português. ALENTEJO (1930). Simão César Dórdio Gomes (1890-1976).
Óleo sobre cartão (26,9 x  35,5 cm). Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha.
11 de Julho 
A 11 de Julho comemora-se o Dia Mundial da População. A CEIFA NO ALENTEJO-
- Alberto de Souza (1880-1961). Aguarela sobre papel (14 x 20 cm).
10 de Julho 
No dia 10 de Julho comemora-se o Dia Mundial da Lei com a finalidade de lembrar
a importância do cumprimento do Direito, o quale remonta às primeiras civilizações
que conheceram a escrita. São marcos importantes da História do Direito, o código
do rei da Babilónia, Ur-Nammu, o código de Hamurabi, as leis das Doze Tábuas, as
leis da Roma Antiga, as leis Draconianas da Grécia Antiga, as Ordenações Afonsinas,
Manuelinas e Filipinas, a Constituição Francesa de 1791, as leis do Império (a Lei
Áurea), da República, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, etc.
A  JUSTIÇA ENTRE OS ARCANJOS MIGUEL E GABRIEL (pormenor) – 1421. Jacobello del
Fiore (1370-1439). Têmpera sobre panel (210 x 190 cm). Gallerie dell'Accademia, Venice.
9 de Julho 
Desde 9 de Julho de 1926 que António Óscar de Fragoso Carmona (1869-1951),
como Presidente do Ministério passa a desempenhar as funções de Presidente
da República, após a demissão do General Manuel de Oliveira Gomes da Costa
(1863-1929). Viria a ser nomeado interinamente para o cargo, por decreto de
16 de Novembro de 1926. Foi o décimo primeiro presidente da República
Portuguesa (primeiro da Ditadura e primeiro do Estado Novo). CARMONA - 
Retrato de Henrique Medina (1901-1989). Museu da Presidência da República.
8 de Julho 
A 8 de Julho de 1497, a Armada de Vasco da Gama parte de Belém, em Lisboa,
rumo à Índia. É composta pelas naus São Gabriel, São Rafael e Bério. Vasco da
Gamara atingirá Calecut e regressará a Lisboa em 1499. PARTIDA DE VASCO DA
GAMA PARA A ÍNDIA - Ilustração de Alfredo Roque Gameiro (1864-1935), para o
livro “Quadros da História de Portugal” editado em 1917, da autoria de Chagas
Franco e João Soares, incluindo ainda ilustrações de Alberto de Souza.
7 de Julho 

