quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Efemérides de Fevereiro (Nova versão)

29 Fevereiro
Por alvará de 29 de Fevereiro de 1796, é criada a Real Biblioteca Pública da
Corte, visando o acesso do público em geral ao seu acervo, contrariando a
tendência europeia de disponibilizar apenas a clérigos e sábios, os tesouro
manuscrito e impressos das bibliotecas reais.
28 Fevereiro
No dia 28 de Fevereiro comemora-se O Dia Mundial das Doenças Raras, o qual
é comemorado em mais de 60 países e pretende alertar e consciencializar a
população para a existência deste tipo de doenças e para as dificuldades que
os doentes enfrentam. Designam-se por doenças raras aquelas que afectam
um pequeno número de pessoas quando comparado com a população em geral
e são levantadas questões especificas relativamente à sua raridade. Na Europa,
uma doença é considerada rara quando afecta 1 em 2.000 pessoas. Uma doença
pode ser rara numa região, mas comum noutra (como é o caso da Lepra).
Segundo o Portal da Saúde, em 2011 conheciam-se cerca de sete mil doenças
raras, estimando-se a existência de muitas mais, que afectavam entre seis a oito
por cento da população na União Europeia – entre 24 e 36 milhões de pessoas.
Regularmente são descritas novas doenças raras na literatura médica. As doenças
raras mais frequentes são as genéticas, mas existem outras como as doenças
infecciosas muito raras, as doenças auto-imunes e cancros raros. São doenças
crónicas e progressivas graves, muitas vezes com risco de vida. Os doentes
afectados por estas doenças enfrentam problemas de acesso ao diagnóstico,
falta de conhecimentos científicos e médicos e consequente dificuldade ou
inexistência de tratamento, informação e acompanhamento. (Texto da
responsabilidade dos Serviços Sociais da Administração Pública).
27 de Fevereiro
A 27 de Fevereiro de 1500, nasce D. João de Castro (1500-1548), que seria
cartógrafo e administrador colonial português. Foi governador e capitão general,
13.º governador e 4.º vice-rei do Estado Português da Índia (1545-1548).
RETRATO DE D. JOÃO DE CASTRO (1561). Gravura a buril e água-forte de Lucas
Vorsterman (1595–1675), pertencente à Sociedade Martins Sarmento, Guimarães.
26 de Fevereiro
A 26 de Fevereiro de 1883, morre em Lisboa, Miguel Ângelo Lupi (1826-1883),
professor de pintura histórica na Academia de Belas Artes de Lisboa e um dos
mais destacados pintores portugueses da época romântica. MIGUEL ÂNGELO LUPI –
retrato de Rochini. Revista Occidente, Volume VI, Nº 153 de 21 de Março de 1883.
25 de Fevereiro
A 25 de Fevereiro de 1855, nasce em Lisboa, o poeta Cesário Verde (1855-1886),
que morre prematuramente com 31 anos de idade, vítima de tuberculose. No ano
seguinte Silva Pinto organiza “O Livro de Cesário Verde”, compilação da sua poesia
publicada em 1901. Ao retratar a Cidade e o Campo, que são os seus cenários
predilectos, no seu estilo delicado, Cesário empregou técnicas impressionistas,
com extrema sensibilidade.
24 de Fevereiro 
A 24 de Fevereiro de 1777, morre D. José I (1714 - 1777), O Reformador, que
reinou desde 1750 até à sua morte, sendo o seu reinado marcado pelas políticas
do seu primeiro-ministro, o Marquês de Pombal (1699-1782), que reorganizou
as leis, a economia e a sociedade portuguesas, transformando Portugal num país
moderno. D.JOSÉ I (c.1773) - Pintura a óleo de Miguel António do Amaral
(1710 - 1780). Museu Hermitage,  São Petersburgo.
23 Fevereiro

A 23 de Fevereiro de 1987 morre em Setúbal, José Manuel Cerqueira Afonso dos
Santos, conhecido por Zeca Afonso (1929-1987), poeta, compositor e cantor
português cuja canção “Grândola, Vila Morena", utilizada como senha pelo
MFA se transformou em símbolo da revolução de Abril.
22 de Fevereiro
A 22 de Fevereiro comemora-se o Dia Europeu da Vítima do Crime. Este dia foi
instituído pelo fórum europeu Victim Support Europe, que reúne serviços de
apoio à vítima de crime em mais de 21 países europeus e visa  recordar os
direitos de quem é vítima de crime.
21 de Fevereiro
A 21 de Fevereiro, comemora-se O Dia Internacional da Língua Materna, data
instituída em 17 de Novembro de 1999 no decurso da 30ª sessão da Conferência
Geral da UNESCO, com a finalidade de promover o multilinguismo e a diversidade
linguística e cultural. A data é comemorada anualmente pelos estados membros da
UNESCO.
20 de Fevereiro

