sábado, 28 de dezembro de 2013

48 - Terrina de Estremoz


 Terrina (Anos 60 do séc. XX).
Olaria Alfacinha.
Colecção particular.


Estamos em presença de uma terrina de secção circular com pegas laterais relevadas. Bojo saliente com plissado entre as pegas.  Pé recuado, de inflexão para o exterior. Tampa de encaixe com plissado no bordo, encimada por tufo de folhas donde emergem quatro flores com caule de arame, à semelhança do que acontece nas tampas das cantarinhas e dos pucarinhos. A terrina tem tampa e está assente num prato de forma circular, raso, de covo pouco acentuado.
Tanto o interior da terrina, como o da tampa ou o fundo do prato não se encontram pintados, revelando que o conjunto é todo ele, de barro vermelho. Trata-se de uma peça manufacturada no torno e posteriormente submetida a secagem, seguida de decoração com pigmentos minerais, completada por envernizamento, a qual tem funções meramente ornamentais.
No que respeita à decoração, a parte superior do bojo ostenta fundo azul-turquesa, decorado com motivos florais estilizados, utilizando zarcão, verde bandeira e amarelo. Já a parte inferior do bojo e as asas têm fundo zarcão. Na zona de inflexão do pé, a decoração é vegetalista, estilizada, a verde bandeira. O bojo apresenta um plissado tricolor, semelhante ao das cantarinhas e dos pucarinhos, com fundo amarelo no qual se dispõem paralela e alternadamente, faixas em zarcão e em verde bandeira. A tampa pompeia fundo azul-turquesa, decorado com motivos florais estilizados, utilizando zarcão, verde bandeira e amarelo. O bordo é em zarcão, encimado por plissado semelhante ao do bojo. O tufo de folhas é em verde bandeira. As flores apresentam quatro pétalas em cores diferentes: amarelo, zarcão, azul e verde, qualquer delas pintalgadas. O prato tem fundo azul-turquesa, ornamentado na orla do rebaixo com um filete simples, em zarcão. 
Em termos dimensionais (cm) as características são as seguintes: - TERRINA: altura total – 28,5; altura sem tampa – 17; altura da tampa – 15; diâmetro do fundo – 17,8; diâmetro do bojo – 22,5; diâmetro exterior da abertura – 14; diâmetro interior da abertura – 12,5; diâmetro exterior da tampa – 15; - PRATO: diâmetro exterior da aba – 27; diâmetro do fundo – 18.
No que respeita a peso (g), as características são: - TERRINA – 1277g; - TAMPA: 756 g; - PRATO: 1206 g.
No verso da terrina, encontra-se gravada a marca OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ / PORTUGAL, com o texto distribuído por três linhas, com as dimensões de 2,5 cm x 4,5 cm. A mesma marca aparece estampada duas vezes no fundo do prato em que se apoia a terrina.
As terrinas eram fabricadas na Olaria Alfacinha nos anos 60 do século XX e eram decoradas por Maria José Cartaxo, mulher de Caetano da Conceição. Trata-se de artefactos mais raros que a cantarinha, o pucarinho e o candelabro, que dão para arregalar a vista e aquecer o coração.

