terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Pedalar é preciso

Foto recohida no grupo de Facebook “Massa crítica Lisboa”.

A circulação automóvel nas cidades constitui a principal fonte de poluição atmosférica, a qual tem efeitos nocivos na saúde em geral e na saúde respiratória em particular. Para além disso, a poluição atmosférica contribui para o chamado “efeito de estufa”, que se traduz no aquecimento global do planeta. Este tem consequências negativas: - alterações climáticas a nível mundial e a extinção de determinadas espécies de fauna e de flora; - fusão de gelo das calotes polares, que se traduz na subida do nível médio do mar, o qual determinará uma total reconfiguração dos continentes, tal como os conhecemos na actualidade; - aumento da frequência de catástrofes naturais (tufões, furacões, inundações, períodos longos de seca), que afectarão a produção agrícola a nível global, prejudicando o fornecimento de alimentos às populações.
Face ao panorama anterior, a consciência cívica de um número cada vez maior de jovens e adultos, tornou-os eco-militantes, levando-os a adoptar a bicicleta como meio de transporte nas cidades. Para além de ser um veículo amigo do ambiente, a bicicleta permite fugir aos engarrafamentos de trânsito, bem como evitar longas esperas de transportes públicos, assim como ultrapassar a dificuldade e o custo do estacionamento automóvel. De resto, a utilização da bicicleta é benéfica, uma vez que tonifica os músculos e facilita a circulação sanguínea, o que traz vantagens cárdio-respiratórias.
A necessidade de os ciclistas fazerem valer os seus direitos, levou-os a criar a chamada “massa crítica (bicicletada)”. Esta é um evento que assume a forma de um passeio auto-organizado e independente, de periodicidade mensal, no qual um grupo de ciclistas passeia numa determinada cidade. Não se trata de uma prova desportiva, nem de uma manifestação. Trata-se simplesmente de um percurso pela cidade, o qual não carece de qualquer pedido de autorização para se realizar, tal como acontece com os automóveis que se deslocam em fila.
A massa crítica visa: - afirmar o direito dos ciclistas à estrada; - divulgar as vantagens de utilização da bicicleta como meio de transporte vantajoso nas cidades; - alertar para a necessidade de mudanças no espaço urbano para melhor acomodar os ciclistas.
A massa crítica integra não só ciclistas, como skatistaspatinadores e pessoas com veículos de propulsão humana. Em geral, ocorre na última sexta-feira de cada mês, a partir das 18 horas, embora nalgumas localidades ocorram noutro dia e com outro horário.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Morreu António Canoa, artesão da ruralidade

António Canoa (1926-2015)

Morreu no passado dia 7 de Fevereiro, na freguesia de São Lourenço de Mamporcão, António Canoa, antigo abegão, artesão da ruralidade, poeta popular, ex-autarca e figura muito querida da população local.


Tinha o destino marcado
António Henrique Canoa era natural de Veiros, onde nasceu a 4 de Julho de 1926, filho de Henrique António Canoa e de Maria da Ascensão Zagalo. Seu pai era moiral de parelhas na Quinta do Leão e sua mãe era doméstica. Era o filho mais velho de cinco filhos do casal e casado com Maria Catarina Surra Canoa, doméstica, de quem teve uma filha, Maria Ana Silveira Canoa Monteiro.
Quando acabou a instrução primária aos 13 anos, começou a trabalhar como aprendiz de abegão, tendo como Mestre seu tio e padrinho, Miguel Lopes, que trabalhava no Monte da Sofia, em Veiros, pertencente à Casa Agrícola José de Matos Cortes.
Desde miúdo que o António se entretinha na oficina do tio, mostrando interesse e apetência pelo trabalho deste, a quem procurava imitar, brincando. O tio desde sempre disse:
- Hás-de ser carpinteiro como eu!
E assim foi. Cumpriu-se a profecia. Como diz o fado, o António “Tinha o destino marcado".
Seu tio, foi igualmente seu Mestre dos 13 aos 17 anos, período durante o qual decorreu uma aprendizagem gratuita, já que os aprendizes tinham que pagar aos Mestres para poderem aprender o ofício. O tirocínio decorreu durante dois anos no Monte da Sofia e outros dois num casão em Veiros. Foram quatro anos durante os quais aprendeu, trabalhando sem receber e a seco, tal como o Mestre, seu tio. Era um trabalho de sol a sol, incluindo os sábados, só descansando aos domingos, o que por vezes, só era concretizado na parte da tarde.
Quando terminou o aprendizado, começou a trabalhar como abegão, conjuntamente com quatro companheiros, para Dona Judite Cortes Maldonado, no Monte Novo, Freguesia de Santo Amaro, em Sousel. O trabalho era também de sol a sol. Recebia um ordenado de 6$00 por dia, a comida era à conta da patroa, que também disponibilizava um casão para servir de dormitório.