A 7 de Julho de 2007, a Torre de Belém, os mosteiros dos Jerónimos, de Alcobaça
e da Batalha, o Palácio da Pena e os castelos de Guimarães e Óbidos foram
proclamados como as Sete Maravilhas de Portugal. Tratou-se de uma iniciativa
apoiada pelo Ministério da Cultura de Portugal, organizada pelo consórcio Y&R
Brands S.A. - Realizar S.A., que visou eleger os sete monumentos mais relevante
do património arquitectónico português. A escolha recaiu em 794 monumentos
nacionais classificados pelo IPPAR, da qual foi feita uma primeira selecção
efectuada por peritos, a qual originou uma lista de setenta e sete monumentos.
Depois foi feita uma nova escolha, efectuada por um Conselho de Notáveis
constituído por personalidades de diversos quadrantes de onde saíram os vinte
e um monumentos finalistas. A partir de 7 de Dezembro de 2006, decorreu a
votação que viria a eleger os sete monumentos eleitos dos portugueses.
TORRE DE BELÉM - Construída entre 1515 e 1519, tem 30 metros de altura,
é de estilo manuelino e teve como arquitectos: Francisco de Arruda,
Francisco de Holanda, António Viana Barreto e António de Azevedo e Cunha.
6 de Julho 
A 6 de Julho de 2010, morre Matilde Rosa Araújo (1921-2010), pedagoga e
escritora especializada em literatura infantil e que enquanto cidadã se
dedicou no decorrer da sua vida aos problemas da criança e à defesa dos
seus direitos. Foi distinguida com diversos prémios literários e em 2004 foi
agraciada com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
5 de Julho 
A 5 de Julho de 1852 é abolida a pena de morte para crimes políticos (artigo 16º
do Acto Adicional à Carta Constitucional de 5 de Julho, sancionado por D. Maria II
(1819-1853). D. MARIA II (1829) - Óleo sobre tela (92,4 × 71,8 cm) de Thomas
Lawrence (1769-1830). Colecção Real. Reino Unido. 
4 de Julho 
A Rainha Santa Isabel de Aragão (1270-1336), esposa de el-Rei D. Diniz (1261-1325),
faleceu no Castelo de Estremoz, com 66 anos de idade, no dia 4 de Julho de 1336,
de uma doença súbita surgida quando se dirigia para a raia em missão de
apaziguamento entre o filho, D. Afonso IV (1291-1357), e o neto, Afonso XI de
Castela (1311-1350). As virtudes da Rainha, mais tarde considerada Santa
estiveram na origem da sua beatificação por Leão X (1475-1521), em 1516,
com autorização de culto circunscrito à Diocese de Coimbra. Em 1556, o
papa Paulo IV (1476-1559) torna extensiva a devoção isabelina a todo o Reino
de Portugal. Seria o papa Urbano VIII (1568-1664), dada a incorrupção do corpo
e o relato dos milagres, quem proclamaria em 1625, a canonização de Isabel de
Aragão como Rainha Santa. SANTA ISABEL DE PORTUGAL - Aguarela de Alberto
de Souza (1880-1961).
3 de Julho 
A 3 de Julho de 1780 é fundada a Casa Pia de Lisboa pelo intendente da polícia de
D. Maria I (1734-1816), Diogo de Pina Manique (1733-1805), ficando instalada no
Castelo de S. Jorge. ALEGORIA À CASA PIA DO CASTELO - Gil Teixeira Lopes (1936- ).
2 de Julho 
A 2 de Julho de 1932, morre no exílio em TwickenhamInglaterra, o último rei
de Portugal, D. Manuel II (1889-1932), o “Bibliógrafo”, sufocado por um edema
da glote. Depois de decorridos os funerais celebrados na Catedral de Westminster,
em Londres, onde se celebram as exéquias dos monarcas e dos grandes vultos
britânicos, por determinação expressa do Governo de Salazar, D. Manuel é
transladado para Lisboa, onde tem funerais nacionais, jazendo desde 2 de Agosto
de 1932, no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
1 de Julho 
A 1 de Julho de 1920 nasce em Lisboa, Amália Rodrigues (1920-1999), fadista,
cantora e actriz portuguesa, considerada a Rainha do Fado. Cantou os grandes
poetas da língua portuguesa (Camões, Bocage), além dos poetas que escreveram
para ela (Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira, Ary dos Santos, Manuel
Alegre, Alexandre O’Neill. Conhece também Alain Oulman, que lhe compõe diversa
canções. Amália dá brilhantismo ao fado, ao cantar o repertório tradicional de uma
forma diferente, sintetizando o que é rural e urbano. Considerada a nossa melhor
embaixatriz, difundiu a cultura portuguesa, a língua portuguesa e o fado. Ao longo
da sua carreira recebeu inúmeras distinções: Dama da Ordem Militar de Sant'Iago da
Espada (1958),  Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1971), Grande-Oficial
da Ordem do Infante D. Henrique (1981),  Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da
Espada (1990),  Ordem das Artes e das Letras (França-1990),  Légion d'Honneur
(França-1990), Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (1998). A 6 de Outubro
de 1999, Amália Rodrigues morre em Lisboa, tendo o 1º ministro decretado Luto
Nacional por três dias. No seu funeral incorporaram-se centenas de milhares de
lisboetas que assim lhe prestam uma última homenagem. Foi sepultada no
Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Em 2001, o seu corpo foi trasladado para
Panteão Nacional, onde está sepultado ao lado de outros portugueses ilustres.





















































































































































































































































































31 de Julho
A 31 de Julho de 1750 morre D. João V (1689-1750), em cujo reinado uma
corrente de renovação assolou todo o país e manifestou-se nas mais diversas
produções artísticas: arquitectura, escultura, pintura, mobiliário, ourivesaria,
talha e azulejo. Estas foram incrementadas e personalizadas por uma extensa
plêiade de artistas portugueses e estrangeiros.
30 de Julho
A 30 de Julho de 1848 foi inaugurada a iluminação a gás, na Baixa de Lisboa,
a primeira em Portugal. Cópia da Planta da Praça do Comércio, demonstrando
a forma dos passeios e distribuição dos candelabros e liras para a iluminação
a gás na mesma praça, apresentado por sua majestade a Rainha. Documento
pertencente ao fundo “Júlio de Castilho”(1840-1919) do Arquivo Nacional
da Torre do Tombo.