A 20 de Fevereiro comemora-se desde 2009, o Dia Mundial da Justiça Social.
A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas, face à
necessidade de promover esforços para enfrentar situações como a pobreza,
a fome, o desemprego e a exclusão social, Com este dia, a Assembleia
"reconhece a necessidade de consolidar os esforços da comunidade
internacional na batalha pela erradicação da pobreza, promovendo o pleno
emprego e trabalho digno, a igualdade entre géneros e o acesso ao bem
estar social e à justiça para todos". 
19 de Fevereiro
A 19 de Fevereiro de 1975, morre em Lisboa, o arquitecto Francisco Keil do Amaral
(1910-1975), fundador da moderna arquitectura paisagística portuguesa, autor de
projectos relevantes, entre os quais, do parque de Monsanto (1942), do aeroporto
de Lisboa (1942),  do Parque Eduardo VII (1948), da Feira das Indústrias de Lisboa
(1951) e da rede do Metropolitano de Lisboa (1959). FRANCISCO KEIL DO AMARAL. 
18 de Fevereiro
A 18 de Fevereiro de 1850, Almeida Garrett (1799-1854), Alexandre
Herculano (1810-1877), Latino Coelho (1825-1921), Lopes de Mendonça
(1826-1865) e José Estêvão (1809-1862), subscrevem um manifesto
público contra a proposta de Lei de Imprensa do Governo de Costa
Cabral (1803-1899), a chamada "lei das rolhas", que viria a ser aprovada
a 3 de Agosto. ALMEIDA GARRETT, ALEXANDRE HERCULANO E JOSÉ
ESTEVÃO DE MAGALHÃES. Pormenor de óleo sobre tela, concluída em
1926 por Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Passos Perdidos,
Assembleia da República.
17 de Fevereiro
A 17 de Fevereiro de 1927 tem lugar em Lisboa, uma manifestação de apoio ao
governo da Ditadura Nacional. A manifestação foi organizada por dois movimentos
civis: a “Confederação Académica da União Nacional” e a “Milícia Lusitana”,
contando com o apoio do jornal “Correio da Manhã” (órgão monárquico) e de
A Voz” (órgão católico). A manifestação surgiu no rescaldo das goradas
revoltas militares contra a ditadura, ocorridas no Porto (3 de Fevereiro) e
em Lisboa (7 de Fevereiro).
16 de Fevereiro
A 16 de Fevereiro de 1931 surge o Movimento Renovação Democrática, no qual
se destacava o filósofo, escritor e crítico Álvaro Ribeiro (1905-1981). “O movimento
da Renovação Democrática, embora não tivesse alcançado grande projecção, reuniu,
no seu seio, os mais importantes intelectuais da época, assumindo-se, em pleno
exercício da ditadura de Salazar, como Movimento socializante, laico, reformista e
republicano, anti liberal e anti corporativo, que em termos doutrinais, queria continuar
a desbravar o caminho iniciado pelo escol da Renascença Portuguesa. Os principais
proponentes do Movimento da Renovação Democrática foram Pedro Veiga, Álvaro
Ribeiro, António Alvim e Eduardo Salgueiro que assinaram em Lisboa, em 1932, a sua
carta de apresentação. Contudo, desde a primeira hora, o Movimento contou com a
colaboração de destacados membros como José Marinho, Delfim Santos, Mário de
Castro, Domingos Monteiro, Lobo Vilela, entre outros. Os filósofos e ideólogos do
Movimento democratista foram Álvaro Ribeiro, José Marinho e Delfim Santos, que,
efectivamente, pertenceram ao escol que a primeira Faculdade de Letras da
Universidade do Porto teve o raro privilégio de ajudar a formar. O grande ideólogo
desta faculdade foi o seu fundador, o filósofo criacionista Leonardo Coimbra.
Afirmando-se como movimento social e político, a Renovação Democrática suportou
a acção reformista a que se propunha nos três Manifestos que lançou, respectivamente,
no campo da organização política, no campo da organização económica e no campo
da organização pedagógica que, no entender dos seus membros, mais convinham a
Portugal”. (Texto transcrito com a devida vénia de “O PROJECTO DE REFORMA DO
ENSINO SUPERIOR NO MOVIMENTO DA RENOVAÇÃO DEMOCRÁTICA (1932). Artur
Manso Universidade do Minho – IEP in Actas do IX Congresso Internacional
Galego-Portugués de Psicopedagoxía – 2007”). ÁLVARO RIBEIRO.
15 de Fevereiro
A 15 de Fevereiro de 1931 começa a publicação clandestina do “Avante”, órgão
oficial do Partido Comunista Português. De acordo com o website deste partido
“O «Avante!» foi o jornal comunista clandestino que em todo o mundo, durante
mais tempo, foi sempre produzido no interior de um país dominado por uma
ditadura fascista. Durante décadas – de 15 de Fevereiro de 1931 ao 25 de Abril
de 1974 – o órgão central do PCP orientou e mobilizou as lutas da classe operária
e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra o capital e
contra o regime fundado por Salazar e prosseguido por Caetano, orientou e
mobilizou sectores democráticos que perfilharam, com os comunistas, uma
política de unidade antifascista visando o derrubamento da ditadura terrorista
dos monopólios e dos latifúndios aliados ao imperialismo e a conquista da
liberdade e da democracia”. AVANTE!, SÉRIE I, N.º 1 (15 FEV. 1931).
14 de Fevereiro