Terrina de Estremoz


A barrística popular estremocense causa-nos surpresas a todo o momento. No nosso caso, que não somos propriamente virgens nestas andanças, para além dos “brincos” (brinquedos), conhecíamos apenas uma tríade de peças de grandes dimensões, modeladas na roda e decoradas com as cores garridas dos bonecos de Estremoz. Eram elas: a cantarinha, o pucarinho e o candelabro, nos seus três formatos: pequeno, médio e grande. Todavia a tríade, transformar-se-ia em quaterno, graças à aquisição recente no Mercado das Velharias, em Estremoz, de uma peça com tipologia similar.  Trata-se de uma terrina com tampa e assente num prato. Quer o interior da terrina, quer o da tampa ou o fundo do prato não se encontram pintados, revelando que o conjunto é todo ele, de barro vermelho. Sob o ponto de vista do material, podemos dizer assim que se trata de uma peça de barro vermelho, decorada no exterior. Tecnicamente é uma peça manufacturada no torno e posteriormente submetida a secagem, seguida de decoração com pigmentos minerais, completada por envernizamento. A terrina não se destina assim a desempenhar a usual função de uma terrina, que é a de levar a sopa ou o caldo á mesa da refeição. Trata-se de uma terrina com funções meramente decorativas, a expor numa vitrina, num aparador ou num centro de mesa.
Em termos dimensionais (cm), a peça tem as características que passo a quantificar. Começando pela terrina: altura total – 28,5; altura sem tampa – 17; altura da tampa – 15; diâmetro do fundo – 17,8; diâmetro do bojo – 22,5; diâmetro exterior da abertura – 14; diâmetro interior da abertura – 12,5; diâmetro exterior da tampa – 15. Quanto ao prato: diâmetro exterior da aba – 27; diâmetro do fundo – 18.
No que respeita a peso (g), a peça tem as características seguintes: terrina – 1277g; tampa – 756 g; prato – 1206 g.
Em termos descritivos, trata-se de uma terrina de secção circular com pegas laterais relevadas. Bojo saliente com plissado entre as pegas.  Pé recuado, de inflexão para o exterior. Tampa de encaixe com plissado no bordo, encimada por tufo de folhas donde emergem quatro flores com caule de arame, à semelhança do que acontece nas tampas das cantarinhas e dos pucarinhos. Terrina assente num prato de forma circular, raso, de covo pouco acentuado. 
Quanto à decoração, a parte superior do bojo ostenta fundo azul-turquesa, decorado com motivos florais estilizados, utilizando zarcão, verde bandeira e amarelo. Já a parte inferior do bojo e as asas têm fundo zarcão. Na zona de inflexão do pé, a decoração é vegetalista, estilizada, a verde bandeira. O bojo apresenta um plissado tricolor, semelhante ao das cantarinhas e dos pucarinhos, com fundo amarelo no qual se dispõem paralela e alternadamente, faixas em zarcão e em verde bandeira. A tampa pompeia fundo azul-turquesa, decorado com motivos florais estilizados, utilizando zarcão, verde bandeira e amarelo. O bordo é em zarcão, encimado por plissado semelhante ao do bojo. O tufo de folhas é em verde bandeira. As flores apresentam quatro pétalas em cores diferentes: amarelo, zarcão, azul e verde, qualquer delas pintalgadas. O prato tem fundo azul-turquesa, ornamentado na orla do rebaixo com um filete simples, em zarcão. 
No verso da terrina, encontra-se gravada a marca OLARIA ALFACINHA / ESTREMOZ / PORTUGAL, com o texto distribuído por três linhas, com as dimensões de 2,5 cm x 4,5 cm. A mesma marca aparece estampada duas vezes no fundo do prato em que se apoia a terrina. Esta marca permite-nos concluir que se trata de uma peça da barrística popular estremocense, manufacturada na Olaria Alfacinha. A nosso ver, aquela marca, de dimensões razoáveis, era usada exclusivamente nas peças de olaria decoradas com as mesmas cores garridas dos bonecos de Estremoz e que como tal não foi contemplada no estudo “Bonecos de Estremoz / Marcas de Autor da Família Alfacinha / 1934-2012”, da autoria de Hugo Guerreiro e dada à estampa nos “Cadernos de Estremoz nº 3, editados pelo Município, em 2012.  
O historial da peça é singelo. Segundo Maria Inácia Fonseca Mateus, uma das Irmãs Flores, estas peças eram fabricadas na Olaria Alfacinha nos anos 60 do século XX e eram decoradas por Maria José Cartaxo, mulher de Caetano da Conceição. Segundo ela não terão sido produzidas muitas peças e lembra-se de ter havido encomendas da Embaixada Inglesa, em Lisboa. Trata-se assim de uma peça decorativa, mais rara que a cantarinha, o pucarinho e o candelabro. Uma peça que dá para arregalar a vista e aquecer o coração.




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Presépio Alentejano


Presépio Alentejano. Peça da autoria do jovem barrista estremocense, Ricardo Fonseca.

É sabido que pela sua paisagem própria, pelo carácter do povo alentejano, pelo trajo popular, pela gastronomia, pela arte popular, pelo cancioneiro popular, pelo cante, pela casa tradicional, o Alentejo é uma região com uma identidade cultural própria. Esta deve ser transmitida duma forma clara pela genuína arte popular. Começa logo pelos materiais empregues, como é o caso do barro utilizado pelos barristas desta terra de Além Tejo, do termo de Estremoz. Exactamente o mesmo barro, que de acordo com o Génesis, Deus terá usado para modelar o primeiro homem. Barro sobre o qual, António Simões poetizou em 1983:

Barro incerto do presente
Vai moldar-te a mão do povo
Vai dar-te forma diferente
P´ra que sejas barro novo!