Aos 18 anos foi para a tropa, tendo permanecido ano e meio em Caçadores 8, em Elvas. Quando saiu da vida militar, esteve quase um ano desempregado, até que foi para a Herdade do Montinho, em São Bento de Ana Loura, trabalhar como abegão para o lavrador José de Matos Cortes. Ao todo eram cinco companheiros.
Trabalhou lá seis anos, sempre de sol a sol e aos sábados. O salário era 13$50 por dia, mais a comida. Quando de lá saiu, esteve quase um ano sem trabalhar, tirando um mês em que laborou como carpinteiro de cofragens, nas obras do Colégio de São Joaquim, em Estremoz. Seguidamente foi trabalhar como abegão para a Quinta do Leão, de D. Duarte Borges Coutinho. Aí tinha mais cinco companheiros a trabalhar consigo. Ganhava então 120$00 por mês, mais as comedorias mensais: cerca de 40 Kg de farinha para fazer pão, 15 queijos, azeite, linguiça, farinheira e toucinho que lá iam dando para as necessidades. Por ano, tinha ainda direito a duas carradas de lenha e podia semear para si, oito alqueires de aveia, dois de grão e um de favas.
Esteve na Quinta do Leão até 1962, ano em que foi para Évora, trabalhar para a construção civil, sector onde trabalhou também em Estremoz e Portalegre, por conta de vários construtores civis, sempre na procura de melhores condições de vida, até se reformar em 1991, com 65 anos de idade e 36 anos de trabalho de sol a sol, pois a vida era madrasta.
Actividade cívica
Pela sua postura, pela sua capacidade de empreendimento e de liderança cívica, António Canoa, foi sempre uma figura muito respeitada, não só em Veiros, como igualmente em S. Lourenço, para onde foi morar e onde vivia. De tal modo, que Jorge Maldonado, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz (1971-1974), o forçou contra sua vontade, a integrar a Junta de Freguesia, antes do 25 de Abril.
Lutador antifascista, participou em 1958 na campanha do General Humberto Delgado para a Presidência da República e nessa condição foi incomodado pela GNR. Quando Abril nos abriu as portas, o Partido Comunista foi o partido que escolheu com a sua vivência e o seu coração.
Por granjear o respeito e a estima da maioria dos seus conterrâneos, foi eleito pela CDU por duas vezes, sendo Presidente da Junta nos mandatos de 1977-1982 e de 1990-1993 e, ainda em vida, por decisão democrática dos seus conterrâneos, passou a ter na freguesia uma rua com o seu nome.
Balanço de uma vida
Fazendo um balanço da vida de António Canoa, é caso para dizer que aos 17 anos era já um abegão de corpo inteiro e nessa condição começou a trabalhar de sol a sol, para as grandes casas agrícolas do concelho de Estremoz. Da destreza das suas mãos nasceram carros, carroças e trens para o transporte de bens e pessoas, assim como alfaias agrícolas como arados e araveças, bem como trilhos, grades, pás, forquilhas, escadas, malhos, cangalhas, etc., etc. As matérias-primas eram o azinho, o freixo, o eucalipto e o choupo, que as suas mãos afeiçoavam com o auxílio de serras, machados, enxós, formões, martelos, arpoas e trados. E como abegão era um artista no sentido mais completo do termo. As suas obras eram decoradas com tintas confeccionadas com cores minerais já utilizadas pelos artistas rupestres de Lascaux e Altamira no Paleolítico, mas aqui diluídas em óleo e secante. O almagre, o zarcão, o azul do Ultramar e a terra de Sena, marcas identitárias das claridades do Sul, estavam sempre presentes no remate de obras nascidas das suas mãos mágicas de carpinteiro das grandes herdades.
Depois de se reformar, a ruralidade que continuava a transportar na alma e os bichos carpinteiros que lhe iam na massa do sangue, levaram-no a confeccionar numa escala reduzida, miniaturas de tudo aquilo que lhe saiu das mãos em tamanho natural e que cumpria as missões para que foi criado, nas fainas agro-pastoris da primeira metade do século XX e mesmo mais além.
Foram essas miniaturas que António Canoa, ex-abegão e artesão da ruralidade, residente em São Lourenço de Mamporcão, em 2012 mostrou ao público na Sala de Exposições da Associação Filatélica Alentejana, no Centro Cultural Dr. Marques Crespo, em Estremoz. Foi uma Mostra importante, não só pelo deleite da nossa vista, como pela importância de que se revestiu o facto de ela refrescar a memória do Alentejo do passado, das vivências e sentires da gente do campo.
