quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Evocação de António Telmo na Escola Secundária de Estremoz


Maria Antónia Vitorino, António Telmo e Agostinho da Silva em Brasília,
na segunda metade da década de 60.
 
A vida e obra de António Telmo (927-2010) serão evocadas numa sessão a ter lugar em Estremoz, no próximo dia 14 de Novembro. O evento decorrerá a partir das 10 h e 20 min no Auditório da Escola Secundária da Rainha Santa Isabel. É uma iniciativa conjunta da Biblioteca Escolar Almeida Garrett e do Projecto António Telmo. Vida e Obra”. Serão oradores: Pedro Martins (Evocação de António Telmo), Rui Lopo (Evocação de Agostinho da Silva) e Elísio Gala (Apresentação do livro “Cartas de Agostinho da Silva para António Telmo”).
No final será descerrado, na Biblioteca da Escola um retrato de António Telmo, o qual ficará a assinalar a sua passagem por ali. No local estará também patente ao público uma exposição bibliográfica de António Telmo, filósofo, escritor e professor, figura cimeira da Cultura e da Filosofia Portuguesa. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

11 – O preço dos bonecos



 Aguadeiro.
José Moreira (1926-1991).
Colecção particular.

No figurado de Estremoz, o preço de cada peça é muito variável, o que exige uma análise multifacetada do assunto: 1 – O preço de cada imagem tem a ver com o tempo de manufactura de cada barrista, o qual por sua vez está relacionado com a complexidade da figura ou do grupo de figuras. Daí que uma “Primavera” custe mais que um “apito”, bem como um “Rancho do acabamento” seja mais caro que um “Pastor de tarro e manta”. Por outro lado, a mesma figura ou grupo de figuras pode ser executada em vários tamanhos, vulgarmente designados por “pequeno”, “médio” e “grande”. É o que se passa com “O amor é cego” e o “Presépio de Trono ou Altar”, em que o preço aumenta com as dimensões; 2 – O preço de cada figura ou grupo de figuras, varia também com o artesão, fruto da auto-avaliação que cada um faz do seu trabalho; 3 – O valor dos exemplares mais antigos pode ser estimado a partir do conhecimento do seu custo actual, ao qual há que acrescer o grau de antiguidade, o grau de raridade e o estado de conservação; 4 – Numa situação de crise económica como a actual, há quem tenha necessidade de vender bonecos, os quais são comprados por coleccionadores, feirantes de velharias ou antiquários ou que então são vendidas através de Casas de Leilões ou de Leilões “on line”. Na óptica do coleccionador, uma compra é sempre optimizada através da compra directa ao vendedor. No feirante de velharias ou no antiquário, a compra é menos má, já que na maioria das vezes é possível negociar e chegar a um acordo. Já nos Leilões, o resultado é mais incerto. Se para além de nós, há outro comprador interessado ou está presente o feirante ou o antiquário de quem somos clientes, podemos mesmo arrematar uma peça antiga a um valor mais baixo que o custo da peça actual. Todavia, a situação altera-se desde que na Casa de Leilões esteja presente um feirante ou um antiquário que já têm cliente para uma dada peça ou se encontrem mandatados por um cliente para a adquirir. O mesmo se passa se entrarmos em competição com um ou mais coleccionadores que estejam a licitar, já que por vezes a auto-estima de cada um, o leva a cometer verdadeiras loucuras. Finalmente, as vendas “on line” são desaconselhadas, visto que em certas ocasiões, mesmo peças comuns e recentes, têm preços de partida elevados, reflectindo a necessidade de dinheiro de quem vende e não tendências de mercado.




terça-feira, 21 de outubro de 2014

Estremoz - Defesa do Património - 5

CAPELA DA RAINHA SANTA ISABEL, ESTREMOZ - Fotografia de
Rogério de Carvalho (1915-1988), de finais dos anos 30 do séc. XX.

Outra estrutura associativa de defesa do património cultural no concelho de Estremoz é: 
LINCEMOZ -  Liga dos Naturais e Amigos do Concelho de Estremoz 
Constituída em 2003, é liderada por António Lopes e foi-o anteriormente por Rodrigo André e Domingos Xarepe. Tem como objecto: promover, organizar e divulgar os aspectos da cultura, do património, da solidariedade e do desenvolvimento do concelho. Edita desde 2003 o boletim Gadanha, onde se tem dado ênfase a questões de defesa do património: Igreja de Santo André e Largo do Espírito Santo (Estremoz), Ruínas Romanas de Santa Vitória do Ameixial, Castelo de Évora Monte e Castelo de Veiros. São de destacar as seguintes actividades ligadas à defesa do património: 2004 - Colaboração com a CME na divulgação na Casa do Alentejo da iniciativa "A Cultura do Barroco, o Imaginário e o Quotidiano”, através do qual a autarquia divulgou inúmeras manifestações e sinais da cultura barroca, bem como o património arquitectónico local desse período: Armaria Real de D. João V (Pousada da Rainha Santa Isabel), o interior da Igreja de São Francisco e o Lago do Gadanha; 2010 – Organização do concurso “As sete maravilhas do concelho de Estremoz”, em parceria com a CME, a imprensa local (Brados do Alentejo, Ecos e Rádio Despertar), o Agrupamento Escolar e a EPRAL. No concurso sairia vencedora a Capela da Rainha Santa Isabel, mandada construir por Dona Luísa de Gusmão (1613-1666). Na Capela, propriedade estatal, gerida pela Igreja, destacam-se três painéis de azulejo e seis telas a óleo, joaninos, atribuíveis respectivamente a Teotónio dos Santos (c/1725) e a André Gonçalves (c/1730), os quais representam episódios lendários da vida da Rainha Santa Isabel. A Capela está integrada no Castelo de Estremoz e foi classificada como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23 Junho de 1910. É triste dizê-lo, mas por insensibilidade das autoridades, entra água na Capela pelo telhado, pelas portas e janelas, nas quais por falta de portadas, as telas estão expostas à luz solar.
(CONTINUA)

 Hernâni Matos

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

João Sabino de Matos e os primórdios do PS em Estremoz


João Sabino de Matos (1923-2006), um dos fundadores do PS de Estremoz.
Foto Tony. Arquivo do autor.


No passado sábado, dia 11 de Outubro, estive presente como convidado no 40º Aniversário da Secção do PS de Estremoz. Ali foram homenageados fundadores do PS local, entre os quais se situava o meu falecido pai, João Sabino de Matos. Na oportunidade, proferi uma comunicação sobre o antes 25 de Abril e pós 25 de Abril em Estremoz, com referência especial ao meu pai. É o seguinte o teor dessa comunicação.


MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES
O José Ramalho deu-me conhecimento de que a Secção do PS de Estremoz, pretendia levar a efeito uma homenagem àqueles que estiveram com o Partido Socialista desde a primeira hora, como foi o caso do meu pai e pediu-me para eu falar sobre ele e a sua participação no Partido. É o que vou procurar fazer com o rigor possível e as armas que tenho na mão: a minha memória e a minha maneira própria de dizer as coisas.
O meu pai se fosse vivo e infelizmente não está, teria 90 anos e estaria aqui connosco, porque o PS foi o seu partido de sempre. Estou eu, que pertenço a outra família política, mas respeito quem com honestidade pensa de maneira diferente da minha. Procurarei honrar a memória do meu pai e outra coisa não seria de esperar, já que além de filho, sou vosso companheiro de estrada e convosco tenho o prazer de fazer em conjunto as caminhadas possíveis. De resto, como diria o poeta sevilhano António Machado (1875-1939):
……………………………..
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
………………………
Deixem-me então meter mãos à obra. Passo de imediato a contar-vos uma história que fala do meu pai, do PS e por vezes de mim próprio. Espero que seja do vosso agrado.
NASCIMENTO
A 1 de Julho de 1923 nasce na aldeia da Cunheira da freguesia e concelho de Chanca, uma criança do sexo masculino, que seria o primeiro de 4 filhos de Manuel Sabino (pedreiro) e Antónia Maria (doméstica). À criança foi dado o nome de João Sabino de Matos. 
INFÂNCIA
A infância foi bastante difícil para ele. A família passava dificuldades, agravadas para ele e para os irmãos, quando entraram para a escola primária, situada a 8 Km na vila de Chança e para onde diariamente tinham de ir e vir todos dias, fizesse chuva ou fizesse sol. No caso do João era mais complicado ainda, pois tinha um defeito físico numa perna, fruto de um acidente em casa quando era pequeno. Mas era já uma pessoa determinada e fez a 4ª classe da instrução primária
A JUVENTUDE
A juventude também não foi fácil, uma vez que terminada a escola foi dar serventia de pedreiro ao pai, o que era penoso para ele. O pai mandou-o então aprender o ofício de alfaiate, profissão que na aldeia acumulava com a de barbeiro, pois quando não havia farpela para confeccionar, sempre havia barbas e cabelos para dar para a bucha.
Pelos vinte anos já estava em Estremoz para onde veio atraído por um tio. Era um rapaz namoradeiro e tinha várias namoradas ao mesmo tempo, em diferentes freguesias do concelho, entre as quais circulava de bicicleta, para poder encostar a calça à saia.
O CASAMENTO
No dia 24 de Março de 1946, com 22 anos de idade, casa na Igreja de São Francisco, em Estremoz, com Selima Augusta Carmelo, telefonista de 22 anos, natural da Fonte do Imperador, freguesia de Santa Maria e residente em Santo André. O casal foi morar para o Largo do Espírito Santo, onde o João passou a exercer a profissão de alfaiate.
A dezanove de Agosto nasço eu. Como não sou de cinco meses, é certo que por precaução fui encomendado a Paris, quatro meses antes do casamento, não fosse a cegonha chegar atrasada.
Por ali brinquei e o meu pai teve a primeira oficina de alfaiate e começou a formar futuros alfaiates, o primeiro dos quais Gil Cortes, da freguesia de São Lourenço.
Mais tarde, o meu pai mudou a residência e a alfaiataria, primeiro para a rua da Misericórdia e depois para a Rua 5 de Outubro, onde algum tempo antes do 25 de Abril abriu também uma loja de pronto-a-vestir. Tanto como alfaiate como comerciante, foi uma pessoa considerada pelos seus pares e respeitada na praça.
Sem dúvida que foi o melhor alfaiate que esta terra alguma vez conheceu e que dentro da oficina e fora dela chegou a ter 15 pessoas a trabalhar sob sua orientação. Gostava de se vestir bem com roupa confeccionada por ele próprio e eu apanhava por tabela.
Eu que sou um jovem contemporâneo do Maio de 68, das barricadas em Paris e da Crise Académica em Portugal, ia para reuniões da RIA – Reunião Inter-Associações com o Arnaldo Matos, o Danilo de Matos, o Jorge Delgado, a Violante Saramago e o Augusto Fitas, sempre impecavelmente vestido, com roupa feita pelo meu pai. Usava cabelo comprido, pelos ombros, à Amália Rodrigues, mas a roupa era da Alfaiataria Matos e era mais barata que as gangas e quejandos que os meus companheiros usavam. Daí eu ter criado uma máxima que às vezes utilizo no Facebook: “Um homem nunca se rende, mesmo de fato e gravata.”
Fui para a Faculdade porque os meus pais fizeram grande sacrifício para eu estudar num colégio particular, o Colégio de S. Joaquim, do Adriano Mota. No 6º e 7º ano, a mensalidade, que incluía desgaste de material e despesas com aulas práticas, atingia os 1.033$00 por mês. Era muito dinheiro nos anos sessenta do século passado. E quando o cobrador do Colégio, o João Sacristão, ia lá a casa cobrar a mensalidade, o meu pai entrava em parafuso e a atmosfera andava carregada durante alguns dias, mas nunca deixou de pagar (1). 
AS ELEIÇÔES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA EM 1958
Em 1958, tinha eu 12 anos e o meu pai 35, apoiou a candidatura do General Humberto Delgado a Presidente da República contra o candidato fascista da União Nacional, Almirante Américo Tomaz. O meu pai era delegado incumbido de ir vigiar as urnas em São Lourenço, freguesia que conhecia bem, pois antes de casar com a minha mãe, ia de bicicleta a pedais, namorar lá. Acabou por não ir, visto que o advogado comunista e seu amigo, Dr. Rodrigues Pereira, que liderava a oposição local, telefonou para o 316, que era o número de telefone lá de casa e lhe disse: - Oh Matos não vás, que fui informado que a PIDE está lá, como nas outras freguesias, para prender os delegados da Oposição!
Foi com estas e com outras que apesar do entusiástico apoio popular ao General Sem Medo, ganhou o candidato fascista. Até mortos votaram com cumplicidade dos presidentes das mesas, afectos ao regime. Mesmo assim e com intimidação da PIDE, Delgado obteve 23% dos votos contra os 76,4% do Tomaz. A ditadura teve medo e a partir de 1959 e até ao 25 de Abril, a eleição do Presidente da República passou a ser feita pela Assembleia Nacional, onde só havia um partido único: a União Nacional.    
AS ELEIÇÔES DE 1969 PARA A ASSEMBLEIA NACIONAL
O meu pai e com ele outros que vieram a aderir ao PS, participaram na Comissão Democrática Eleitoral (CDE), criada em 1969 para concorrer às eleições legislativas contra o partido de Salazar, a União Nacional. Em Braga e Lisboa concorreu também a CEUD afecta a Mário Soares e a Salgado Zenha. Houve ainda a Comissão Eleitoral Monárquica (CEM), reunindo monárquicos oposicionistas não afectos à Causa Monárquica.
Num total de 1 115 248 eleitores e com a oposição dividida, os resultados foram catastróficos para esta: União Nacional (87,99%), CDE (10,29%), CEUD (1,51%) e Comissão Eleitoral Monárquica (0,12%). Por outras palavras, a União Nacional ocupou os 130 lugares da Assembleia Nacional.
Foram umas eleições relativamente livres como interessava à primavera marcelista, com alguma liberdade de imprensa em jornais não afectos ao regime, tais como A Capital, República e Diário de Lisboa. Todavia não deixou de haver fraudes como refere o livro “Eleições no Regime Fascista” da “Comissão do Livro Negro Sobre o Fascismo” (2), compilação de documentos que data de Julho de 1979, onde é feita a transcrição de um ofício da ”Legião Portuguesa” de 22 de Outubro de 1969:

Setubal, 22 de Outubro de 1969

Informo V.Exª. que no dia 19 do corrente, pelas 11H00, foi solicitada, a minha comparência na Escola Comercial e Industrial de Setubal, a fim de tomar parte numa reunião com o Exmº. Sr. Miguel Rodrigues Bastos e Dr. Rogério Peres Claro.
A finalidade da reunião (muito secreta), foi pedida a minha colaboração no sentido de montar e chefiar um “carrocel”, com viaturas particulares e pessoal legionário munido de certidões de falecidos, ausentes, etc, fornecidos pela U.N. (3), a fim de votarem nas assembleias duas, três ou quatro vezes, por exemplo:
Os homens de Almada votam no Barreiro, Seixal e Moita; os da Moita votam em Almada e Sesimbra; os do Barreiro votam em Almada e assim sucessivamente.
Para o efeito os Presidentes das mesas estão avisados, até porque as certidões estão marcadas.
Em face do solicitado desloquei-me ontem às Unidades de Almada, Barreiro, Moita, a fim de solicitar aos Comandantes a sua boa vontade e colaboração para o fim em vista.
Com os meus melhores cumprimentos,
…..
E assim se ganhavam eleições. Hoje isto é impensável, mas era o que acontecia na altura, dado o clima intimidatório criado e alimentado pela polícia política, a PIDE.
À época das eleições de 1969 e à esquerda, emerge uma nova geração universitária, nascida dos movimentos estudantis marcados pelo Maio de 68. Aí se destacam dois lideres que viriam a ser socialistas: Jorge Sampaio, Presidente da RIA – Reunião Inter-Associações, que estava em Lisboa e Alberto Martins, Presidente da Associação Académica de Coimbra que ao ver recusada por Américo Tomaz, a possibilidade de falar em público em nome dos estudantes no decurso da abertura solene das aulas, esteve na origem da Crise Académica de 1969, que foi o princípio do fim do regime. 
AS COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO
Antes do 25 de Abril, comemorava-se o 5 de Outubro com uma romagem ao cemitério de Estremoz, que reunia velhos republicanos como o Cândido ferrador, o Saturnino Martins, o Abílio Maleitas e o Francisco Joaquim Baptista, mais conhecido por Chico das Metralhadoras. Iam com uma bandeira nacional à frente, já que não podiam levar outra e a bandeira nacional era e é, a bandeira da República. Nesse dia, o Chico das Metralhadoras tinha a bandeira da República hasteada numa janela da sua casa, sita na rua das freiras. Era a sua maneira de ilustrar a “Trova do vento que passa” de Manuel Alegre:

“Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.”