A 14 de Fevereiro comemora-se o Dia de São Valentim, sacerdote cristão e
mártir que teria sido morto a 14 de Fevereiro de 269 d.C., por realizar
casamentos em sigilo absoluto, violando um decreto do imperador romano
Claudius II, que proibia os casamentos, para assim angariar mais soldados
para as suas frentes de batalha. São Valentim tornou-se assim o patrono
dos namorados e o Dia de São Valentim é considerado o Dia dos Namorados.
13 de Fevereiro
A 13 de Fevereiro de 1668, D. Pedro II (1683-1706) de Portugal e Carlos II de
Espanha (1665-1700), subscrevem o chamado “Tratado de Lisboa de 1668”,
no qual é reconhecida a total independência de Portugal, pondo assim fim à
Guerra de Restauração. Esta consistiu num conjunto de confrontos armados
travados entre os reinos de Portugal e Espanha, com excepção do principado
da Catalunha, no período compreendido entre 1640 e 1668. Os confrontos
tiveram início no golpe de estado da Restauração da Independência de 1 de
Dezembro de 1640, que pôs termo à monarquia dualista da Dinastia Filipina,
iniciada em 1580. A Guerra da Restauração arrastou-se por 28 anos, tendo
sido travadas as seguintes batalhas, todas elas vitoriosas para o exército
português: Montijo (1644), Arronches (1653), Linhas de Elvas (1659),
Ameixial (1663), Castelo Rodrigo (1664), Montes Claros (1665).
EMTRADA DO EXERCITO DEL REY DE CASTELLA, GOVERNADO POR
D. IOAM DE AVSTRIA, NO REINO DE PORTVGAL, COM SETTE MIL CAVALLOS,
DOZE MIL INFANTES E VINTE PESSAS DE ARTILHARIA. Excerto de gravura a
água-forte (32,5 cm x 49,5 cm), descritiva da Batalha do Ameixial datada
do séc. XVII (entre 1663 e 1670). Biblioteca Nacional, Lisboa.
12 de Fevereiro
A 12 de Fevereiro de 1949, o general Norton de Matos (1867-1955), que tinha
obtido vastos apoios populares e de membros da oposição, retira a candidatura
à Presidência da República Portuguesa, por não obter de Oliveira Salazar
(1899-1970) a garantia de eleições justas, uma vez que não existia liberdade de
propaganda, nem estava assegurada a fiscalização de votos. As eleições seriam
ganhas pelo candidato único do regime, marechal Óscar Carmona (1869-1951).
11 de Fevereiro
A 11 de Fevereiro, assinala-se o Dia Mundial do Doente, efeméride instituída a 11
de Fevereiro de 1992, pelo Papa João Paulo II (1920-2005). A MULHER DOENTE
(1663-66) – Jean Steen (1626-1679) . Óleo sobre tela (76 cm x 64 cm).
Rijksmuseum, Amsterdam.
10 de Fevereiro
A 10 de Fevereiro de 1502, Vasco da Gama (c. 1460-1524), "Almirante dos
Mares da Arábia, Pérsia, Índia e de todo o Oriente" comanda uma armada
que parte de Lisboa, rumo à Índia, quatro anos após a primeira viagem,
na sequência da qual alcançara benesses reais: doação da vila de Sines;
direito a usar o título de Dom; tença de trezentos mil réis anuais, para si
e para os descendentes; e muitas outras... Finalmente, em 1519, ser-lhe-á
atribuído o título de Conde da Vidigueira. A missão da segunda expedição
portuguesa à Índia é controlar o comércio marítimo da Costa do Malabar,
recorrendo a todos os meios que fossem necessários. PARTIDA DE VASCO DA
GAMA PARA A ÍNDIA EM 1497. Aguarela de Alfredo Roque Gameiro (1864-1935).
9 de Fevereiro
A 9 de Fevereiro de 1857, D. Pedro V (1837- 1861) autoriza a instalação em
Portugal da Congregação de São Vicente de Paulo, pela Sociedade Protectora
dos Órfãos Desvalidos.
8 de Fevereiro
A 8 de Fevereiro de 1840, o escritor e dramaturgo romântico, orador, par do
reino, ministro e secretário de estado honorário, Almeida Garrett (1799-1854),
na Câmara dos Deputados, na discussão da "Resposta ao Discurso da Coroa",
em resposta a José Estêvão (1809-1962), profere o célebre discurso do Porto
Pireu, em defesa do pensamento liberal e do Governo de José Lúcio Travassos
Valdez (1787-1862), Conde de Bonfim.  Litografia de Pedro Augusto
Guglielmi. Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa.
7 de Fevereiro
A 7 de Fevereiro de 1952 morre em Lisboa, o poeta, professor e pedagogo Sebastião
da Gama (1924-1952), natural de Azeitão. Licenciado em Filologia Românica,
foi professor do Ensino técnico em Lisboa, Setúbal e Estremoz. Atingido pela
tuberculose, foi viver para a Arrábida a conselho médico. A sua obra
encontra-se ligada à Serra da Arrábida, onde vivia e que tomou por motivo
poético de primeiro plano e à sua tragédia pessoal, motivada pela doença que
o vitimou precocemente. OBRAS: Serra-Mãe (poesia, 1945); Loas a Nossa