António Canoa presente
António Canoa partiu. Todavia, perdurará nas nossas memórias e nos nossos corações, a lembrança do grande homem que foi e inevitavelmente uma grande saudade. Fica a sua obra de excepcional artesão da ruralidade. Trata-se de uma obra digna de figurar num museu antropológico que perpetue a sua memória e a memória dos campos. O mesmo há a dizer da sua oficina de abegão, a qual deverá ser preservada e divulgada. Assim haja coragem e clarividência para o fazer.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

19 - Uma questão de nomenclatura


 
Pastor debaixo da árvore (1948).
Mariano da Conceição (1903-1959).
Museu Rural de Estremoz.

Em crónica anterior (18 – Pastor das migas) referi-me a uma peça que mostra um pastor a comer debaixo de uma árvore. Trata-se de uma imagem do figurado de Estremoz que já era produzida pelos barristas locais no séc. XIX, como o documenta a existência de exemplares do Museu Municipal de Estremoz, do Museu Nacional de Etnologia e do Museu de Arte Popular, bem como em colecções particulares.
A bonequeira que confeccionou a figura que ilustrava aquela crónica foi Sabina Santos, que em “Tabela de Preços dos Bonecos de Estremoz”, mandada imprimir em 1976 pela Olaria Alfacinha, que comercializava os seus bonecos, designa aquele modelo por “PASTOR A COMER”. Segundo as Irmãs Flores, discípulas de Sabina Santos, de acordo com a concepção da Mestra, trata-se de um pastor a comer migas conservadas num tarro de cortiça. Daí que eu tenha utilizado a designação simplificadora “PASTOR DAS MIGAS”, denominação reservada por Sabina Santos para a figura de pastor que está a confeccionar migas.
A artesã Maria Luísa da Conceição, filha dos barristas Mariano da Conceição e Liberdade da Conceição, disse-me que, primeiro o pai e depois a mãe e ela própria, sempre designaram aquela figura por “PASTOR DEBAIXO DA ÁRVORE”. Segundo a concepção de seu pai e por elas partilhada, a imagem representa um pastor a comer grão conservado num tarro, argumentando que nas peças homólogas por eles manufacturadas, a superfície irregular do conteúdo do tarro simular grão e não migas, como no exemplar produzido por Sabina Santos.
É legítimo concluir que “PASTOR A COMER” e “PASTOR DEBAIXO DA ÁRVORE”, são uma e a mesma figura, à qual eu chamei “PASTOR DAS MIGAS”. Trata-se de nomenclaturas diferentes usadas por pessoas distintas. Como a barrística estremocense não é uma religião, nenhum dos nomes de baptismo constitui sacrilégio. Lá diz o rifão “O seu, a seu dono”. Mariano deu-lhe um nome e Sabina, que começou a trabalhar logo depois da morte do irmão, deu-lhe outro. E daí não advém mal nenhum, pois nenhum deles foi criador duma peça executada por barristas que os precederam desde o século XIX.
Quanto ao facto de o pastor de Mariano estar a comer grão e o de Sabina estar a comer migas, é natural que assim seja, pois como dissemos em crónica anterior (3 – Marcas de identidade), cada barrista tem o seu próprio modo de observar o mundo que o cerca e de o interpretar, legando traços de identidade pessoal nas peças que manufactura e que são marcas indeléveis que permitem identificar o seu autor. Aqui fica o esclarecimento que se impunha.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A nobreza obriga

Retrato de Mathilde de Canisy, Marquesa d’Antin (1738).
Jean-Marc Nattier (1685–1766). 
Óleo sobre tela (118 cm x 96 cm).
Musée Jacquemart-André, Paris.


No 84º aniversário de Brados do Alentejo

Um jornal está o serviço da comunidade onde se insere, a qual é diversificada e plural sob um ponto de vista social, económico, político e confessional.
Daí que desempenhe uma tripla função: publicitária, informativa e formativa.
Publicitar é divulgar anúncios de serviços ou marcas comerciais, bem como editais de entidades públicas. Tudo de uma forma clara e transparente, com indicação de que é publicidade, para não se iludir o público ao “vender gato por lebre”.
Informar é relatar acontecimentos ocorridos ou eventos futuros, mas sempre de uma forma imparcial. 
Formar é contribuir de uma forma pedagógica para a elevação do nível cultural, cívico e moral dos leitores. Para tal, um jornal tem colunistas perfeitamente identificados, que elaboram artigos de opinião, os quais não vinculam o jornal. As colunas podem ser polémicas ou consensuais e qualquer delas são igualmente legítimas. Numa sociedade democrática não se cometem delitos de opinião, porque eles não existem. Um colunista não tem que concordar com o director do jornal, nem com os outros colunistas. O único limite de uma coluna é a lei de imprensa e o estatuto editorial do jornal. Provavelmente alguns não gostarão deste figurino. Estão no seu direito. Não é fácil agradar a todos, ainda que o jornal seja um jornal plural.