Houve muitos homens que contribuíram para a formação da minha personalidade e para além do meu pai, um dos mais importantes foi, sem dúvida, o Chico das Metralhadoras, permanentemente envolvido em angariação de fundos para a rotativa do jornal República e para os bombeiros locais e que, por mesquinhez de alguns e por memória curta de outros, foi injustamente esquecido.
No 5 de Outubro íamos almoçar uma bacalhauzada à do Xico das Metralhadoras. Eu, o meu pai e outros amigos para ali convidados: O Pelágio do notariado, o Francisco Ramos do Mendes Meira e Niza, o Fernando Gomes mecânico, o Vicente Rosado da Sagres, o Sargento Luís do Tabaquinho e Gonçalves e o Zé Luna da Câmara e do Estremoz.
O meu pai tinha de resto outros amigos com quem jogava mah jong, xadrez ou bilhar no Café Alentejano, como eram o tenente Graça Gonçalves, o Silva da Caixa Agrícola, o Júlio da Gulbenkian e o Dr. Chico Maldonado, entre outros. Frequentava também o Águias de Ouro onde tertuliava com o Dr. Rodrigues Pereira, o Padre Martins e o Dr. Martinho, advogado.
Era também sócio dos Artistas, a cuja Direcção pertenceu e onde jogava bilhar e às vezes às cartas, com o primo Brito da Luz. Apreciador de futebol e de hóquei em patins, era sócio do Estremoz e gostava de ir aos desafios.     
O MONTE DO DR. AFONSO COSTA
Nessa época a oposição reunia clandestinamente no monte do Dr. Afonso Costa. O meu pai era um dos conjurados. Para além dos conspiradores que viriam a ser da área socialista, outros havia da área comunista, como o Abílio Fernandes, por quem o meu pai tinha muita consideração
OS RÁDIOS CLANDESTINOS
Em casa ouvíamos à sucapa, notícias da BBC, da Rádio Moscovo e da Rádio Argel, onde falavam o Piteira Santos e o Manuel Alegre. Eram as rádios que furavam a censura das rádios nacionais.
O 25 DE ABRIL
Naturalmente que o meu pai, a minha mãe e eu recebemos o 25 de Abril, de braços abertos. Tal como eu, o meu pai previa um fim inescapável para a ditadura. Só não sabíamos quando. O golpe das Caldas tinha sido o prenúncio. Em Estremoz havia civis que sabiam que o 25 de Abril ia acontecer. Nós não tivemos esse privilégio.
A imagem mais forte que guardo desse dia é o encontro com o professor Francisco Rodrigues, que mais tarde viria a aderir ao PS, na altura já com um grão na asa e que, tal como eu, foi ao Café Águias de  Ouro, ver como paravam as modas. Com o olhar e o rosto a brilhar, as suas palavras foram estas:
- Hernâni: Porra! Até que enfim!
O 1º DE MAIO EM LIBERDADE
Logo a seguir ao 25 de Abril reunimos numa casa da rua do Mau Foro, vulgo Rua Alexandre Herculano. Ali funcionaria mais tarde a primeira sede do PS. Tinha sido ali a sede do Círculo Cultural de Estremoz, associação cultural de antes de Abril, do tempo do Dr. Luís Pascoal Rosado e cuja história está ainda por fazer. Era uma casa, propriedade dos irmãos José e Afonso Costa. Ali se preparou o primeiro 1º de Maio e o meu pai lá estava. O camarada Binadade Velez, comunista da clandestinidade e que já estivera preso, levava uma lista de ruas com nomes ligados ao fascismo, que era preciso mudar. Alguns diziam que o Spínola, que como se veio a provar, nunca deixou de ser fascista, não autorizaria a comemoração do 1º de Maio, que acabava sempre à batatada, com a bófia a dar porrada nos trabalhadores. Outros e neles nos incluíamos, eu e o meu pai, considerávamos que o 25 de Abril legitimaria as comemorações livres do 1º de Maio, o que veio a acontecer.
As comemorações foram no Rossio com tropa à paisana no meio da população, por ordens do capitão Moura, a ver no que é que aquilo ia dar. Todavia foi tudo pacífico e no final houve desfile pelas ruas da cidade, com a bandeira nacional à frente.  
O PÓS 25 DE ABRIL
No pós 25 de Abril havia três tipos de posturas. Havia os que queriam que tudo ficasse na mesma (Era a Dona Inércia), assim como aqueles que queriam reformas inevitáveis (aí se situavam os futuros PS, entre eles o meu pai) e aqueles que punham em causa a natureza do estado e as relações de produção (aí se situava o PCP e a esquerda revolucionária, família política que sempre foi a minha).
O golpe militar do 25 de Abril deu origem a uma revolução social, com ritmo acelerado para uns e demasiado lento para outros. A unidade do 1º de Maio transformar-se-ia em divergências insanáveis, muitas das quais deixaram feridas. Mas a democracia é isso. É a luta política entre forças plurais para afirmação do seu projecto de sociedade.  
A FUNDAÇÃO DO PS EM MAIO DE 1974
A secção do PS de Estremoz formou-se em Maio de 1974. Os primeiros militantes foram entre outros: Afonso Costa (farmacêutico), Fernando Cavaco (pintor), Irmãos Compõete (operários), Jaime Balão filho (professor), Jaime Balão pai (cabeleireiro), José Albino (tipógrafo), José Fateixa (comerciante), Manuel Godinho (comerciante) e Soeiro Travassos (médico).
O meu pai é da primeira hora no PS e está na fundação do PS em Estremoz. Todavia, só regularia a sua inscrição em Setembro desse ano.
O 28 DE SETEMBRO
No 28 de Setembro de 1974 fizeram-se barragens na estrada nacional e à saída para Portalegre, visando impedir a "maioria silenciosa" de marchar armada sobre Lisboa. Só deixávamos passar os veículos depois de passados a pente fino. O PS esteve ali, como também esteve o PCP e a CDE.
A CDE – TENDÊNCIAS INTERNAS
A nível da CDE, havia basicamente dois blocos em confrontos de ideias, que naturalmente tinham por detrás de si objectivos próprios e propostas sociais distintas. Num deles, os oradores mais eloquentes eram os professores Francisco Rodrigues (PS), Vítor Trindade e Manuel Patrício. Do outro, peroravam figuras como Aníbal Alves (PCP), Véstia da Silva (CDE) e José Sena (MES). Eu que sempre fui senhor do meu nariz e era CDE puro desde 1969, apoiei este último bloco contra o meu pai e o seu amigo Zézica Costa, que faziam parte do primeiro ramalhete. A partir daí começaram as fricções ideológicas entre mim e o meu pai, as quais atingiriam o seu ponto alto em 1975, tendo nós estado de relações cortadas durante cerca de um ano.    
O PLENÁRIO DA ESPLANADA PARQUE
Em meados de Maio de 1974, a administração da Câmara Municipal de Estremoz, estava ainda nas mãos de pessoas de confiança da Organização Corporativa e da União Nacional. Daí que a CDE assuma a liderança do processo de substituição da Câmara Municipal de Estremoz. Visando esse objectivo, procura a base de legitimidade indispensável a essa operação e organiza em 19 de Maio de 1974, num domingo, um plenário de cidadãos, com a finalidade de se proceder à eleição da nova Comissão Administrativa para a Câmara Municipal.
A Mesa que presidiu ao plenário público, realizado na Esplanada Parque, era composta por alguns dos membros mais activos da CDE: Aníbal Alves (professor, do PCP), José Sena (professor, do MES), Véstia da Silva (advogado, da CDE), António Simões (professor, da CDE),assim como pelo capitão Andrade Moura (comandante do RCE e membro do MFA).
Participado por cerca de 6 mil pessoas, o plenário elege Véstia da Silva (advogado), Paulo Lencastre (médico-cirurgião), Casimiro Moura, (trabalhador das pedreiras), Aníbal Alves (professor), Manuel Patrício (professor), Francisco Rodrigues (professor), Fernando Martinho (professor) e Jacinto Varela (empregado de escritório).
Sabe-se que a eleição decorreu sem problemas e a escolha foi realizada por voto secreto. O modo como foram aceites os eleitores, consistiu na apresentação de um documento de identificação, de modo a comprovar o estado adulto e a residência no concelho. Não existem reprovações públicas imediatas sobre a eleição e os jornais locais parecem aceitar o resultado do escrutínio. A primeira reacção à eleição será realizada a 6 de Junho mediante carta reproduzida num dos jornais locais. Nessa carta, o signatário Américo Luís Silva, que virá a pertencer ao elenco da Comissão Administrativa empossada em princípios de Outubro, contesta que a eleição de 19 de Maio possa ser a base da futura Comissão Administrativa.
Na sequência disso e fruto de algum trabalho de bastidores, o Governador Civil, o socialista Dr. Alves Pimenta não reconhece a eleição e sob pressão socialista, social democrata e centrista, nomeia nova Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Estremoz, por Portaria de 1 de Outubro de 1974. Esta Comissão Administrativa, que toma posse a 4 do mesmo mês, é de total confiança do PS e é presidida por Francisco Roldão Pinheiro (advogado e notário) e tem como vereadores: Américo Luís Silva (?-?), Manuel Godinho (comerciante-PS), Vitorino Marques Alves (industrial-PSD) e Afonso Costa (Farmacêutico-PS).
A MANIFESTAÇÃO POPULAR DE 24 DE MARÇO DE 1975
Esta manifestação foi arquitectada pelo PCP, que falhou em termos de organização e fui eu, dissidente daquele partido, que efectuei a mobilização popular para a manifestação, com a tónica de a população estar em luta contra uma Câmara que não tinha sido eleita e dos trabalhadores da Câmara estarem em luta contra um Município que não lhes garantia o emprego. Eu não precisava de megafone, mas arranquei com um megafone do PCP nas unhas, no carro do farmacêutico Vítor Carapeta, com ele a conduzir e levando no banco de trás, antigos presos políticos: o estofador-filósofo Binadade Velez e o carpinteiro Zé Mau. Mais tarde, andámos no carro do Binadade e por lá passou também o cigano Rufino, então de oficial de dia ao serviço da Câmara, com direito a uso e porte de picareta. O Rufino era primo do cigano Chato, que tinha sido soldado às ordens do Major Tomé. Hoje é um grande proprietário rural no México.
A mobilização foi eficaz, o que levou a Comissão Administrativa a reunir-se no cartório notarial e a decidir pedir a exoneração colectiva.
Na manifestação participada por algumas centenas de pessoas, estiveram representados todos os partidos locais com excepção do PPD. O processo foi inicialmente liderado pelo MES, que defendia a formação de uma nova Comissão na qual tivessem assento representantes das forças políticas que tinham apoiado a manifestação: MDP, MES, PCP e PS. Por proposta do PCP, para que essa substituição tivesse legitimidade, foi procurado o MFA, representado pelo capitão Andrade Moura do RC3, como árbitro da negociação. No desenrolar das negociações, o PS combate a posição do MES, propondo que a Comissão tenha a mesma composição do Governo Provisório. O MES vê-se então excluído e a Comissão acaba por ser composta por um representante do MDP, do PCP, do PS, do PPD e ainda um funcionário municipal em representação dos trabalhadores. Será o capitão Moura a indicar ao Governo Civil a composição da mesma, apontando para Presidente o representante MDP, que fora o mais votado um ano antes para presidir à Câmara Municipal.
Essa Comissão Administrativa é nomeada por alvará do Governador Civil de Évora de 28 de Março de 1975. É presidida por Véstia da Silva (CDE) e tem como veradores: José Correia (PPD), Ademar Malhão (PCP), José Costa (PS) e José Pereira (funcionário da Câmara). Tal comissão permaneceu em funções até às primeiras eleições para as autarquias locais, realizadas a 12 de Dezembro de 1976. Mas, isso é outra história. 
O VERÃO QUENTE
A história do chamado Verão Quente e o pós 25 de Novembro está por fazer e é um desafio que anda no ar e que alguém, decerto devidamente apetrechado com a indispensável informação e os adequados métodos de análise sociológica não deixará de fazer. Pela minha parte, fico à espera.
AO SERVIÇO DO PS
Ao serviço do PS, o meu pai foi Presidente da Junta de Freguesia de Santo André entre 1977 e 1979 e entre 1986 e 1989. Foi ainda membro eleito da Assembleia Municipal entre 1980 e 1982 e entre 1986 e 1989.
Integrou também a Comissão Administrativa do Hospital da Misericórdia.
Em acções de agitação e propaganda chegaram a andar 12 pessoas no seu carro, algumas no porta-bagagens. Era um velho TAUNUS 17 M preto e com tejadilho branco, conhecido pelos socialistas como “carro fantasma”, o qual tinha uma direcção mais rígida que a dum tractor. Também ele, por direito próprio, faz parte da história do PS de Estremoz.
A RELIGIÃO
O meu pai não era religioso. Tinha todavia duas religiões: antes do 25 de Abril era o Benfica e depois do 25 de Abril, passou também a ser o PS.
As figuras que mais apreciava eram Mário Soares, Tito de Morais, Salgado Zenha, Manuel Alegre e João Soares.
VALORES QUE ME INCULCOU NO ESPÍRITO
O meu pai era uma pessoa de carácter, frontal, com coragem física e moral, que não fugia às responsabilidades e que honrava a palavra dada. Valores que me inculcou no espírito e que me norteiam, bem como os ideais de justiça, liberdade, igualdade e fraternidade.
Por isso estou hoje aqui em sua representação.