É com a magia das mãos, auxiliada por utensílios rudimentares, que os barristas, homens e mulheres do povo, corporizam a imaginária que lhes vai na alma e que decoram com as cores minerais já utilizadas pelos artistas rupestres de Lascaux e Altamira no Paleolítico, mas aqui garridas e alegres, como convém às claridades do Sul.
É o caso do “Presépio Alentejano” do jovem barrista Ricardo Fonseca. Trata-se dum Presépio de três figuras, com a Sagrada Família representada em contexto alentejano.
São José é um barbado pastor que se protege do frio com um chapéu aguadeiro, calças de burel, camisa xadrez de flanela e um capote também de burel, com gola de pele de ovelha. Tem os pés protegidos por botas de atanado, a mão esquerda enfiada no bolso das calças, por causa do frio, enquanto que a direita empunha um cajado, pois o Menino Jesus tem que ser protegido e mais vale prevenir que remediar. Lá diz o rifão: Apanha com o cajado quem se mete onde não é chamado.
O Menino Jesus está deitado em cima das palhinhas contidas num cesto de vime, daqueles que são vulgares no Alentejo e encontra-se coberto por uma mantinha xadrez. Lás diz o rifão: A fome e o frio nunca criaram infante. O Menino parece ser irrequieto, já que tem os pés destapados, o que parece preocupar a Mãe, conforme revela a postura das Suas mãos. Nossa Senhora é representada como uma mulher do povo com avental de trabalho e saia azul até aos pés. Usa lenço florido na cabeça e um xaile sobre as costas e por cima da blusa de flanela florida, uma vez que o frio de Dezembro não é para brincadeiras. Lá diz o rifão: Em Dezembro treme de frio cada membro.
O chão é de laje, rocha xistosa, vulgar na região, usada para atapetar a entrada dos montes e pavimentar o seu interior. A horizontalidade do chão evoca a planura da charneca alentejana.
A contextualização do Presépio é reforçada pela fachada do monte, que está por detrás da Sagrada Família. O telhado é de telha romana e a parede está caiada de branco. Lá diz o cancioneiro popular alentejano:

Nas terras do Alentejo
É tudo tão asseado...
As casas e o coração,
Sempre tudo anda lavado...

Rodapé e ombreira da janela decorada com azul do Ultramar, azul que tem a ver com a identidade cultural alentejana e possui um valor simbólico: o azul exprime o desejo de paz e de calma, próprio dos alentejanos e o azul límpido do céu, característico das claridades do Sul, o que é ainda reforçado pelas várias tonalidades de azul do vestuário de Nossa Senhora.
Curiosa a representação de uma parreira sob o beiral do monte. Na minha opinião, trata-se de uma alegoria à actual importância económica da vinicultura no Alentejo, a qual transformou em vinhas aquilo que em tempos foram campos de semeadura de trigo. Os cachos, esses são de uvas pretas, daquelas com que se produz o vinho tinto e espesso que o alentejano, legítimo herdeiro da cultura báquica mediterrânica, gosta de mastigar nos seus rituais báquicos.
Do exposto se conclui que o “Presépio Alentejano”, de Ricardo Fonseca, é uma bem conseguida peça de genuína arte popular alentejana. Com ela originou uma mudança de paradigma nos presépios, tal como nos anos quarenta do século XX, o conseguiu Mariano da Conceição (1903-1959), através da criação do “Presépio de Trono ou de Altar”, hoje uma peça clássica da barrística popular estremocense. Pela sua enorme beleza e pela matriz identitária que dele irradia, o “Presépio Alentejano” está igualmente condenado a ser uma peça clássica da barrística popular estremocense.
Parabéns Ricardo!  


domingo, 8 de dezembro de 2013

A todas as Mulheres do Mundo...

Camponesa. Manuel Ribeiro de Pavia (1910-1957).


                                     ...mas em especial à Gina Ferro,
                                                   pelo privilégio da sua amizade.