O que um jornal não pode ser é uma correia de transmissão do poder, nem tão pouco um jornal de oposição ao poder. Para isso existem os jornais da oposição e um jornal plural é um serviço público no qual a comunidade no seu todo se deve rever.
Um jornal não pode ser também um pátio das cantigas onde se digam vulgaridades, nem tão pouco um lavadouro público onde se lave roupa suja. Um jornal deve contribuir sim, para a elevação do nível cultural, cívico e moral dos seus leitores. Sabem porquê? A nobreza obriga.



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Efemérides de Março (Nova versão)

31 de Março
A 31 de Março de 1821, após quase 300 anos de ter iniciado a sua actividade,
o Tribunal do Santo Ofício foi extinto, na sequência de uma decisão das cortes
gerais do reino. A Inquisição, estabelecida no país durante 285 anos, perseguiu
e condenou aqueles que considerava hereges ou seguidores de religiões que não
a católica. Instituída de forma permanente em 1536, a Inquisição Portuguesa,
tinha jurisdição sobre todas as colónias do país. Como tribunal aceitava
denúncias de desconhecidas e a confissão podia ser obtida através de tortura
física ou mental. O leque de penas aplicável era vasto e podia ser de carácter
espiritual, de prisão, de vexame público, perda de bens ou condenação à morte
pelo garrote ou pelo fogo. Só em 2004, o Papa João Paulo II (1920-.2005), pediu
perdão pelos abusos da Igreja cometidos durante os julgamentos da Inquisição.
AUTO-DE-FÉ PROMOVIDO PELA INQUISIÇÃO PORTUGUESA NA PRAÇA DO COMÉRCIO
EM LISBOA, ANTES DO TERRAMOTO DE 1755. GRAVURA ANÓNIMA DO SÉC. XVIII.
30 de Março
A 30 de Março de 1922, Gago Coutinho e Sacadura Cabral partem, de Lisboa,
a bordo do hidrovião monomotor Fairey F III-D MkII, especialmente concebido
para a viagem, equipado com motor Rolls-Royce e batizado “Lusitânia”. Sacadura
Cabral exercia as funções de piloto e Gago Coutinho as de navegador. Este último
criara e empregaria durante a viagem, um horizonte artificial adaptado a um sextante,
visando medir a altura dos astros, invenção que na época, revolucionou a navegação.
Dão, assim, início à primeira travessia aérea do Atlântico Sul.
29 de Março
A 29 de Março de 1520, El-Rei Manuel I de Portugal (1469-1521), o “Venturoso”, 
concede foral à terra, castelo e concelho de Celorico de Basto, o qual foi um dos
589 “forais novos” outorgados por D. Manuel no cumprimento de um amplo
programa reformista. Do foral consta: "Dom Manuel per graça de Deus Rey de
portugal e dos algarves daquem e dallem mar em affrica Senhor de guine e da
conquista e navegaçam e comercio da etyopia arabia persia e da india. A quantos
esta carta de foral dado pera sempre a terra castello e concelho de cellorico de
basto virem fazemos saber que por quanto na dita terra nom ouve foral..." .
28 de Março
A 28 de Março comemora-se o Dia Nacional da Juventude. Esta é uma das datas
mais significativas da história da luta da juventude portuguesa pela democracia,
pelos direitos dos jovens trabalhadores, pela paz e pela construção de um país
mais justo e progressista (Texto da responsabilidade da JCP).
27 de Março
A 27 de Março comemora-se o Dia Mundial do Teatro com o objectivo de promover
o Teatro junto das pessoas. Para tal, decorrem neste dia espectáculos teatrais
gratuitos ou com preços reduzidos e são relembrados os artistas e as obras mais
importantes da História do Teatro. A efeméride foi criada em 1961 pelo Instituto
Internacional do Teatro. 
26 de Março
 Por iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores, comemora-se no dia 26 de
Março o Dia do Livro Português, com o objectivo de assinalar a importância do
livro e da língua portuguesa na evolução do saber e do ser da Humanidade. A
data foi escolhida por ser o dia em que começou a ser impresso o primeiro livro
em Portugal: “Pentateuco” em hebraico. Este livro saiu, em 30 de Junho de 1487,
das oficinas do judeu Samuel Gacon na Vila-a-Dentro, em Faro. O primeiro livro
totalmente português foi impresso a 4 de Janeiro de 1497 no Porto: “Constituições
que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto”. Foi produzido pelo primeiro
impressor português Rodrigo Álvares.
25 de Março
Em 25 de Março de 1876 foi legalmente criado, com consentimento do rei
D. Luís I, o Partido Republicano Português. O DIRECTÓRIO DO PARTIDO
REPUBLICANO PORTUGUÊS: da esquerda para a direita: Celestino de Almeida,
Bernardino Machado, António Luis Gomes, António José de Almeida e Afonso Costa.