Espero que tenham gostado desta história. Se não gostaram, queixem-se ao José Ramalho que foi ele que me convidou para vir aqui e ao contrário do que se passa na tropa, onde a culpa é sempre do maçarico, em política a culpa é sempre do chefe.

Obrigado, por me terem ouvido.

(1) – São de minha autoria estas quadras datadas de 1964:

Com a pastinha na mão,
Procura receber dinheiros.
É ele o João Sacristão,
O terror dos caloteiros!

Os pais que chegam a pagar,
Cantam o fado da triste sina,
Mas p’ra quem o sabe explorar,
Este Colégio é uma mina…

Instalações sanitárias trinta escudos
E trinta de desgaste de material.
Laboratório são cem escudos.
Ah! Falta a Secção Cultural!...

(2) – A Comissão era constituída por: por José Magalhães Godinho, Piteira Santos, Teófilo Carvalho dos Santos, Barradas de Carvalho e José Carlos Vasconcelos.
(3) – União Nacional.

BIBLIOGRAFIA
[1] - BORRALHO, Álvaro. A RAZÃO DO POVO É A NOSSA FORÇA/O processo político português na transição democrática./Um estudo local: Estremoz, 1974 –1976. Universidade dos Açores. Ponta Delgada, 2001.
[2] - COMISSÃO DO LIVRO NEGRO SOBRE O FASCISMO. Eleições no regime fascista (2.ª ). C.L.N.F. Lisboa, s.d. (c. 1979).
[3]  - VIVAS, Diogo. Contributos para o estudo do Poder Local Democrático / Eleitos Municipais em Estremoz / 1976-2007. Câmara Municipal de Estremoz. Estremoz, 2007.
[4]  - VIVAS, Diogo, Os Presidentes da Câmara Municipal de Estremoz 1910 – 2006. Câmara Municipal de Estremoz. Estremoz, 2006.

Hernâni Matos


 
Diploma de exame do 2º grau de João Sabino de Matos. Arquivo do autor.
Romagem de republicanos ao cemitério de Estremoz no dia 5 de Outubro de 1962.
Aqui estão parados na Avenida de Santo António. Presentes entre outros,
António Vão (estafeta), Xarepe (Máquinas Oliva), Saturnino Martins (Casa Verde),
António Parelho (Brados do Alentejo), António Cândido (ferrador), Furtado da Loja,
Francisco Gonçalves (Farmácia Godinho), Artur Assunção (Farmácia Costa),
Abel Violante Augusto (moldurador) com a bandeira, Francisco Baptista (ferroviário),
Machadinho (enfermeiro), Eduardo Movilha (carpinteiro) e Carmen Movilha (neta).
Cortesia de Carmem Movilha).

Romagem de republicanos ao cemitério de Estremoz no dia 5 de Outubro de 1962.
Cortesia de Carmem Movilha.

Romagem de republicanos ao cemitério de Estremoz no dia 5 de Outubro de 1962.
Cortesia de Carmem Movilha.

Ofício da Legião portuguesa de Setúbal dando instruções de voto aos legionários
nas eleições de 1969. Imagem do livro COMISSÃO DO LIVRO NEGRO SOBRE O
FASCISMO. Eleições no regime fascista (2.ª ). C.L.N.F. Lisboa, s.d. (c. 1979).

Diploma da Sociedade de Artistas Estremocense conferido a João Sabino de
Matos,  por ocasião dos seus 27 anos de associado, atestando a sua muita
dedicação à Colectividade. Arquivo do autor.
João Sabino de Matos num convívio benfiquista no Café Alentejano em
Estremoz, cerca de 1970, Foto Tony. Arquivo do autor.

 Diploma da Sociedade de Artistas Estremocense conferido a João Sabino de
Matos,  por ocasião dos seus 27 anos de associado, atestando a sua muita
dedicação à Colectividade. Arquivo do autor.

João Sabino de Matos e João Soares num convívio socialista.
Fotografia de autor desconhecido. Arquivo do autor.
João Sabino de Matos tomando posse como membro da Assembleia Municipal
de Estremoz, em 3 de Janeiro de 1994. Fotografia de autor desconhecido.
Arquivo do autor.

A 27 de Abril de 1974, após cumprirem com êxito a missão atribuída, herói
do RC3 regressam a Estremoz. No jipe à esquerda, o capitão Andrade Moura
(comandante do esquadrão) e à direita o coronel Caldas Duarte
(Comandante do RC3). Fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988).
Arquivo do autor.

À chegada, frente ao edifício do RC3: Honras Militares e Aclamação Popular.
Fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988). Arquivo do autor
.
Na manifestação do 1º de Maio, as colectividades locais fizeram-se representar
pelos seus estandartes. Fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988). Arquivo
do autor.

Na manifestação viam-se inúmeros cartazes, nos mais variados tons, desde os
da exaltação ao movimento  das Forças Armadas até aos de carácter reivindicativo.
Fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988). Arquivo do autor.
Na manifestação fizeram uso da palavra vários oradores, o primeiro do o quais o
invisual Joaquim Cardoso, da freguesia de Arcos, professor na Escola Técnica de Estremoz,
seguindo-se-lhe o Dr. António João Vestia da Silva, da
freguesia de São Domingos e a exercer advocacia na nossa cidade, o ex-preso
político Piteira, que disse ter saído naquele dia do presídio da Trafaria, o
estremocense Rui Manuel Zagalo Pacheco, o Dr. António Inocêncio Amaro Simões
e Raul Bernardo Manuel Júnior, ambos professores na Escola Técnica de Estremoz,
o democrata de Évora António Manuel Murteira e o jovem, eborense também,
conhecido pelo “Pãozinho”, do movimento estudantil democrático daquela cidade.
Fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988). Arquivo do autor.
Terminada a série de discursos, os manifestantes desfilaram pelo Rossio e Rua 5
de Outubro, a caminho do quartel do Regimento de Cavalaria 3, frente ao qual se
repetiram as manifestações de apoio às Forças Armadas e à Junta de Salvação
Nacional. Fotografia de Rogério de Carvalho (1915-1988). Arquivo do autor.

Mesa que presidiu ao plenário público, realizado na Esplanada Parque em 19 de
Maio  de 1974. Da esquerda para a direita, Aníbal Alves (professor, do PCP),
José Sena (professor, do MES), Véstia da Silva (advogado, da CDE), capitão
Andrade  Moura (comandante do RCE e membro do MFA) e António Simões
(professor, da CDE). Fotografia de Inácio Grazina.
Manifestação popular de 24 de Março de 1975 no Rossio Marquês de Pombal,
dirigindo-se para a Câmara Municipal de Estremoz, exigindo a demissão da
Comissão Administrativa presidida pelo Dr. Roldão Pinheiro. À frente
manifestantes  empunham bandeiras do MDP, do MES, do PCP, do PS e do
Município. Fotografia de Aníbal Alves (1921-1994).
 
 Manifestação popular de 24 de Março de 1975 no Rossio Marquês de Pombal,
frente à Câmara Municipal de Estremoz. Entre os manifestantes encontram-se
trabalhadores das pedreiras e trabalhadores do Município. Fotografia de
Aníbal Alves (1921-1994).