Senhora da Arrábida (poesia, 1946); Cabo da Boa Esperança (poesia, 1947);
O Segredo é Amar (1969); A Região dos Três Castelos (prosa, 1949); Campo
Aberto (poesia, 1951); Pelo Sonho é que Vamos (1953); Diário (1958); Itinerário
Paralelo (compilação de David Mourão-Ferreira, 1967); Cartas I (1994). 
6 de Fevereiro
A 6 de Fevereiro de 1608, nasce em Lisboa, António Vieira (1608-1697), que viria
a ser religioso da Companhia de Jesus, filósofo, orador e escritor, considerado uma
das personalidades mais influentes do século XVII, tanto no domínio da política,
como da oratória. Evidenciou-se como missionário no Brasil, onde defendeu
infatigavelmente os direitos dos povos indígenas, impulsionando a sua
evangelização, combatendo a sua exploração e escravização e defendendo a
abolição da escravatura. Defendeu também os judeus e, em particular, a abolição
da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos. Criticou ainda, energicamente,
os sacerdotes do seu tempo e a própria Inquisição. Em termos literários, os seus
sermões são de enorme importância, quer no barroco brasileiro, quer no português.
PADRE ANTÓNIO VIEIRA – Óleo sobre tela (680 x 1280 mm)  de autor desconhecido
do início do séc. XVIII. Casa Cadaval, Muge.
5 de Fevereiro
A 5 de Fevereiro de 1985 nasce no Funchal, Cristiano Ronaldo, considerado
o melhor jogador do mundo de todos os tempos.
4 de Fevereiro
No dia 4 de Fevereiro comemora-se O Dia Mundial da Luta Contra o Cancro. A
celebração do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro baseia-se na Carta de Paris,
aprovada em 4 de Fevereiro de 2000, na Cimeira Mundial Contra o Cancro para
o Novo Milénio. A Carta apela à aliança entre investigadores, profissionais de
saúde, doentes, governos e parceiros da indústria no âmbito da prevenção e
tratamento desta doença. O cancro é uma das principais causas de morte no
mundo. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em
2011 o cancro foi a causa de morte de 25.593 pessoas em Portugal, o que
representou cerca setenta casos por dia e três por hora, números que se
constatam estarem a aumentar. Embora as taxas de sobrevivência em alguns
cancros estejam a registar um aumento significativo, o número de novos casos
tem sido tão elevado que a mortalidade não consegue recuar. Alguns dos
cancros com maior indicie de mortalidade em Portugal são os do recto, cólon,
ânus, pulmão, brônquios e laringe. Este dia mundial tem como objectivo
consciencializar sobre a doença e desmistificar algumas ideias pré-concebidas
e até falsas sobre o cancro, reforçar a informação sobre a prevenção e
diagnóstico precoce e esclarecer sobre os diversos tipos de tratamento
(Texto da responsabilidade dos Serviços Sociais da Administração Pública).
3 de Fevereiro
A 3 de Fevereiro de 1771, terminam os Autos-de-fé públicos em Portugal.
Auto-de-fé promovido pela Inquisição Portuguesa na Praça do Comércio em
Lisboa, antes do terramoto de 1755.Gravura anónima do séc. XVIII. 
2 de Fevereiro
A 2 de Fevereiro de 1502 nasce em Alenquer, o humanista e historiador português
Damião de Góis (1502-1574), personalidade proeminente do Renascimento em
Portugal. DAMIÃO DE GÓIS – Gravura de Albrecht Dürer (1471-1528).
1 de Fevereiro
A 1 de Fevereiro de 1908, D. Carlos I (1863-1908) de Bragança e o príncipe
herdeiro D. Luís Filipe (1887-1908), sucumbem no regicídio, no Terreiro do
Paço, em Lisboa. D. Manuel II (1889-1932), o outro filho de D. Carlos I e de
Dona Amélia de Orleães (1865-1931), sobe ao trono a 6 de Maio de 1908.
O REGICÍDIO – Cromo (83 mm x 60 mm) da colecção de cromos “História de
Portugal”. Ilustração de Carlos Alberto, representando o assassinato do rei
D. Carlos e do príncipe real D. Luís Filipe, por dois membros da Carbonária,
organização revolucionária republicana.














































































































































































































































































































































































































































































































































































































terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Um novo rumo para o país

As Promessas (1993).
José Malhoa (1855-1933).
Óleo sobre tela (59 cm x 72 cm).
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.


A minha postura
Aposentei-me da Escola Secundária da Rainha Santa Isabel há seis anos, tal como entrei trinta e seis anos antes: de cabeça erguida. Atingi o topo da carreira, na qual nunca fui um actor passivo, tendo pelo contrário, sido sempre interveniente e procurando dar resposta aos desafios que me eram colocados em cada instante, muitas vezes para além daquilo que seria humanamente expectável. É certo que saí mais velho, mas também mais sábio, pela valorização profissional ali adquirida, pela partilha de saberes com os restantes membros da comunidade escolar e pelas pontes inter-disciplinares concretizadas com colegas doutras áreas.
Saí feliz, pelo contributo pessoal e desinteressado à formação pessoal de jovens, que vi crescer nos múltiplos aspectos do seu “eu” e que são hoje, homens e mulheres de corpo inteiro, que pela sua motivação e capacidade de realização, alcançaram êxito nas actividades profissionais em que se empenharam e singraram.
O estatuto de professor
Quando ingressei na Escola em 1972, o Professor era uma figura prestigiada, tal como o Padre ou o Médico. Destes todos, só resiste actualmente a figura do Padre e não serão todos. A figura do Professor vale menos que um chinelo velho, graças ao tratamento de polé a que tem sido submetido pelos sucessivos governos dos partidos do arco da governação.
O estatuto de aposentado
Durante 36 anos descontei para a Caixa Geral de Aposentações, cumprindo as regras em vigor, visando o retorno, quando saísse do activo. Foi dinheiro vivo, que me saiu do corpo, que é património meu e que descontei durante 36 anos seguidos, para mais tarde o vir a receber. Pelo menos, era aquilo que era tido como certo. Todavia, sucessivos governos dos partidos do arco da governação, administraram mal os dinheiros públicos, umas vezes duma forma irresponsável caracterizada pelo despesismo e doutras vezes, até mesmo duma forma criminosa. Por isso, nós os aposentados, estamos a ser vítimas de cortes nas pensões e não queremos contribuir para tal saque. Pelo contrário, queremos que sejam responsabilizados e julgados os (ir)responsáveis dos partidos do arco da governação, culpados pelo estado das finanças públicas.
Entendemos, de resto, que é necessário um novo rumo para o país. Assim o exige a elevada taxa de desemprego, a desvalorização dos salários e pensões, a corrupção, a crise na Justiça, o avanço da exploração, o ataque à Escola Pública, à Administração Pública, à negociação colectiva, ao Serviço Nacional de Saúde e à Segurança Social.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Je suis Charlie




O ataque terrorista perpetrado hoje pelas 11 horas, contra a redacção da revista satírica Charlie Hebdo em Paris e dirigido a jornalistas e cartoonistas do semanário, originou doze mortos e onze feridos. Tratou-se de um ignóbil atentado contra o direito de opinião, o debate público e a liberdade de imprensa, que são pilares da democracia.
Só uma atitude é possível: o repúdio pelo ataque, uma homenagem às vítimas e a luta incondicional pela liberdade de imprensa. Digamos, pois todos:

- JE SUIS CHARLIE! 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

16 – Os apitos da Maria Inácia



Amazona.
Maria Inácia Fonseca (1957- ). 
Colecção particular.