As mulheres são nossas mães, nossas filhas, nossas companheiras, nossas amantes, nossas cúmplices, o bálsamo para os maus momentos, a nossa inspiração para a ode triunfal e o estímulo para a vitória.
Com elas apanhamos bebedeiras de azul, quando não gostam de vinho.
E fartos de azul, por elas bebemos vinho, até dizer basta!
Com elas e por elas, lutamos por amanhãs que não sabemos quando vêm, mas que temos a certeza inabalável que hão de vir.
A elas nos agarramos quando sentimos que estamos a mergulhar no abismo.
Delas gostamos do carinho, do amor e do sexo-porto de abrigo.
Nelas nos fundimos e com elas fazemos filhos, erguemos projectos e por vezes engendramos mudanças de paradigma.
Com elas nos derretemos em sangue, sémen, suor e lágrimas, com gemidos e ais, punhos erguidos e bandeiras vermelhas, raiva incontida que nos vem de baixo e que desfraldamos ao vento, porque somos insurrectos. É um direito que nos assiste!
Para além de sustentarem metade do céu sobre os seus ombros, as mulheres são a metade que nos falta, que nos dá força e que nos faz vacilar, qual travão que adocica o motor.
E mais não digo…

Efemérides de Janeiro

31 de Janeiro
Ao início da madrugada de 31 de Janeiro de 1891, eclode uma revolta republicana no
Porto, sendo proclamada a República, na varanda da Câmara Municipal. A revolta
surgiu como reacção às cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de
1890 por causa do Ma pa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a
Moçambique. Cerca das 10 horas da manhã, os revoltosos são forçados render-se.
A efeméride foi todavia um marco importante na luta pela implantação da República
em Portugal. PAINEL DE “PSEUDO-AZULEJOS” ALEGÓRICO À REVOLTA DE 31 DE JANEIRO
 - Imagem de base: Gravura de Louis Tynayre, publicada na Illustração, revista universal
impressa em Paris, 1891. Digitalização e adaptação: Leonel Salvado (Extraído com a
devida vénia de CLUBE DE HISTÓRIA DE VALPAÇOS -  clubehistoriaesvalp.blogspot.pt).
30 de Janeiro
A 30 de Janeiro de 1881 é publicado "Portugal Contemporâneo", de Oliveira Martins
(1845-1894). Imagem de painel de azulejos patente no website do Centro de
Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra:
http://cnc.cj.uc.pt/~cbduarte/
29 de Janeiro
A 29 de Janeiro de 1505 morre frei Miguel Contreiras (1431-1505), confessor da
rainha D. Leonor (1458-1525), determinante na fundação da Misericórdia de
Lisboa, em 1498. RAINHA DONA LEONOR DE LENCASTRE - FUNDADORA DO
HOSPITAL – Painel de azulejos da estação da CP de Caldas da Rainha
28 de Janeiro
A 28 de Janeiro de 1641 realizam-se em Lisboa, as primeiras Cortes portuguesas,
após a Restauração da Independência em 1640.  RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA
DE PORTUGAL EM 1640 -  Painel de azulejos da autoria de F. Gonçalves (activo entre
c. 1954 e c. 1978) . Liceu da Praia, Cabo Verde.
27 de Janeiro
A 27 de Janeiro assinala-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Na passagem da efeméride, a chefe do Escritório do Alto Comissariado das Nações
Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declara na sua mensagem: “Hoje, nós
honramos a memória das milhões de pessoas – homens, mulheres e crianças –
brutalmente assassinadas há sete décadas pelo simples fato de serem judeus, ciganos,
eslavos ou homossexuais, porque eles tinham deficiência, eram testemunhas de Jeová
ou adversários políticos.” E acrescenta: “Ainda hoje, em muitos lugares em todo o
mundo, as pessoas são perseguidas ou discriminadas por causa de sua raça, religião,
origem, orientação sexual ou opiniões políticas, e em países como a Síria, a República
Centro-Africana e o Sudão do Sul, as pessoas ainda estão sendo mutiladas e assassinadas
por causa do grupo ao qual pertencem”. “Precisamos parar de fechar os olhos para os
sinais de alerta de violações graves dos direitos humanos quando e onde quer que
apareçam”, reiterou Pillay. FUGA PARA O EGIPTO (1698) – Painel de azulejos da autoria
de Gabriel del Barco. Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres - Museu Episcopal, Beja.
26 de Janeiro 
A 26 de Janeiro de 1531, um sismo destrói parte da cidade de Lisboa, em particular
a colina de Santa Catarina. “ALTO DE SANTA CATARINA E CONVENTO DE SÃO BENTO
DE SAÚDE”, pertencente ao “GRANDE PANORAMA DE LISBOA” (1700), monumental
painel de azulejos com 23 metros de comprimento, representando 14 quilómetros
de frente ribeirinha, da Cruz Quebrada ao Beato, da autoria de Gabriel del Barco.
Proveniente do Palácio dos Condes de Tentúgal, na Rua de Santiago, em Lisboa e