Hernâni Matos

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Efemérides de Novembro (Nova versão)

30 de Novembro 
 
A 30 de Novembro de 1935 morre em Lisboa, com 47 anos de idade, Fernando
Pessoa (1888-1935), poeta, filósofo e escritor português. Enquanto poeta,
escreveu sob múltiplos heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos
e Alberto Caeiro.  É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa
e da literatura universal. RETRATO DE FERNANDO PESSOA (1954). Almada
Negreiros (1893-1970). Óleo sobre tela (201 x 201 cm). Museu da Cidade, Lisboa. 
29 de Novembro
 
A 29 de Novembro de 1926, o General António Óscar de Fragoso Carmona
(1869-1951) assume a Presidência da República no âmbito da Ditadura
Nacional saída do Golpe de 28 de Maio desse ano. Desde 9 de Julho que
Carmona (1869-1951), como Presidente do Ministério passara a desempenhar
as funções de Presidente da República, após a demissão do General Manuel
de Oliveira Gomes da Costa (1863-1929). Viria a ser nomeado interinamente
para o cargo, por decreto de 16 de Novembro de 1926. Foi o décimo primeiro
Presidente da República Portuguesa (primeiro da Ditadura e primeiro do Estado
Novo). MARECHAL ANTÓNIO ÓSCAR DE FRAGOSO CARMONA (1933) - Pintura a óleo
de Henrique Medina (1901-1989). Museu da Presidência da República, Lisboa.
28 de Novembro
A 28 de Novembro de 1520, ao serviço do rei de Espanha Carlos V (1500-1558),
o navegador português Fernão de Magalhães (1840-1521), atinge o Oceano
Pacífico  no decurso da primeira viagem de circum-navegação. RETRATO DE
FERNÃO DE MAGALHÃES (séc. XVI-XVII) – Autor desconhecido. Mariners' Museum,
Newport News, Virginia, USA.
27 de Novembro

 A 27 de Novembro de 1199 é fundada a cidade da Guarda, através de carta
Foral de D. Sancho I (1154-1212), com o propósito de servir de centro
administrativo, de comércio e de defesa da fronteira da Beira contra os
 Reinos da Meseta do centro da Península Ibérica: primeiro, o Reino de Leão;
depois, o de Castela e finalmente, Espanha. Foi este propósito que deu origem
ao nome de Cidade da Guarda. FORAL DA CIDADE DA GUARDA.
26 de Novembro
A 26 de Novembro de 2006 morre em Lisboa, Mário Cesariny de Vasconcelos
(1923-2006), considerado o principal representante do surrealismo português,
poeta, pintor, antologista, compilador e historiador do surrealismo em Portugal.
CESARINY - Cartoon de André Carrilho (http://www.andrecarrilho.com).

25 de Novembro
 A 25 de Novembro de 1845, nasce na Póvoa de Varzim, o escritor e diplomata
português José Maria Eça de Queiroz (1845-1900), autor entre muitas outras
obras, de  "Os Maias" e "A Ilustre Casa de Ramires".
24 de Novembro
A 24 de Novembro celebra-se o Dia Nacional da Cultura Científica. A efeméride
foi instituída em 1996, por proposta do então Ministro Mariano Gago, em
homenagem a Rómulo de Carvalho, professor, metodólogo, investigador e autor
de manuais escolares, de livros de investigação científica e de poesia, estes
últimos sob o pseudónimo de António Gedeão. Nessa data, Rómulo de Carvalho
completava 90 anos e em notícia do jornal “Público” de 24 de Novembro de 1996,
Mariano Gago propôs que aquele dia do ano se tornasse Dia da Cultura Científica,
data que devia ser “momento privilegiado, todos os anos, de balanço, de reflexão
e de acção sobre o papel do conhecimento no nosso futuro”. TRIUNFO DAS ARTES
(1729- 1730). GIOVANNI BATTISTA TIEPOLO. ÓLEO SOBRE TELA (55,5 X 72 CM).
MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA, LISBOA. Em baixo estão representadas três
figuras femininas que personificam as artes visuais: Escultura, Arquitectura e
Pintura.À esquerda das Artes, mais próximas da esfera celeste, estão as Ciências,
das quais se destacam a Geometria e a Astronomia. Em cima podemos observar
as divindades protectoras das Artes e Ciências: Apolo, Minerva e Chronos.
23 de Novembro
A 23 de Novembro celebra-se o Dia da Floresta Autóctone, que visa assinalar
A 23 de Novembro celebra-se o Dia da Floresta Autóctone, que visa assinalar
a importância ambiental e económica da conservação das florestas naturais.
Neste dia arranca a “Semana da Reflorestação Nacional”, uma acção que
pretende levar-nos ao encontro da floresta com o objectivo de a vivenciar-mos,
protegermos e plantarmos com respeito pela biodiversidade e pelas espécies
autóctones. . O SOBREIRO (1905) – D. Carlos I (1863-1908). Pastel sobre cartão
(177 x 91 cm). Fundação da Casa de Bragança, Vila Viçosa.
22 de Novembro
 
 A 22 de Novembro de 1497, Vasco da Gama na procura de um caminho marítimo
para a Índia, dobra o Cabo da Boa Esperança que marca a transição do Atlântico
para o Índico. APARIÇÃO DO ADAMASTOR. Carlos Reis (1863-1940). Óleo sobre tela.
Museu Militar de Lisboa.
21 de Novembro
 
A 21 de Novembro de 1857 nasce em Lisboa, o pintor naturalista e realista,
Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). GRUPO DO LEÃO (1885) – Columbano
Bordalo Pinheiro. Óleo sobre tela (200 x 380 cm). Museu do Chiado, Lisboa.
20 de Novembro
A 20 de Novembro de 1807, as tropas napoleónicas de Junot (1771-1813)
alcançam a fronteira portuguesa, iniciando a 1ª Invasão Francesa de Portugal
no âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814).  A invasão insere-se no plano de
Napoleão (1769-1821) para impor o Bloqueio Continental a toda a Europa,
visando derrotar o Reino Unido. Enquadra-se ainda na dinâmica expansionista
da França Napoleónica. A 21 de Agosto de 1808 foi travada a Batalha do Vimeiro,
na qual se defrontaram as forças luso-britânicas comandadas pelo tenente-general
Sir Arthur Wellesley (1769-1852) e as forças francesas chefiadas pelo general
Jean-Andoche Junot (1771-1813). A batalha saldou-se por uma vitória para as
forças luso-britânicas e determinou o fim da 1ª Invasão Francesa de Portugal.

OS FRANCESES NA PRIMEIRA INVASÃO – Ilustração de Alfredo Roque Gameiro
(1864-1935), para a obra “Quadros da História de Portugal” de Chagas Franco,
ilustrada por Alberto de Souza e dada à estampa em 1917. 
19 de Novembro

A 19 de Novembro celebra-se desde 1999, o Dia Internacional do Homem.
Segundo Ingeborg Breines, directora da Secretaria de Mulheres e Cultura de
Paz da UNESCO, “…a criação da data é uma excelente ideia para equilibrar
os  géneros". Os objectivos principais do Dia Internacional do Homem são:
- Promover a saúde do homem e seu bem-estar: social, emocional, físico e
espiritual; - Melhorar a relação entre géneros e promover a igualdade de
género; - Destacar as contribuições masculinas positivas para a sociedade,
comunidade, família e meio ambiente; - Promover modelos masculinos
positivos, não apenas de estrelas de cinema ou de desporto, mas de
homens do dia-a-dia, cujas vidas são decentes e honestas; - Criar um
mundo melhor, onde as pessoas possam se sentir seguras e crescer para
alcançar seu pleno potencial; - Destacar a discriminação profissional
contra os homens nas áreas de serviços sociais, nas atitudes e expectativas
sociais e no direito; O Dia Internacional do Homem é celebrado a nível
mundial com seminários, actividades escolares, programas de rádio e
televisão, debates, desfiles e mostras de arte. CABEÇA DE CEIFEIRO
ALENTEJANO (1941). Dórdio Gomes (1890-1976). Óleo sobre contraplacado
(33 x 25 cm).
18 de Novembro 
 