Maria Inácia Fonseca, a mais velha das Irmãs Flores, começou a trabalhar com Sabina Santos em 1972, quando tinha apenas 15 anos. Na oficina de Sabina, situada na rua Brito Capelo, trabalhava já Fátima Estróia, pelo que dividiam entre si o trabalho: Fátima preparava os componentes de cada boneco que Sabina armava e Maria Inácia pintava depois de cozidos na Olaria Alfacinha. Ali não se faziam apitos, os quais eram criados e decorados na Olaria por Diocleciano da Conceição (Duque Alfacinha).
Em 1975, Diocleciano deixa de fazer os apitos, pelo que Sabina encarrega Maria Inácia de os confeccionar à noite em casa. Produzia dez em cada serão, os quais depois de cozidos eram também por si pintados. Constituíam um trabalho extra pago à peça.
As figuras representadas nos apitos, em número de quinze, são de dois tipos: Figuras a cavalo (Peralta a cavalo, Sargento a cavalo e Amazona) e figuras a pé (Peralta, Sargento, Senhora, Galo, Galo no disco, Galo na árvore, Galo no pinheiro, Galo no arco, Cesto com ovos, Galinha no choco, Galo no poleiro e Pomba). Em qualquer delas, o todo foi criado a partir das partes, recorrendo a três geometrias distintas: a bola, o rolo e a placa.
As figuras a cavalo têm base rectangular e o apito está localizado na cauda do cavalo. Um rolo de barro foi aí colado com barbutina e depois furado com um arame grosso da base exterior do rolo para o interior, até cerca de metade do comprimento. Na parte superior do rolo foi depois efectuado outro furo, até encontrar o primeiro.
As figuras a pé têm uma base em forma de menisco convexo, onde está inserido o tubo de sopro. Numa primeira fase, Maria Inácia monta e fura este tubo, tal como o faz para as figuras a cavalo. Numa segunda fase introduz uma técnica diferente: o menisco convexo passa a ser mais alto e dele por estiramento numa determinada direcção, resulta o indispensável tubo, que é furado da maneira anterior.
As marcas de autor de Maria Inácia são de três tipos:
Tipo 1 - Carimbo OLARIA ALFACINHA/ESTREMOZ/PORTUGAL, com a marca distribuída por 3 linhas e ocupando uma superfície de 1 cm x 2,8 cm. Usado entre 1976 e 1980.
Tipo 2 - Marca manuscrita MARIA/INÁCIA/ESTREMOZ, com caracteres maiúsculos e em itálico, distribuída por três linhas. Usada entre 1980 e 1988.
Tipo 3 - Marca  manuscrita Maria/Inácia /Estremoz, com iniciais maiúsculas e distribuída por três linhas, com um traço separador entre ´”Inácia” e “Estremoz”. Usada entre 1980 e 1988.

 
  Tipo 1.
 
Tipo 2
  Tipo 3

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Entre o brincar e o mentir



A lição (c. 1876).
Norbert Goeneutte (1854-1894).
Óleo sobre tela (52 x 45 cm).
Colecção particular.

Ao Poeta
Fernando J. B. Martinho,
meu antigo Director.  


Uma brincadeira
Vou-vos contar uma história do “Tempo da Outra Senhora”. É uma história singela, de quem em 36 anos de carreira, passou 34 na Escola Secundária de Estremoz. O meu ingresso começou por ser uma brincadeira. Num sábado de manhã, no início do ano lectivo, estava eu sentado na esplanada do Café Alentejano, quando chega a namorada de um amigo meu, a qual vinha preencher um horário vago. Eu, com algumas cadeiras por terminar na Universidade, estava ali no Café, a espairecer. Ela, então, meteu-se comigo, perguntando-me:
- Porque é que em vez de estares a viver à custa dos teus pais, não procuras também, preencher um horário na Escola?
Nunca tal me passara pela cabeça, pois nunca pensara em ser Professor. À laia de me ver livre dela, disse-lhe assim:
- Diz lá ao Director que se tiver algum horário disponível, me telefone aqui para o Café.
Então não é que o bom do homem me telefona daí a um quarto de hora, dizendo:
- Senhor doutor, tenho aqui um horário de Matemática, que está disponível. Se estiver interessado venha, faz a apresentação às turmas de hoje e ganha já o fim-de-semana.
Fiquei sem pinga de sangue, mas o que havia eu de fazer? Não podia voltar com a palavra atrás. Foi assim que me tornei Professor daquela Escola. Foi uma brincadeira imprevista que preencheu quase metade da minha vida.