24 de Março
A 24 de Março comemora-se o Dia Nacional do Estudante, visando relembrar as
dificuldades e obstáculos que os estudantes enfrentaram na década de 60,
aquando a crise académica vivida em Portugal. Em Lisboa, as associações de
estudantes pretendiam comemorar o Dia do Estudante no final de Março. E,
mesmo sem autorização do Ministério da Educação Nacional, as comemorações
iniciaram-se a 24 de Março de 1962. A ditadura respondeu com a sua brutalidade
habitual. A cantina foi encerrada e a Cidade Universitária invadida pela polícia
de choque, ignorando a autonomia universitária. Estudantes foram espancados
e presos, desencadeando uma reacção de repúdio que levou a que fosse decretado
o luto académico e a greve às aulas. De tudo isto ficou a memória e a data: 24 de
Março, escolhida pela Assembleia da República quando em 1987 fixou o Dia do
Estudante como data celebrada pelo movimento estudantil, Pretende ainda apelar
à participação e mobilização dos estudantes em prol de um novo modelo de
educação: uma educação de e para todos, já que o direito à educação é um direito
basilar da nossa sociedade consagrado constitucionalmente. PLENÁRIO DE ESTUDANTES
NA CIDADE UNIVERSITÁRIA DE LISBOA, NO DECURSO DA CRISE ACADÉMICA DE 1962.
23 de Março
A 23 de Março de 1935 morre em Setúbal, a escritora, jornalista, pedagoga,
feminista e activista republicana, Ana de Castro Osório (1872-1935), pioneira
em Portugal na luta pela igualdade de direitos entre homem e mulher.
Escreveu, em 1905, “Mulheres Portuguesas”, o primeiro manifesto feminista
português. Foi uma das fundadoras do Grupo Português de Estudos Feministas
(1907), da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909), da Associação de
Propaganda Feminista (1912), da Comissão Feminina Pela Pátria (1916) e da
Cruzada das Mulheres Portuguesas (1916). É considerada a criadora da literatura
infantil em Portugal e colaborou em publicações periódicas como: A ave azul 
(1899-1900), Branco e negro (1896-1898), Brasil-Portugal (1899-1914), A Leitura
(1894-1896) e Serões (1901-1911).
22 de Março
A 22 de Março comemora-se o Dia Mundial da Água. A iniciativa deve-se à
Assembleia-Geral das Nações Unidas, por resolução de 22 de Dezembro de
1992, tomada no decurso da Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento e Ambiente que decorreu no Rio de Janeiro. A efeméride
visa alertar as populações e os governos para a urgente necessidade de
preservação e poupança deste recurso natural tão valioso, através da
implementação de medidas com vista à sua poupança, promovendo a sua
sustentabilidade. A gestão dos recursos de água tem impacto em múltiplos
sectores: saúde, produção de alimentos, energia, abastecimento doméstico
e sanitário, indústria e sustentabilidade ambiental. As alterações climáticas
repercutem-se nos recursos de água disponíveis: alterações atmosféricas como
tempestades, períodos de seca, chuva e frio afectam a quantidade de água
disponível e põem em risco os ecossistemas que asseguram a qualidade da água.
UM COSTUME FAVORITO (1909). Lawrence Alma-Tadema (1836 - 1912). Óleo sobre
madeira (66 × 45,1 cm). Tate Gallery , Londres. O quadro é uma representação
dos banhos Stabian, em Pompéia. Em primeiro plano, uma mulher de brincadeira,
salpica outra com água, no decurso do banho no "frigidarium", um banho frio.
21 Março
A 21 de Março comemora-se o Dia Mundial da Poesia. A efeméride visa suscitar
uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades
criativas de cada pessoa, celebrando a diversidade do diálogo, a livre criação de
ideias através das palavras, a criatividade e a inovação. O Dia Mundial da Poesia foi
criado na XXX Conferência Geral da UNESCO, a 16 de Novembro de 1999. RETRATO
 DE FERNANDO PESSOA (1954). Almada Negreiros (1893-1970). Óleo sobre tela
(201 x 201 cm). Museu da Cidade, Lisboa.