A 18 de Novembro de 1783, a rainha D. Maria I (1734-1816) deliberou a
concessão de uma Lotaria Nacional à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cujos
lucros seriam repartidos equitativamente pelo Hospital Real de Todos os Santos,
pelo Hospital dos Expostos e pela Academia Real das Ciências. Actualmente,
os lucros são repartidos entre a Direcção-Geral do Tesouro (36,5%) e a Santa
Casa  da Misericórdia de (63,5%). Todas as segundas-feiras são sorteados três
prémios principais e mais dezoito gradualmente de valor inferior. BILHETE DE
LOTARIA NACIONAL DO ANO DE 1843. 
17 de Novembro
A 17 de Novembro de 1717, no reinado de D. João V (1689-1750), “O Magnânimo”,
a cerca de 25 quilómetros de Lisboa, tem início a construção do Palácio-Convento
de Mafra, a qual só terminaria em 1730. É indiscutivelmente o mais importante
monumento do barroco português. PALÁCIO-CONVENTO DE MAFRA
(séc. XVIII). Autor desconhecido. Óleo sobre tela (50x60 cm).
Colecção particular.
16 de Novembro

A 16 de Novembro, assinala-se o Dia Nacional do Mar, data comemorativa da
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que entrou em
vigor a 16 de Novembro de 1994, tendo sido ratificada por Portugal a 14 de
Outubro de 1997. Um ano mais tarde, em 1998, o dia 16 de Novembro foi
institucionalizado pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 83/1998,
de 10 de Julho, como o Dia Nacional do Mar. A MOLICEIRA (1881-1888) –
- António Carvalho de Silva Porto (1850-1893). Óleo sobre madeira
(41 x 55,5 cm). Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa.
15 de Novembro
A 15 de Novembro de 1889 nasce no Palácio de Belém, em Lisboa, aquele que
viria a ser o rei D. Manuel II (1889-1932), filho de D. Carlos I (1863-1908) e
de Dona Amélia de Orleães (1865-1951). D. Manuel II subiu ao trono a 6 de
Maio de 1908, com 18 anos apenas, em virtude de seu pai D. Carlos I e o
príncipe herdeiro D. Luís Filipe terem sucumbido no regicídio a 1 de
Fevereiro de 1908. Tímido, inexperiente, sem gosto nem vocação para a
política, D. Manuel II reinaria durante vinte e nove escassos meses, nos
quais passaram pelo poder seis ministérios, cuja acção não foi além de
pequenas manobras políticas. Seria destronado pelo triunfo da revolução
republicana a 5 de Outubro de 1910. Em 4 de Setembro de 1913 casa com
uma prima, a princesa D. Augusta Vitória de Hohenzollern Sigmaringen,
pertencente à família real alemã e da qual não teve descendência. Viveu
primeiro em Richmond e depois no Palácio de Fulwell Park, em Twickenham,
onde morreu a 2 de Julho de 1932, sufocado por um edema da glote. O
casamento de D. Manuel II com uma princesa alemã, não o impediu de
aconselhar os seus partidários a combater pela causa dos aliados, durante a
I Grande Guerra e de visitar as tropas portuguesas na frente da Flandres.
Perante as incursões monárquicas sempre proclamou que não queria
aventuras, afirmando que a Monarquia se devia restaurar pelo combate no
campo legal. Durante o exílio, consagrou-se à investigação bibliográfica,
tendo publicado “Livros Antigos Portugueses, 1489-1600, da Biblioteca de
Sua Majestade Fidelíssima, descritos por S.M. El-Rei D. Manuel em Três
Volumes”, editados respectivamente em 1929, 1932 e 1935. A monumental
obra de D. Manuel II descreve 9 incunábulos, 460 livros quinhentistas
impressos em Portugal e 6 no estrangeiro. Na obra indicam-se ainda, o mais
concisamente possível, 3 manuscritos e 112 volumes da camoneana de D.
Manuel II, impressos de 1572 a 1928. Jaz no Panteão dos Braganças, no
Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. RETRATO DE D. MANUEL II (1908).
José Malhoa (1855-1933). Óleo sobre tela. Palácio Nacional de Mafra.
14 de Novembro
 A 14 de Novembro de 1839 nasce no Porto, na antiga Rua do Reguinho, aquele
que viria a ser o médico e escritor Júlio Diniz (1839-1871), pseudónimo literário
de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, criador do romance campesino e autor de
obras como: As Pupilas do Senhor Reitor (1869), A Morgadinha dos Canaviais
(1868), Uma Família Inglesa (1868), Serões da Província (1870), Os Fidalgos da
Casa Mourisca (1871), Poesias (1873), Inéditos e Dispersos (1910), Teatro Inédito
(1946-1947). Além daquele pseudónimo usou também o de Diana de Aveleda,
com o qual se iniciou na vida literária e subscreveu crónicas no Diário do Porto
e pequenas narrativas ingénuas como “Os Novelos da Tia Filomena” (1862) e o
“Espólio do Senhor Cipriano” (1863). Viria a morrer a 12 de Setembro de 1871,
com 31 anos, vítima de tuberculose, numa casa da Rua Costa Cabral, no Porto.
ILUSTRAÇÃO A AGUARELA PARA AS “PUPILAS DO SENHOR REITOR” EXECUTADA
POR MESTRE ALFREDO ROQUE GAMEIRO (1864-1935). Esta ilustração, tal como
as demais pertence ao acervo da Colecção do Museu de Arte Moderna da
Fundação Calouste Gulbenkian e encontra-se em depósito no Museu de Aguarela
Roque Gameiro, em Minde.
13 de Novembro
 A 13 de Novembro de 1460, morre em Sagres com a idade de 66 anos,
o Infante D. Henrique (1394-1460), filho de D. João I e de D. Filipa
de Lencastre, quinto na ordem de genitura e terceiro entre os que
tiveram biografia. Foi sob a égide do Infante que teve lugar a
primeira fase da expansão marítima portuguesa de que ele foi o
mentor, o impulsionador e o financiador. INFANTE D. HENRIQUE -
- Painel do Infante – Nuno Gonçalves (c. 1420- c. 1490).
Óleo sobre madeira (206,4 x 128,0 cm). Museu Nacional de
Arte Antiga, Lisboa.
12 de Novembro
A 12 de Novembro de 1877, Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto
(1846-1900), militar, explorador e administrador colonial português,
começa a travessia do continente africano. A expedição visava fazer o
reconhecimento e efectuar o mapeamento do interior do continente
africano, para preparar a entrada de Portugal na discussão pela
ocupação dos territórios africanos, até então apenas utilizados como
entrepostos comerciais ou destino de expatriados. A ocupação efectiva
sobre a ocupação histórica, decidida pelas actas da Conferência de
Berlim (1884-1885), obrigou o Estado Português a actuar no sentido
de reclamar para si uma vasta região do continente africano que
uniria as províncias de Angola e Moçambique, através do chamado
"mapa cor-de-rosa", intenção que falhou após o ultimato britânico
de 1890. SERPA PINTO COM DOIS INDÍGENAS.
11 de Novembro
 A 11 de Novembro de 1861 morre aos 24 anos, de febre tifóide, D. Pedro V
(1837-1861), O Esperançoso, que subira ao trono com apenas 18 anos.
No seu reinado é inaugurado o primeiro telégrafo eléctrico no país (1855)
e o caminho de ferro entre Lisboa e Carregado (1856), iniciam-se as primeiras
viagens regulares de navio, entre Portugal e Angola, é criado o Curso Superior
de Letras (1859), é introduzido o sistema métrico em Portugal (1859) e em
1860 ordena a criação do Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa. Jaz no
Panteão dos Braganças, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
RETRATO DE D. PEDRO V - Miguel Ângelo Lupi (1826-1883). Óleo sobre tela.
Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa.
10 de Novembro
  A 10 de Novembro comemora-se o Dia Mundial da Ciência pela Paz e o
Desenvolvimento. A efeméride, criada pela ONU em 2001, visa incentivar
a discussão sobre o papel da Ciência na construção de um mundo melhor.
9 de Novembro 