Uma mentira
A seguir à brincadeira, vi-me envolvido numa grandessíssima mentira. É que estávamos no “Tempo da Outra Senhora”, que é como diz estávamos no tempo do fascismo, com o Marcelo Caetano em primeiro-ministro, um partido único – a União Nacional e uma polícia política, a PIDE-DGS, que perseguia, torturava e prendia os opositores ao Regime, ao qual havia que assegurar fidelidade, para poder ingressar na Carreira. Assim, lá fui chamado ao gabinete do Chefe da Secretaria, onde tive que jurar e de subscrever com a minha assinatura, a declaração formal de que tinha activo repúdio pelo comunismo e todas as ideias subversivas. É claro que eu era mesmo subversivo, ainda hoje o sou, como toda a gente sabe, pois está-me na massa do sangue. Eu era então, um jovem do Maio de 68, caldeado na luta académica contra o Regime e membro do clandestino Movimento Associativo da Faculdade de Ciências de Lisboa. Assim, para ter direito a ser Professor e usufruir daquilo com que se compram os melões, tive que mentir descaradamente, com quantos dentes tinha, que era aquilo que fazia a esmagadora maioria.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Descoberta arqueológica em Estremoz


(1º terço do séc. XIV). Fotografia de Luís Guimarães. 

Padrão medieval de côvado identificado em Estremoz 
A primitiva Casa da Câmara de Estremoz tem segundo Túlio Espanca, uma antiguidade que remonta ao 1º terço do séc. XIV. Nela, o segundo colunelo à direita da porta de entrada, tal como os outros de base quadrada e capitel zoo-antropomórfico, apresenta uma singularidade que o distingue dos restantes. Nele está gravado um sulco vertical, parcialmente coberto com argamassa, como mostra fotografia recente de Luís Guimarães e fotografia do “SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico”, obtida em 1968 no decurso de obras de restauro.
A medição do comprimento do sulco revela que o seu valor é de 66 cm. Estamos assim em presença de um padrão medieval de comprimento conhecido por “côvado” e que correspondia a 66 cm.
O reconhecimento da existência naquele monumento da medida-padrão medieval de côvado, reveste-se da máxima importância, uma vez que não consta do Inventário das Medidas Medievais Portuguesas, divulgado por Mário Jorge Barroca no artigo “MEDIDAS-PADRÃO MEDIVAIS PORTUGUESAS”, publicado na Revista da Faculdade de Letras, em 2006. Daí que o presente escrito vise contribuir para a inventariação, preservação e valorização daquele padrão. 
Medidas medievais de comprimento 
O sistema de medidas de comprimento usado em Portugal na Idade Média para medir e transaccionar tecidos baseava-se no “palmo”, que equivalia a 22 cm. O palmo tinha dois múltiplos principais: o “côvado” (66 cm) e a “vara” (110 cm), correspondentes respectivamente a três e a cinco palmos. Cada uma destas medidas tinha um submúltiplo com metade do seu comprimento: o “meio côvado” (33 cm) e a “meia vara” (55 cm). Existia ainda uma outra medida, não baseada no palmo: a “braça” (184 cm) e que tinha também um submúltiplo: a “meia braça” (92 cm).
A uniformidade dos valores das medidas registadas no inventário das Medidas Medievais Portuguesas, levaram Mário Jorge Barroca a concluir que ela se terá generalizado a todo território nacional, provavelmente desde os meados do séc. XIII, o que facilitaria o combate à fraude. Todavia, alguns mercadores usavam medidas mais curtas que o devido. Daí a necessidade da existência de medidas-padrão para aferir a autenticidade das medidas usadas pelos mercadores. Em Évora, nos finais do séc. XIV era obrigatória a aferição mensal das medidas, conforme refere Oliveira Marques no livro “A Sociedade Medieval Portuguesa” (1960). De resto, Mário Jorge Barroca no artigo anteriormente citado, dá conhecimento de que as Ordenações Afonsinas registam a obrigatoriedade das medidas terem marcas a certificar a sua validade, fixando também multas a aplicar a quem usasse medidas sem marcas de aferição ou comprimento insuficiente. A aferição das medidas usadas pelos mercadores seria feita pelo seu confronto com as medidas-padrão gravadas na pedra, devendo aquelas encaixar nestas, sem folgas no sentido do comprimento. A marcação das medidas aferidas deveria ser realizada por alguém habilitado para o fazer, assegurando a autenticidade das marcas e a sua aceitação pelas partes envolvidas numa transacção comercial: mercadores e compradores. 
Localização do padrão 
A localização da medida-padrão de côvado na primitiva Casa da Câmara de Estremoz não é ocasional, uma vez que visando salientar a sua legalidade, as medidas padrão eram gravadas em locais importantes ligados à Coroa ou à Igreja, tais como portas de castelos ou muralhas e paredes de igrejas. Por outro lado, as medidas-padrão eram colocadas nos locais onde se desenvolvia o comércio, pelo que a feira medieval de Estremoz teria lugar no Largo do Castelo, local onde se situa a primitiva Casa da Câmara de Estremoz. 
A feira medieval de Estremoz 
Como nos diz Virgínia Rau no livro “Feiras Medievais Portuguesas/Subsídios para o seu estudo” (1943), a Feira franqueada de Estremoz foi criada em 1463 por D. Afonso V, que em 25 de Janeiro desse ano, deferiu um pedido de homens bons e concelho de Estremoz, no sentido de lhes ser concedido lugar e autoridade para realizarem uma feira real anual. O rei, reconhecendo o muito serviço da vila, que sempre fora da Coroa ordenou que a feira tivesse lugar de 20 a 30 de Junho, ficando o concelho dispensado da colheita de sisa velha, que era um tributo incidente sobre as transacções e que constituía rendimento do rei. 
À atenção do Município de Estremoz 
A existência em Estremoz de uma medida-padrão medieval é uma mais valia em termos arqueológicos, históricos, metrológicos e turísticos. Daí que se sugira ao Município de Estremoz que proceda à remoção da argamassa que ainda a oculta parcialmente, que a sinalize e divulgue na imprensa nacional, notificando também a Academia Portuguesa de História e o Instituto Português da Qualidade, da existência da mesma.