que constitui um documento iconográfico fundamental para o conhecimento da
capital portuguesa antes do Terramoto que a destruiu em 1755. Museu Nacional
do Azulejo, Lisboa.
25 de Janeiro 
A 25 de Janeiro de 1906 é criado o Jardim Botânico Tropical (com o nome de Jardim
Colonial), por decreto régio, no contexto da organização dos serviços agrícolas
coloniais e do Ensino Agronómico Colonial no Instituto de Agronomia e de Veterinária.
PAINEL DE AZULEJOS DA ÉPOCA DA EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS (1940),
localizado no Jardim Botânico Tropical em Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos.
24 de Janeiro
A 24 de Janeiro de 1919 é dominada pelos republicanos a revolta monárquica de
Lisboa (Revolta de Monsanto), ocorrida a 22 de Janeiro, como apoio à restauração
da monarquia no Porto (Monarquia do Norte). PAINEL DE AZULEJOS POLICROMO
COM DECORAÇÃO RELEVADA (séc. XIX-XX). Fábrica de Faianças das Caldas da
Rainha. Museu Nacional do Azulejo, Lisboa.
23 de Janeiro
Em 23 de Janeiro de 1918, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) foi beatificado pelo
Papa Bento XV e é desde 26 de Abril de 2009, mais um Santo português, após a
cerimónia de canonização em Roma, do Beato Nuno de Santa Maria. Sabe-se que
nasceu a 24 de Junho de 1360, em Cernache do Bonjardim ou Flor da Rosa, filho
ilegítimo de D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior do Hospital. Foi para a Corte aos
13 anos, sendo armado cavaleiro por Dona Leonor Teles com o arnês do Mestre
de Avis, de quem se torna amigo. Adere à causa do Mestre, que o nomeia fronteiro
da comarca de Entre Tejo e Odiana. Vencedor da Batalha dos Atoleiros (6 de Abril
de 1384), de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385) e de Valverde (15 de Outubro de
1385), D. Nuno Álvares Pereira desempenhou um papel fundamental na resolução
da crise de 1383-1385 com Castela e na consolidação da independência. Por isso foi,
desde sempre, muito justamente considerado como um símbolo da independência
nacional. Nomeado 2º Condestável do Reino e 38º Mordomo-mor, recebeu ainda de
D. João I, os títulos de 3º conde de Ourém, de 7º conde de Barcelos e de 2º conde
de Arraiolos. Em 1388 iniciou a edificação da capela de São Jorge de Aljubarrota e,
em 1389, a do Convento do Carmo, em Lisboa, onde se instalaram os frades da
Ordem do Carmo, no ano de 1397. Após a morte de sua esposa, Leonor de Alvim,
com quem casara em 1376, torna-se Carmelita em 1423, recolhendo ao Convento
do Carmo, em Lisboa, onde ingressa sob o nome de Irmão Nuno de Santa Maria.
Ali permanece até à sua morte em 1 de Novembro de 1431, aos 71 anos de idade
e já com fama de Santo.  D. NUNO ÁLVARES PEREIRA (1932). Painel de azulejos
(191,5x114 cm) da autoria de Alves de Sá e produzido na Fábrica Viúva Lamego.
Museu Nacional do Azulejo, Lisboa.
22 de Janeiro
A 22 de Janeiro de 1815 é assinado o Tratado de Viena entre Portugal e o Reino Unido
para a abolição do tráfico de escravos, a norte do Equador. ESCRAVIDÃO ANTES DA
ABOLIÇÃO – Painel de azulejos cuja imagem foi reproduzida do blogue
http://blog.seniorennet.be .
21 de Janeiro
A 21 de Janeiro de 1885 é suspensa a publicação do semanário ilustrado humorístico
“O António Maria” (1879-1898), do jornalista, desenhador, aguarelista, ilustrador,
decorador, caricaturista, ceramista e professor, Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).
Foi também o artista responsável pelo desenho da Bandeira Nacional. Azulejo
produzido no período 1884-1905 na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha,
da autoria do ceramista e caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro. Museu da Cerâmica,
Caldas da Rainha.
20 de Janeiro
A 20 de Janeiro de 1893 é autorizada a criação do Museu Etnográfico Português,
proposto pelo linguista, filólogo, arqueólogo e etnógrafo português, José Leite de
Vasconcelos (1858-1941). A Etnografia é o método utilizado pelos antropólogos
na recolha de dados de qualquer grupo social. MERCADO DE SÁBADO EM
ESTREMOZ: OS BARROS - Painel azulejar policromático da autoria de Alves de
Sá, datados de 1940 e fabricados na Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego,
em Lisboa. Estação da CP em Estremoz.
19 de Janeiro
A 19 de Janeiro de 1919 é proclamada no Porto a Monarquia do Norte, contra-revolução
desencadeada pelas juntas militares favoráveis à restauração da Monarquia em Portugal,
após a implantação da 1ª Republica Portuguesa. A acção foi comandada por Paiva Couceiro
(1861-1944), que desde logo organizou uma Junta Governativa do Reino. FUNDAÇÃO DA