20 de Março
A 20 de Março de 1816, morre no Rio de Janeiro, D. Maria I (1734-1816), filha de
D. José (1714-1717) e de D. Mariana Vitória de Bourbon (1718-1781), que ficaria
conhecida pelo cognome de “A Pia”, em virtude da sua  extrema devoção religiosa à
Igreja Católica. O seu primeiro acto como rainha foi a demissão e exílio da corte do
Marquês de Pombal (1699-1782). Amante da paz e dedicada a obras sociais,
concedeu asilo a numerosos aristocratas franceses fugidos à Revolução Francesa
(1789-1799). O seu reinado foi de grande actividade legislativa, comercial e
diplomática, na qual se pode destacar o tratado de comércio que assinou com a
Rússia em 1789. Desenvolveu a cultura e as ciências, com o envio de missões
científicas a Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, e a fundação de várias
instituições, entre elas a Academia Real das Ciências de Lisboa (1779) e a Real
Biblioteca Pública da Corte (1796). No âmbito da assistência, fundou a Real Casa
Pia de Lisboa (1780). Fundou ainda a Academia Real de Marinha (1799) para
formação de oficiais da Armada. RETRATO DE D. MARIA I (1785-1810). Giuseppe
Troni (1739 – 1810). Óleo sobre tela (122 x 94 cm). Palácio Nacional de Queluz.
19 de Março
A 19 de Março comemora-se o Dia do Pai em Portugal. Coincide com o
dia de São José, marido de Maria, mãe de Jesus. A celebração da data
varia de país para país. Além de Portugal, também celebram o Dia do Pai no
dia 19 de Março, países como Espanha, Itália, Andorra, Bolívia, Honduras e
Liechstenstein. A efeméride visa fortalecer os laços familiares e o respeito
por aqueles que tal como as mães nos deram a vida.
18 de Março
A 18 de Março de 1900, morre com 33 anos na Foz do Douro, o poeta português
António Nobre (1867-1900), autor de "Só" e "Despedidas", cuja obra se insere nas
correntes ultra-romântica, simbolista, decadentista e saudosista (interessada na
ressurgência dos valores pátrios) da geração finissecular do século XIX português.
17 de Março
A 17 de Março de 1756, Bento XIV aprova a validade dos primeiros autos do
processo em curso para a canonização da Princesa Dona Joana (1452-1490),
filha de Dom Afonso V (1432-1481) e Dona Isabel de Avis (1432-1455) e que
já havia sido beatificada pelo papa Inocêncio XII (1615-1700) através da
“bula Sacrosancti Apostolatus cura”, de 4 de Abril de 1693. Tendo vindo de
Lisboa para Aveiro em 1472, com 20 anos de idade, viveu no Mosteiro de Jesus
até à morte (12 de Maio de 1490), onde os restos mortais jazem em magnífico
túmulo de mármores polícromos e são pólo de devoção. Foi declarada
oficialmente padroeira de Aveiro pelo papa Paulo VI (1897-1978), com as
honras  litúrgicas de um santo canonizado através de “breve Flos Sanctitatis”,
de 5 de Janeiro de 1965. RETRATO DA PRINCESA SANTA JOANA (2ª metade
do séc. XV). Óleo sobre madeira de carvalho (60 x 40 cm). Mestre português
desconhecido. Museu Regional de Aveiro.
16 de Março
A 16 de Fevereiro de 1825, nasce em Lisboa, Camilo Castelo Branco (1825-1890)
que seria escritor, romancista, jornalista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador,
poeta e tradutor. Foi ainda o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo
rei D. Luís (1838-1889). Camilo Castelo Branco foi, sem dúvida, um dos escritores
mais produtivos e importantes da literatura portuguesa.
15 de Março
A 15 de Março celebra-se o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, instituído por
John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), ex-presidente dos Estados Unidos da América,
a 15 de Março de 1962. Em Portugal, os direitos do consumidor estão consagrados
na Constituição da República Portuguesa e pela Lei de Defesa do Consumidor
(lei 24/96 de 31 de Julho). Mercado de Évora, 1954. Fotografia de Jean
Dieuzaide (1921-2003).
14 de Março
A 14 de Março de 1319 pela Bula Papal Ad ea ex-quibus” de João XXII (1249-1314),
que deste modo, acedia ao pedidos do rei Dom Dinis (1261-1325), é criada a Ordem
dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo, herdeira das propriedades e privilégios
da Ordem do Templo, de cujos bens Filipe IV de França (1268-1314) se pretendia
apoderar e que foi extinta pelo Papa Clemente V (1264-1314), em 1312. Em Maio
de 1219, numa cerimónia solene que contou com a participação do Arcebispo de
Évora, do Alferes-Mor do Reino,  D. Afonso de Albuquerque e de outros membros
da cúria régia, o rei Dom Dinis ratificou, em Santarém, a criação da nova Ordem.