terça-feira, 16 de junho de 2015

Exposição “EXPOSTOS DE ESTREMOZ: DA RODA AO HOSPÍCIO”


No passado dia 6 de Junho, pelas 10:00 h, teve lugar a inauguração da exposição “EXPOSTOS DE ESTREMOZ: DA RODA AO HOSPÍCIO”, na Sala de Exposições do Arquivo Municipal, no Centro Cultural Dr. Marques Crespo, na Rua João de Sousa Carvalho, em Estremoz. A mostra estará ali patente ao público até 31 de Dezembro do ano em curso, podendo ser visitada nos dias úteis das 9:00 h às 13:00 h e das 14:00 h às 18:00 h. A entrada é livre.
Arquivo Municipal de Estremoz
O Arquivo Municipal de Estremoz é uma divisão do Município onde se guarda, classifica, inventaria, estuda e preserva o património documental do Edilidade bem como documentação que tenha sido doada por particulares ou instituições do concelho. Reúne documentação de grande interesse para a História do Concelho de Estremoz desde o século XIV até à actualidade, pelo que é uma fonte de informação valiosíssima e indispensável aos serviços da autarquia, munícipes, investigadores e estudantes, já que ali se preserva a Memória do Concelho.
O Arquivo Municipal funciona no Centro Cultural Dr. Marques Crespo, na Rua Bento Jesus Caraça e está aberto ao público nos dias úteis das 9:00 h às 13:00 h e das 14:00 às 18:00h. A sua documentação pode ser consultada mediante normas estabelecidas em Regulamento próprio.
Como serviço público, o Arquivo Municipal publica Instrumentos de descrição e de estudos na área da História Local, organiza visitas guiadas, exposições e participa em projectos com Escolas, Juntas de Freguesia e Associações.
Os expostos
De acordo com o catálogo da exposição, “Em Portugal, o abandono de crianças foi objectivo de preocupações legislativas desde o século XVI. A 10 de Maio de 1783 o Intendente da Policia, Pina Manique, mandou criar as Rodas para com elas poder impedir a morte de muitos enjeitados. Assim, na Roda eram depositadas tanto crianças cujos pais eram pobres, como crianças indesejadas.
A extinção gradual das Rodas, em Portugal, deu-se com o Decreto de 21 de Novembro de 1867, substituindo-as por hospícios.
O Arquivo Municipal tem à sua guarda um grande volume de documentação sobre a temática dos expostos. Determinou dar a conhecer os estabelecimentos que em tempos existiram para acolher as crianças abandonadas do Concelho.
Faz parte desta exposição um conjunto significativo de documentos que se revestem de um valor especial por serem dotados de uma forte carga emotiva e simbólica.
Esta iniciativa do arquivo Municipal não pode deixar de ser dada a conhecer uma vez que diz respeito a uma parte importante da história local, a assistência prestada às crianças abandonadas”.
A exposição
A exposição de carácter iconográfico e documental, tem um visual agradável e está estruturada por grandes áreas: - ENQUADRAMENTO; - DA RODA AO HOSPÍCIO – ESTREMOZ; - HOSPÍCIO (localização, funcionários, inventário da mobília, roupas e objectos); - EXPOSTOS: EXPOSIÇÃO E CRIAÇÃO (a exposição, períodos do dia e locais de exposições, vestuário, sinais, idade e nome, padrinhos, admissão dos expostos no Hospício, criação pela ama-de-leite /ama de seco, despesa com o Hospício e subsídios); - COMBATE AO ABANDONO/INFANTICÍDIO E ATRIBUIÇÃO DE SUBSÍDIOS (intimidação a mulheres grávidas solteiras, subsídios e mortalidade).
Trata-se, sem dúvida, de uma excelente exposição, que revela aspectos menos conhecidos da História Local, o que é feito de forma pedagógica. Está de parabéns o Arquivo Municipal de Estremoz e estamos todos nós também, que a podemos visitar.
Um exposição a não perder.