ORDEM CARMELITA E MONTE CARMELO (1912) - Painel de azulejos com composição
desenhada por Silvestre Silvestri, pintada por Carlos Branco e executada nas fábricas
do Senhor do Além e da Torrinha, em Vila Nova de Gaia. Fachada lateral da Igreja da
Venerável Ordem Terceira de N.ª Sr.ª do Carmo (1756-1768), no Porto.
18 de Janeiro
A 18 de Janeiro de 1367, morre em Estremoz, o rei D. Pedro I (1320-1367) – “O
Justiceiro”, filho de D. Afonso IV (1291-1357) e de D. Beatriz de Castela (1293–1359), 
conhecido pelo seu grande amor por D. Inês de Castro (1320/1325-1355), a aia galega
da sua falecida mulher Constança Manuel (1318-1345), que influenciou fortemente
a política interna de Portugal no reinado de D. Afonso IV(1291-1357). Este, a 7 de
Janeiro de 1355, cede às pressões dos fidalgos da corte seus conselheiros e
aproveitando a ausência de seu filho D. Pedro I numa excursão de caça, enviou a
Coimbra, Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco para matarem D. Inês
de Castro. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês
teriam  criado a Fonte dos Amores na Quinta das Lágrimas e algumas algas avermelhadas
que ali crescem seriam o seu sangue derramado. O assassinato de Inês de Castro não levou
D. Pedro de volta à influência paterna. Contrariamente, durante alguns meses, D. Pedro 
revoltou-se contra o pai, apoiado pela nobreza de Entre Douro e Minho e pelos irmãos de
D. Inês. A paz só aconteceu por vontade expressa do povo, tendo-se então perdoado 
mútuas ofensas. Aclamado rei em 8 de Março de 1357, D. Pedro anunciou em Cantanhede,
em Junho de 1360, o casamento com D. Inês, realizado em segredo antes da sua morte,
manifestando a sua intenção de a ver lembrada como Rainha de Portugal. Dois dos assassinos
de Inês, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram capturados e executados.
A um foi arrancado o coração pelo peito e ao outro pelas costas, daí que D. Pedro I tenha
recebido o cognome de “O Justiceiro”. Segundo a tradição, D. Pedro teria feito desenterrar
o corpo da amada, coroando-o como Rainha de Portugal e obrigando os nobres a procederem à
cerimónia do beija-mão real ao cadáver, sob ameaça de pena de morte. Depois mandou
esculpir dois túmulos, obras-primas da escultura gótica em Portugal, os quais foram
assentes no transepto da Igreja do Mosteiro de Alcobaça para que no dia do Juízo Final,
os eternos amantes,  então ressuscitados, de imediato se vejam. D. PEDRO I - Painel
de azulejos no Jardim do Palácio Galveias, Lisboa.
17 de Janeiro
A 17 de Janeiro de 1937 tem lugar em Sacavém, a famosa «greve dos rapazes», em que
os aprendizes da Fábrica de Loiça acabaram por ser detidos pela G. N. R., seguindo-se
uma vigília das suas mães e/ou esposa, e uma dura repressão por parte da PIDE. Na
greve evidenciou-se António Ferreira, dito “O Compositor”, consecutivas vezes preso
pela polícia política e que acabou por se tornar um herói da resistência antifascista. A
GREVE DOS RAPAZES EM 1937 - Painel de azulejos existente na Quinta de São José, em
Sacavém.
16 de Janeiro
A 16 de Janeiro de 1537, os Estudos Gerais da Universidade de Lisboa são transferidos
definitivamente para Coimbra. UNIVERSIDADE DE COIMBRA (1955) – Painel de azulejos
da autoria do pintor, ceramista, ilustrador e caricaturista português Jorge Barradas
(1894-1971). Sala de leitura geral da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.
15 de Janeiro
A 15 de Janeiro de 1432, nasce na Vila de Sintra, D. Afonso V (1432-1481) – O Africano,
filho de D. Duarte (1391-1438) e de D. Leonor de Aragão (1402-1449), que viria a ser
aclamado rei em 9 de Setembro de 1438, embora só tenha iniciado o seu governo em
1448. D. AFONsO V – Painel de azulejos no Jardim do Palácio Galveias, Lisboa. 
14 de Janeiro
A 14 de Janeiro de 1659,tem lugar a Batalha das Linhas de Elvas, travada entre
Portugueses e castelhanos. O exército castelhano, chefiado por Dom Luis Méndez
de Haro y Guzmán, VI marqués de Carpio y II Conde-Duque de Olivares (1598–1661),
era composto por 14 000 infantes, 5 000 cavaleiros, 19 canhões e 3 morteiros de
artilharia. O exército português era comandado por Dom António Luís de Meneses
(1596 ¬1675), 1.º marquês de Marialva e 3.º conde de Cantanhede e integrava apenas
8 000 infantes e 2 900 cavaleiros guarnecidos por 7 canhões. A batalha saldou-se por
uma vitória das tropas portuguesas, tendo o exército espanhol ficado reduzido a cerca
de 5 000l infantes e 300 cavaleiros que fugiram  em direcção a Badajoz. BATALHA DAS