Padrão medieval de côvado visível num colunelo da primitiva Casa da Câmara de Estremoz. 

domingo, 21 de dezembro de 2014

15 – Cada coisa no seu lugar!


Marca da barrista Isabel Carona (?-?).
Base duma imagem de São José ajoelhado.
Colecção Particular.

Aclénia Pereira (1927-2012) foi uma bonequeira discípula de Mariano da Conceição (1903-1959), cujas aulas frequentou a partir de 1940 na Escola Industrial António Augusto Gonçalves, em Estremoz. No acervo do Museu Rural desta cidade, existem bonecos seus confeccionados em barro vermelho. Todos têm estampada na base a marca identitária da barrista: “Tanagra”, manuscrita dentro de um rectângulo de 1 cm x 3 cm. Quase todos têm igualmente aí gravada a marca do local de produção: “ESTREMOZ/PORTUGAL”, em maiúsculas e em duas linhas, dentro de um rectângulo de 1 cm x 2,7 cm. Ao casar-se em 1960, a barrista transferiu-se para Santarém, onde passou a utilizar barro branco, por não dispor de barro vermelho. Todavia, fê-lo no respeito estrito pela manufactura sui-generis do figurado de Estremoz, a qual combina três geometrias distintas: a bola, o rolo e a placa. Continuou igualmente a pintar e a envernizar os bonecos já cozidos e a apor neles as suas marcas distintivas.
Isabel Carona (?-?) foi a primeira discípula de Sabina da Conceição Santos (1921-2005), quando esta procurou preencher a lacuna criada pela morte prematura de seu irmão Mariano, em 1959. Isabel começou por pintar bonecos e depois aprendeu também a fazê-los. Por questões de natureza pessoal, Sabina Santos veio a dispensar os serviços da afilhada, a qual se fixaria no Montijo, onde veio a produzir figurado de Estremoz, com o barro a que tinha acesso e que apresentava uma tonalidade castanho claro. Como não dispunha de forno, os seus bonecos foram pintados e envernizados depois de secos, não chegando a ser cozidos. Ostentam na base a marca estampada “ISABEL/ARTESANATO/ESTREMOZ/MONTIJO/PORTUGAL” em maiúsculas e em itálico, num conjunto de 5 linhas ocupando uma área de 2,5 cm x 2,5 cm, com um traço a separar as duas primeiras linhas das restantes.
Ainda que produzidas fora de Estremoz, as imagens daquelas artesãs foram manufacturadas com a técnica tradicional dos bonecos de Estremoz. São pois, bonecos de Estremoz. O mesmo não se pode dizer de figurado produzido nesta cidade ou fora dela, por modelação, sem recorrer à técnica da bola, do rolo e da placa. Poderão ser muito bonitos. Poderão ser tudo. Bonecos de Estremoz é que não são.