Foi-lhe concedida como sede o castelo de Castro Marim, mas em 1357 já a sede
tinha sido instalada em Tomar, anterior sede templária. Os membros da Ordem,
desempenharam um papel significativo nos Descobrimentos, conquistas e
evangelização de novas terras, a partir da altura em que o Infante D. Henrique
(1394-1460), se tornou seu administrador. Com D. Manuel I (1469-1521), ficou
dependente da Coroa a partir de 1484. Em 1789 a Ordem de Cristo foi secularizada,
tornando-se uma ordem honorífica até sua extinção, em 1910, com a implantação
da República Portuguesa. A ordem viria a ser refundada em 1917 como Ordem
Militar de Cristo, visa premiar altos serviços militares ou civis e é presidida pelo
seu Grão-Mestre, o Presidente da República Portuguesa. PARTIDA DE VASCO DA
GAMA PARA A ÍNDIA EM 1497. Aguarela de Alfredo Roque Gameiro (1864-1935).
Nas velas dos navios, a Cruz de Cristo, símbolo da Ordem do mesmo nome
13 de Março
A 13 de Março de 1896 chega a Lisboa, Gungunhana (1839-1906), último imperador
do Império de Gaza, no território que actualmente é Moçambique, após ter sido
aprisionado a 28 de Dezembro de 1895 na aldeia fortificada de Chaimite, por
Mouzinho de Albuquerque (1855-1902). Foi primeiramente encarcerado em Monsanto,
 de onde mais tarde, a 23 de Junho de 1896, foi transferido para Angra do Heroísmo.
Aí aprendeu a ler e a escrever e foi convertido à força ao cristianismo e baptizado com
o nome de Reynaldo Frederico Gugunhana. A 23 de Dezembro de 1906, Gungunhana 
morreu no hospital militar de Angra do Heroísmo, vítima de hemorragia cerebral.
GUNGUNHANA COM AS SUAS SETE MULHERES, AINDA EM LOURENÇO MARQUES,
NO INÍCIO DE 1896.
12 de Março
A 12 de Março de 1261, D. Afonso III (1210-1279), “O Bolonhês”, concede
Carta de foral à vila de Monção. Com esta medida, o Rei procurava fazer
de um território que lhe pertencia, uma terra povoada e que pudesse ser
defendida dos ataques externos e das intromissões dos senhores.
11 de Março
A 11 de Março de 1988, as vilas de Fundão, Marinha Grande, Montemor-o-Novo
e Vila Real de Santo António foram elevadas à categoria de cidades. Este acto foi
testemunhado por muitos fundanenses, marinhenses, montemorenses e vila-realenses
na Assembleia da República. A partir desta data e através de uma geminação então
criada, estas cidades passaram a denominar-se “cidades irmãs”. O dia 11 de Março
ficou a ser comemorado, até hoje, como o dia de aniversário “das 4 cidades irmãs”,
que rotativamente é celebrado ano a ano em cada uma das cidades. 
10 de Março
A 10 de Março de 1826, morre em Lisboa, D. João VI (1767-1826), cognominado
“O Clemente”, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1816 a 1822,
de facto, e desde 1822 até 1825, de jure. Desde 1825 foi rei de Portugal até sua
morte, em 1826. Pelo Tratado do Rio de Janeiro de 1825, que reconhecia a
independência do Brasil do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, também foi
o imperador titular do Brasil, embora tenha sido seu filho Pedro, o imperador do Brasil,
de facto. RETRATO DE D.JOÃO VI (c. 1820). Simplício Rodrigues de Sá (1785–1839).
Óleo sobre tela (83 cm x 70 cm). Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil.
9 de Março
A 9 de Março de 1500, parte, de Lisboa, com destino à Índia, uma frota comandada
por Pedro Álvares Cabral, constituída por dez naus, três caravelas e uma naveta de
mantimentos.  A rota mais alargada que efectuaram acaba por levar à descoberta
do Brasil, o que aconteceu a 22 de Abril do mesmo ano. PARTIDA DE PEDRO ÁLVARES
CABRAL PARA O BRASIL, DESPEDINDO-SE DE D. MANUEL I - Nota Banco de Portugal:
100.000Réis Ouro-30/09/1910, ch.2  s/República – Pick111. No reverso sobre a Coroa das
armas reais a palavra “REPÚBLICA” a preto. Retirada de circulação em 8 de Outubro de 1926.
 8 de Março
A 8 de Março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, por proclamação
da ONU de Dezembro de 1977, visando lembrar as conquistas sociais, políticas e
económicas das mulheres. MULHER COM VÉU. Jaime Martins Barata (1899-1970).
Óleo sobre tela.