Reconstituição da roda dos Expostos. Fotografia de Hernâni Matos.

sábado, 6 de junho de 2015

27 - José Moreira, o inovador

 Amazona
José Moreira (1926-1991)
Colecção particular


José  Marcelino Moreira (1926-1991), de alcunha “Zé do Telhado”, era discípulo de Ti Ana das Peles [Ana Rita da Silva (1870-1945)]. No quintal da sua residência, na Rua do Nine, nº 12, em Estremoz, tinha a oficina e o forno por ele próprio construído. Era ele quem procurava e cavava o barro, que depois preparava, visando a confecção de imagens. Estas eram por si executadas, mas a pintura e o acabamento pertenciam a sua mulher, Josefina Augusta Ferreira (1922- ). 
José Moreira tinha uma maneira peculiar de observar o mundo e de o interpretar, tendo-nos legado traços de identidade pessoal nas peças que manufacturava, as quais são marcas indeléveis que o permitem identificar como autor.
O olhar das figuras antropomórficas, é semelhante ao das imagens de Mariano da Conceição, com sobrancelhas e pestanas paralelas, sendo estas últimas tangentes às meninas do olho. Todavia estas são maiores que no figurado de Mariano, o que torna o olhar mais expressivo.
Nas figuras zoomórficas, os cavalos têm uma cabeça maior que as dos cavalos de Mariano da Conceição e de Sabina Santos. Têm um olhar mais vivo, as narinas e a boca estão mais bem definidas e os focinhos dos equídeos estão arrebitados, como que procurando afastar-se do pescoço. A crina do pescoço está não só representada por incisões no mesmo, como através de pintura na fronte e na nuca, pendendo para o lado esquerdo. E, ao contrário do que se passa nos ginetes de Mariano da Conceição e de Sabina Santos, a crina da cauda, pintada de preto, quase que roça o chão e está inclinada para o lado esquerdo, dando uma certa sensação de movimento. Em termos de comportamento animal, isto é sinónimo de insatisfação, tal como as narinas dilatadas são indício de atenção. Por outro lado, nas figuras a cavalo de José Moreira (amazona, cavaleiro, frade a cavalo, lanceiro, lanceiro com bandeira), a base é verde, enquanto que nas de Mariano e de Sabina e de acordo com a tradição, a base que representa o chão, é verde, pintalgada de branco, amarelo e zarcão, numa alegoria a um chão atapetado por erva e tufos coloridos de flores silvestres. Todavia, quando José Moreira utiliza noutras figuras, esta forma de decoração da base, as pintas são maiores e mais próximas que nos bonecos de Mariano da Conceição e de Sabina Santos.
Nas figuras masculinas, personagens das fainas agro-pastoris, ao contrário do que se passa no figurado de Sabina Santos, o chapéu é sempre um chapéu aguadeiro, tal como nos correspondentes exemplares de Mariano da Conceição, ainda que por vezes de dimensões maiores.
No figurado de Estremoz existem imagens que ilustram o uso do barrete no Alentejo. Caso de espécimens como “Pastor das migas” e “Matança”. Todos os barristas do século XX e XXI cobriram a cabeça desses exemplares com o tradicional barrete. Porém, José Moreira, irreverente e inovador, nelas substituiu o barrete pelo tradicional chapéu aguadeiro.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

As fontes

Fonte do Hospital de São João de Deus. Foto Tony (cerca de 1960).

Estremoz é uma cidade de serviços e tem necessidade de Turismo, como de pão para a boca. Consciente disso, o Município vem procedendo, desde o mês de Abril, à pintura e conservação de vários edifícios no Largo D. Dinis, para conservação do Património Cultural e para garantir que os turistas levem de Estremoz a melhor das imagens.
Na parte baixa da cidade, igualmente visitada pelos turistas, existe também Património Cultural, entre o qual as fontes: - FONTE DAS BICAS, construída em data desconhecida do séc. XVI e que teve contíguo um tanque de lavagem, que o Município de 1905 transferiu para o Lavadouro Público; - FONTE DO HOSPITAL DE SÃO JOÃO DE DEUS, mandada construir pela Câmara de 1834, no muro contíguo à ermida de São Brás e que a edilidade de 1901 ordenou que fosse removida para o local onde actualmente se encontra; - FONTE DO ESPÍRITO SANTO mandada construir pelo Senado de 1834 e que chegou a ter chafariz para animais de carga e sela. Nos anos sessenta do século passado, o chafariz foi sacrificado ao pseudo progresso, já que foi arrancado a fim de facilitar a circulação automóvel; - A FONTE DOS CURRAIS, situada na Rua Brito Capelo (antiga Rua dos Currais) e que foi mandada construir pela Câmara Municipal em 1907.
Sendo Estremoz tão rica em água, não se percebe a razão porque não corre água nas fontes de Estremoz. É que sendo as centenárias fontes um pólo de atracção turística, com água a jorrar das suas bicas, Estremoz teria mais encanto, como todos nós pretendemos. Que responda quem souber. Até lá, apetece parafrasear o fado de António Mourão: “Oh tempo volta para trás, dá-me tudo o que eu perdi!”.
 Hernâni Matos