LINHAS DE ELVAS (3º quartel do séc. XVIII). Painel de azulejos da Sala das Batalhas,
Palácio Fronteira, Lisboa.
13 de Janeiro
A 13 de Janeiro de 1751, é aberta ao culto, na Igreja de S. Roque (finais do séc. XVI),
em Lisboa, a capela de São João Baptista, projecto inicial de Nicola Salvi e Luigi
Vanvitelli, depois alterado com a intervenção do arquitecto-mor João Frederico
Ludovice. Chegou a Lisboa em 1747 e só ficou assente em 1749. Supõe-se que à
época tenha sido a mais cara capela da Europa. MILAGRE DE SÃO ROQUE (1584) –
Painel de azulejos da autoria de Mestre Francisco de Matos, Igreja de São Roque,
Lisboa. Considerado a obra-prima da azulejaria mundial do final do século XVI. 
12 de Janeiro
Por Decreto de 12 de Janeiro de 1837, na sequência da reforma do ensino superior
técnico e militar, a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, instituída
em 1770 por D. Maria I (1734-1816), passa a denominar-se "Escola do Exército",
dando mais tarde origem à actual "Academia Militar", sediada no Palácio da Bemposta,
em Lisboa. PAINEL DE AZULEJOS COM CENAS MILITARES (1918) do pintor, ceramista,
ilustrador e caricaturista Jorge Colaço (1864-1942). Academia Militar – Palácio da
Bemposta, Rua de Dona Estefânia, Lisboa.
11 de Janeiro
A 11 de Janeiro de 1890, o governo britânico, chefiado pelo primeiro-ministro Lord
Salisbury (1830-1903), entrega a Portugal um ultimato, exigindo a retirada das forças
militares chefiadas pelo major Serpa Pinto (1846-1900) do território compreendido
entre as colónias de Moçambique e Angola, zona reclamada por Portugal, que a tinha
incluído no Mapa cor-de-rosa, a partir da Conferência de Berlim, realizada entre 19
de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885, com a finalidade de regulamentar a
ocupação de África pelas potências coloniais. A cedência de Portugal às exigências
britânicas foi encarada como uma humilhação nacional pelos republicanos portugueses,
que acusaram o governo e o rei D. Carlos I (1863-1908) de serem os seus responsáveis.
O governo caiu e António de Serpa Pimentel (1825-1900) foi nomeado primeiro-
ministro. Portugal ficaria marcado durante décadas por um sentimento de humilhação
nacional e de frustração, patente no Finis Patriae (1890) de Guerra Junqueiro (1850
-1923) e que inspiraria a letra de "A Portuguesa" (1890), composta por Alfredo Keil
(1850-1907). ALDEIA INDÍGENA -  Painel de azulejos da Fortaleza de São Miguel em Luanda.
10 de Janeiro
A 10 de Janeiro de 1926, nasce, em Lisboa, o pintor português Júlio Pomar (1926- ),
cuja intervenção plástica na Estação do Alto dos Moinhos do Metropolitano de Lisboa
é a obra mais conhecida. FERNANDO PESSOA (1988) – Painel de azulejos de Júlio
Pomar (1926 - ) na estação do metro do Alto dos Moinhos, Lisboa.
9 de Janeiro
A 9 de Janeiro de 1753 nasce em Setúbal, a cantora lírica Luísa Todi (1753-1833),
a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos, elogiada pela
imprensa  nacional e estrangeira, pelas suas as capacidades vocais, o relevo que
dava à expressividade e à emoção na caracterização das personagens que
interpretava, cantando com a maior perfeição em francês, inglês, italiano e
alemão. Cantou em Lisboa pela primeira vez em 1770, estreou-se em 1771 na
corte portuguesa da futura D. Maria I e cantou no Porto entre 1772 e 1777.
No estrangeiro, Londres, Paris, Berlim, Turim, Varsóvia, Veneza, Viena,
São Petersburgo foram algumas das cidades em que Luísa Todi passou longas
temporadas, alcançando assinaláveis êxitos e convivendo de perto com a
aristocracia europeia, como Frederico II da Prússia e Catarina II da Rússia.
Até 1793 andou em tournée pela Europa e foi já com 40 anos de idade que
voltou a Portugal para cantar nas festas da filha primogénita do príncipe
regente, futuro D. João VI. Em 1799 terminou a sua carreira internacional
em Nápoles. LUÍSA TODI - Painel de Azulejos de A. Carvalho, em Setúbal.
8 de Janeiro
A 8 de Janeiro de 1902, suicida-se a tiro de revolver, em Lisboa, Joaquim Mouzinho
de Albuquerque (1855-1902), oficial de cavalaria e governador colonial português.
Ganhou grande fama em Portugal por ter protagonizado a captura do chefe vátua
Gungunhana,  em Chaimite (1895). Na sequência desta e da vitória militar em
Macontene (1897), os portugueses conseguiram ocuparem toda a parte sul do
território moçambicano. PRISÃO DE GUNGUNHANA – Painel de azulejos visto na
fachada de uma vivenda na zona das Urselinas, Viana do Castelo (Imagem recolhida
com a devida vénia do website AZULEJOS NA MINHA TERRA:
http://azulejosnaminhaterra.blogspot.pt).
7 de Janeiro