A 9 de Novembro de 1967, morre em Lisboa, (Tomás de Aquino Carmelo Alcaide
(1901-1967), cantor lírico português de projecção internacional, que teve como
berço natal a cidade de Estremoz. TOMAZ ALCAIDE RETRATADO POR MAX, EM 1936,
EM BRUXELAS. 
8 de Novembro
No dia 8 de Novembro comemora-se o Dia Mundial do Urbanismo. Esta data
comemorativa foi decretada pela Organização Internacional do Dia Mundial
do  Urbanismo, fundada em 1949, em Buenos Aires, na Argentina. A efeméride
visa promover a consciência, a sustentação, a promoção e a integração entre a
comunidade e o Urbanismo. Este é um campo do conhecimento que tem como
objectivo criar condições satisfatórias e ordenadas de vida nos centros urbanos,
de acordo com as necessidades humanas: meios de locomoção, moradias, lazer,
criação de áreas verdes, entre outras.
7 de Novembro
A 7 de Novembro de 1995, José Saramago (1922 - 2010) recebe o Prémio Camões.
A distinção instituída pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988, é atribuída
aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário
e cultural da língua portuguesa. O prémio é considerado o mais importante prémio
literário destinado a premiar um autor de língua portuguesa pelo conjunto da sua
obra. O galardão é atribuído anualmente, alternadamente no território de cada um
dos dois Estados, cabendo a decisão a um júri especialmente constituído para o efeito. 
6 de Novembro
A 6 de Novembro de 1656, morre D. João IV (1604-1656), 21º Rei de Portugal
e fundador da Dinastia de Bragança. Trineto de D. Manuel I (1469-1521) e
filho de D. Teodósio II de Bragança (1568-1630) e de D. Ana de Velasco
(1585-1607), casou em 12 de Janeiro de 1633 com D. Luísa de Gusmão
(1613-1666), filha do Duque de Medina Sidónia. Foi o 8º duque de Bragança,
tendo sido aclamado Rei de Portugal em 1 de Dezembro de 1640. O seu
reinado durou até á sua morte, tendo tido como nota reinante o
desenvolvimento da guerra com a Espanha, conhecida por Guerra da
Restauração. COROAÇÃO DE D. JOÃO IV (1908). Quadro de Veloso Salgado 
(1864-1945). Óleo sobre tela (325 x 285 cm). Museu Militar (Sala Restauração),
Lisboa. Representa a aclamação de D. João IV no Terreiro do Paço, tendo o
Tejo como fundo e os chefes da conspiração em frente do novo rei. A
Restauração  da Independência Nacional deu-se em 1 de Dezembro de 1640. 
5 de Novembro
A 5 de Novembro de 1991, é atribuído ao escritor José Cardoso Pires (1925-1998)
pelo conjunto da sua obra, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas. A
sua obra diversificada distribui-se por géneros como: novela, ensaio, teatro,
contos, romance, sátira inclui títulos como: Os Caminheiros e Outros Contos,
Histórias de Amor, O Anjo Ancorado, Cartilha do Marialva, O Render dos Heróis,
Jogos de Azar, O Hóspede de Job, O Delfim, Dinossauro Excelentíssimo, E agora,
José ?, O Burro em Pé,  Corpo-Delito. Na Sala de Espelhos, Balada da Praia dos
Cães, Alexandra Alpha, A República dos Corvos, Cardoso Pires por Cardoso Pires,
A Cavalo no Diabo, De Profundis, Valsa Lenta, Lisboa, Livro de Bordo e Lavagante.
4 de Novembro
 A 4 de Novembro de 1877, em cerimónia presidida pelo rei D. Luís I (1838-1899)
e pela rainha D. Maria Pia (1847-1911), é inaugurada a Ponte D. Maria Pia, a
primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do rio Douro, entre Vila Nova
de Gaia e o Porto. A estrutura metálica apresenta um tabuleiro com 352 metros
de extensão e sob ele, um arco de forma biarticulada, com 160 metros de corda
e 42,60 metros de flecha. A altura medida a partir do nível das águas, é de 61
metros. A ponte foi projectada pelo Eng.º Théophile Seyrig (1843-1923) e edificada
entre 5 de Janeiro de 1876 e 4 de Novembro de 1877 pela empresa Eiffel
Constructions Métalliques, da qual era sócio com Gustave Eifell (1832-1923).
A empresa teve que recorrer a métodos revolucionários para a época, uma vez
que era o maior vão construído até essa data, dada a largura do rio e as dimensões
das escarpas envolventes. Na obra trabalharam permanentemente 150 operários que
utilizaram 1.600 toneladas de ferro. A ponte, de uma só linha, integrou a linha do
Norte até 1991, ano em que foi desactivada, face à entrada em serviço da Ponte de
S. João. À Ponte D. Maria Pia foram outorgadas as seguintes distinções: - 1982:
Classificada como Monumento Nacional pelo IGESPAR; - 1990: Classificada como
Internacional Historic Civil Engineering Landmark pela American Society of
Engineering (ASCE); - 2013: Considerada pelo jornal The Guardian como uma das
10 mais belas pontes do mundo. PORTO – PONTE D. LUÍS SOBRE O RIO DOURO. 
3 de Novembro 
A 3 de Novembro de 1965, em plena Guerra Colonial, o Conselho de Segurança
da ONU pede a todos os estados membros para não prestarem a Portugal
qualquer assistência "que permita continuar a repressão" dos povos africanos,
em particular a venda de armas e equipamento militar. EMBARQUE DE TROPAS
PARA A GUERRA COLONIAL.
2 de Novembro
A 2 de Novembro assinala-se o Dia de Finados ou Dia dos Fiéis Defuntos. Este
dia é celebrado entre nós com tristeza, pois recordam-se as pessoas de família
e os amigos que já morreram. De acordo com a tradição católica, as pessoas
acorrem aos cemitérios para prestar homenagem aos mortos. Para tal, deixam
ramos de flores nas campas e acendem velas para iluminar os falecidos no
caminho para o Paraíso, ao encontro da comunhão com Deus e mandam rezar
missas em sua memória. O culto aos mortos é ancestral e esteve presente em
quase todas as religiões, tendo inicialmente estado ligado aos cultos agrários
e de fertilidade. Os mais antigos acreditavam que, tal como as sementes, os
mortos eram enterrados com vista à ressurreição. Em Portugal, ainda são
respeitadas  crenças muito antigas, como não caçar nem pescar no Dia de
Finados. DIA DOS FINADOS. Aurélia de Sousa. (1866-1922). Óleo sobre tela.
1 de Novembro
A 1 de Novembro, a Igreja Católica celebra o Dia de Todos-os-Santos, como
uma festa em honra de todos os santos e mártires, conhecidos e desconhecidos.
OS PRECURSORES DE CRISTO COM SANTOS E MÁRTIRES (c.1423-24).  Fra Angélico
(c. 1395 - 1455). Têmpera sobre madeira (31,9 x 63,5 cm). National  Gallery, London.