Fonte do Espírito Santo. Foto de Rogério de Carvalho (cerca de 1940).
Fonte das Bicas. Foto de Rogério de Carvalho (cerca de 1940).

Fonte dos Currais. Foto de autor e data desconhecidos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

II Encontro de poetas populares de Arcos

Um aspecto do almoço de convívio no recinto da Festa

O Sporting Clube Arcoense, em parceria com a Associação Filatélica Alentejana, promoveu no passado dia 24 de Maio, o II Encontro de Poetas Populares de Arcos. O evento teve lugar a partir das 16 horas, na sede do clube arcoense, no decurso das Festas em Honra de São Sebastião.
Desde sempre o povo produziu poesia, sobretudo em contexto de trabalho, os ganhões em tarefas de grupo, cíclicas e sazonais, como as ceifas e a azeitona e, os pastores na solidão da sua vida de nómadas. E criaram sobretudo décimas e quadras que registaram no livro vivo da sua memória, pois muitos nem sequer sabiam ler. A maior parte dessas composições tornaram-se anónimas e transmitindo-se oralmente de geração em geração, passaram a ser parte integrante da nossa memória colectiva e da nossa identidade cultural, a qual urge preservar e transmitir às gerações mais novas.
A poesia popular aborda múltiplos contextos: o amor, o casamento, os filhos, a vida familiar, o trabalho, o lugar do homem no Universo, a religião, as festividades, a sátira, a crítica social e política, etc.
Os poetas populares ali presentes foram convidados a apresentar no Encontro, duas décimas com mote livre. Foram eles: Manuel Gomes (Arcos), Constantina Babau (Estremoz), José Banha (Estremoz), Mateus Maçaneiro (Estremoz), Aurélio Buinho (Cano - natural de S. Bento do Cortiço), Joaquim Gavião (Cuba - natural de S. Bento do Ameixial), Altino Carriço (Rio de Moinhos), José Miranda (Rio de Moinhos), Maria Lisete Martinho (Vila Viçosa), José Venâncio (Vila Viçosa), João Capacete (Bencatel), Porfírio Alexandre (Bencatel), José Patacho (Alandroal).
Cada um deles tem a sua própria experiência de vida e a sua maneira própria de ver o mundo e as coisas. A sua presença ali foi reveladora de que a Poesia Popular está bem e se recomenda.


Outro aspecto do almoço de convívio no recinto da Festa

quinta-feira, 21 de maio de 2015

26 – Santa Bárbara

Santa Bárbara
Sabina Santos (1921-2005)
Colecção particular

Diz a lenda que Santa Bárbara nasceu e viveu no final do séc. III, na cidade de Nicomédia, na actual Turquia. Era uma jovem muito bela. Dióscoro, seu pai, era um pagão rico que a desejava proteger dos pretendentes. Por isso encerrou-a numa torre, onde mandou abrir duas janelas, mas entretanto teve que viajar. Quando regressou, a filha tinha-­se feito baptizar e mandara rasgar uma terceira janela, em honra à Santíssima Trindade. O pai ficou irado, pelo que ela teve de fugir, abrindo-se os rochedos para que ela passasse. Descoberta, foi capturada pelo progenitor e levada a tribunal. Aí foi condenada a ser exibida nua por todo o país e padeceu toda sorte de suplícios, acabando por ser executada pelo próprio pai, que a degolou com uma espada. Logo após a sua morte, um raio fulminou o filicida.
Santa Bárbara é Protectora contra relâmpagos e tempestades, bem como Padroeira de artilheiros, mineiros, geólogos, engenheiros militares, armeiros e de todos aqueles que trabalham com o fogo. É igualmente Padroeira de profissões relacionadas com torres e a sua construção (cabouqueiros, pedreiros, arquitectos) e ao seu uso como prisão (presidiários e guardas de prisão).
Os atributos de Santa Bárbara são numa mão (geralmente a direita) a palma do martírio e na outra a torre com três janelas onde o pai a encerrou. A torre pode aparecer também a seus pés e pode segurar a espada com que foi degolada ou segurar o cálice com a hóstia.
Santa Bárbara, cuja festa litúrgica ocorre a 4 de Dezembro, tem considerável presença na tradição oral portuguesa. A nível de adágios: “Só se lembra(m) de Santa Bárbara, quando faz trovões". Está igualmente presente no cancioneiro popular de Angra do Heroísmo:

“Ò Senhora Santa Barba,
Senhora dos corações,
Ninguém se lembra dela
Senão quando faz trevões”.

Existem também orações populares como esta:

“Santa Bárbara Bendita,
Que no céu está escrita
com papel e água benta,
nos livre desta tormenta”.

No que respeita a superstições populares, existia a crença de que as palmas e os ramos de alecrim, bentos na Procissão do Domingo de Ramos, afastavam as trovoadas. De resto, era hábito tocar os sinos durante as trovoadas, pois havia a crença popular de que o toque fazia afastar os raios e os trovões. Em Castedo do Douro, um dos sinos da Igreja até tem gravado o nome de Santa Bárbara. Actualmente, as orações e o toque de sinos foram substituídos por pára-raios, o que levou Guerra Junqueiro (1850-1923) a escrever:

“Pára-raios nas Igrejas,
É para mostrar aos ateus,
Que os crentes quando troveja,
Não têm confiança em Deus”.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Aonde pára Santa Bárbara ?

Paiol de Santa Bárbara (1739). Fotografia inserida no II volume do Inventário
Artístico de Portugal – Distrito de Évora (concelhos de Arraiolos, Estremoz,
Montemor-o-Novo, Mora e Vendas Novas), da autoria de Túlio Espanca e
editado pela Academia Nacional de Belas Artes, em 1975. 

“Santa Bárbara Bendita, / Que no céu está escrita / com papel e água benta, / nos livre desta tormenta”. Esta uma das muitas orações populares da tradição oral portuguesa. Através dela se invoca o auxílio de Santa Bárbara, Protectora contra relâmpagos e tempestades, bem como Padroeira de artilheiros, mineiros, geólogos, bombeiros e de todos aqueles que trabalham com o fogo.
Santa Bárbara de Nicomédia, cuja festa litúrgica ocorre a 4 de Dezembro, tem em Estremoz, património arquitectónico militar não classificado, com o seu nome. Trata-se do Paiol de pólvora de Santa Bárbara. Construído entre 1736 e 1739, foi projectado pelo arquitecto e engenheiro militar Carlos Andreas, sendo o responsável pelas obras, o também arquitecto e engenheiro militar Eugénio dos Santos de Carvalho.
O paiol é antecedido por um portal barroco com frontispício de mármore, ostentando as armas de D. João V. Nele existe um nicho onde estava alojada uma escultura de Santa Bárbara, em mármore.
Disse que estava, uma vez que já não está. É que há alguns anos atrás, um comandante do RC3, temendo o roubo da imagem, ordenou a sua remoção do local e o seu transporte para o quartel, onde na sua óptica estaria mais segura. Acontece que como Santa Bárbara é Padroeira dos artilheiros, houve uma alta patente de visita àquele regimento, que entendeu que a imagem devia ser transferida para a Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, o que se concretizou.  
Acontece que a Escola Prática de Artilharia foi desactivada em 2013, passando as suas funções para a então criada Escola das Armas, instalada nas antigas instalações da Escola Prática de Infantaria (EPI) e do Centro Militar de Educação Física e Desportos (CMEFD) em Mafra.
É natural que um cidadão como eu, investido do direito e dever constitucional de defesa do património, levante questões pertinentes, do tipo:
- Aonde pára Santa Bárbara?  
- Não deveria a imagem regressar a Estremoz, de onde nunca deveria ter saído? É que apesar de ser património militar, é património militar de Estremoz.
Gostaria que ter resposta a estas questões, o que decerto só poderá ser concretizado pelo Ministério da Defesa Nacional, através da abertura de um rigoroso inquérito que seja conclusivo e esclarecedor para a opinião pública. De resto, ser-me-ia grato com o regresso da escultura a Estremoz, poder dizer:
- Bom filho, à casa torna.