7 de Março
 A 7 de Março de 1842, estreia-se em Lisboa, o drama de Almeida Garrett
(1799-1854), "O Alfageme de Santarém". “Drama histórico em cinco actos, de
Almeida Garrett, cuja acção se desenrola em Santarém, tendo como pano de
fundo a crise política de 1383-1385. O Alfageme mencionado no título é Fernão
Vaz, um espadeiro enriquecido à custa do trabalho digno, que possui o dom de
polir e temperar as espadas invencíveis, a quem o condestável D. Nuno Álvares
Pereira se dirige, na véspera de se juntar em Lisboa ao Mestre de Avis. Escrita
ainda antes da chegada ao poder de Costa Cabral, a obra visaria, segundo Teófilo
Braga, projectar a luz moral desse episódio heróico da história portuguesa sobre
o momento presente, testemunhado por Garrett, denunciando a ameaça da
sujeição da Rainha D. Maria II (no drama, D. Leonor Teles) aos interesses da
facção conservadora (o partido do Conde Andeiro). A representação da peça foi,
de facto, proibida no Teatro da Rua dos Condes; o drama foi impresso em 1842,
representado por particulares, e só voltou à cena em 1846, já terminada a
ditadura de Costa Cabral” - Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-03-07
12:05:25]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/$o-alfageme-de-santarem .
TEATRO DA RUA DOS CONDES ( s.d.) ilustração de Manuel de Macedo em “O Occidente”,
01-07-1882.
6 de Março 

A 6 de Março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório,
em Lisboa, realiza-se a Assembleia que elege a Direcção do PCP. Estava fundado
o Partido Comunista Português. Sucessor da Federação Maximalista (Setembro de
1919), resultava da cisão com as correntes anarquista e socialista.
5 de Março
A 5 de Março de 1917, morre em Lisboa, Manuel de Arriaga (1840-1917),
advogado, professor, escritor e político de origem açoriana. Grande orador e
um dos principais ideólogos do Partido Republicano Português. A 24 de Agosto
de 1911 tornou-se no primeiro presidente eleito da República Portuguesa,
sucedendo na chefia do Estado ao Governo Provisório presidido por Teófilo
Braga (1843-1924). Exerceu aquelas funções até 29 de Maio de 1915,1 data
em que foi obrigado a demitir-se , sendo substituído no cargo por Teófilo Braga,
que como substituto completou o tempo restante do mandato. RETRATO
DE MANUEL DE ARRIGA – Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929).
Museu da Presidência da República, Lisboa.
4 de Março
A 4 de Março de 1394, nasce na casa da Alfândega Velha da cidade do Porto,
o Infante D. Henrique (1394-1460), filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre,
quinto na ordem de genitura e terceiro entre os que tiveram biografia. Foi sob
a égide do Infante que teve lugar a primeira fase da expansão marítima portuguesa
de que ele foi o mentor, o impulsionador e o financiador. PAINEL DO INFANTE
(1445) - Pintura a óleo e têmpera sobre madeira (207 x 128 cm), pertencente à obra
“Painéis de São Vicente de Fora”, composta por 6 painéis e criada por Nuno
Gonçalves (c. 1420 - c. 1490). Foi descoberta em finais do século XIX na Igreja de São
Vicente, em Lisboa. Encontra-se exposta no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa.
3 de Março
A 3 de Março de 1803 é fundado o Colégio Militar, então em regime de internato
masculino. Sediado em Lisboa, é actualmente frequentado por cerca de 440
alunos do 1.º ao 12.º anos, em regime de internato masculino e externato misto.
Admite filhos de militares e civis, a quem oferece o currículo escolar do Ministério
da Educação, complementado pelas disciplinas obrigatórias de Instrução Militar,
Equitação e Esgrima.
2 de Março
A 2 de Março de 1947, morre, em Lisboa, o poeta, ensaísta e editor, Luís de
Montalvor (1891-1947), pseudónimo de Luís da Silva Ramos. Pertenceu ao grupo
modernista, tendo sido um dos fundadores da revista “Orpheu” e colaborador
das revistas “Atlântida” (1915-1920), “Contemporânea” [1915]-1926),  “Exílio”
(1916), “Seara Nova” (1921- ), “Athena” (1924-1925),  “Presença” (1927-40),
“Sudoeste” (1935) e “Cadernos de Poesia” (1940-1953). Fundou em 1930 a
Editora e Livraria Ática, onde iniciou a publicação e divulgação das obras
completas de Fernando Pessoa e de Mário de Sá-Carneiro. A sua poesia,
publicada duma forma dispersa, foi coligida postumamente, em 1960, e
revela uma íntima conexão com uma estética decadentista-simbolista.
Numa abordagem mais modernista, publicou “Noite de Satan” e “A Caminho”,
e, em colaboração com Diogo de Macedo, “A Arte Indígena Portuguesa” (1935).
LUÍS DE MONTALVOR E  FERNANDO PESSOA.
1 de Março
A 1 de Março de 1926, morre em Macau, vítima de tuberculose pulmonar, a que
não será estranho o uso excessivo de ópio, o advogado, professor e poeta Camilo
Pessanha (1867-1926), autor do livro de poemas “Clepsidra” (1920), considerado
o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa, apreciado por poetas
como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Ana de Castro Osório. FOTOGRAFIA
DE CAMILO PESSANHA - Man Frook, Macau.