A 7 de Janeiro de 1355, o rei D. Afonso IV (1291-1357) cede às pressões dos fidalgos
da corte seus conselheiros e aproveitando a ausência de seu filho D. Pedro I
(1320-1367) numa excursão de caça, enviou a Coimbra, Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves
e Diogo Lopes Pacheco para matarem D. Inês de Castro (1320/1325-1355), o grande
amor de D. Pedro I. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela
morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores na Quinta das Lágrimas e algumas
algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado. Inês de Castro
que na época influenciou fortemente a política interna de Portugal, era a aia galega
de Constança Manuel (1318-1345), a falecida mulher de D. Pedro. O assassinato de
Inês de Castro não levou D. Pedro de volta à influência paterna. Contrariamente,
durante alguns meses, D. Pedro revoltou-se contra o pai, apoiado pela nobreza de
Entre Douro e Minho e pelos irmãos de Inês. A paz só aconteceu por vontade expressa
do povo, tendo-se então perdoado mútuas ofensas. Aclamado rei em 8 de Março de
1357, D. Pedro anunciou em Cantanhede, em Junho de 1360, o casamento com
D. Inês, realizado em segredo antes da sua morte, manifestando a sua intenção de a
ver lembrada como Rainha de Portugal. Dois dos assassinos de Inês, Pêro Coelho e
Álvaro Gonçalves foram capturados e executados. A um foi arrancado o coração pelo
peito e ao outro pelas costas, daí que D. Pedro I tenha recebido o cognome de
“O Justiceiro”. Segundo a tradição, D. Pedro teria feito desenterrar o corpo da
amada, coroando-o como Rainha de Portugal e obrigando os nobres a procederem
à cerimónia do beija-mão real ao cadáver, sob ameaça de pena de morte. Depois
mandou esculpir dois túmulos, obras-primas da escultura gótica em Portugal, os
quais foram assentes no transepto da Igreja do Mosteiro de Alcobaça para que no
dia do Juízo Final, os eternos amantes, então ressuscitados, de imediato se vejam.
INÊS DE CASTRO (início séc. XX) – Painel de azulejos do pintor, ceramista, ilustrador
e caricaturista Jorge Colaço (1864-1942). Palácio Hotel do Buçaco. 
6 de Janeiro
A 6 de Janeiro, comemora-se o “Dia de Reis”, que de acordo com a tradição cristã,
terá sido aquele em que o menino Jesus terá recebido a visita dos três Reis Magos,
Belchior, Gaspar e Baltazar. Nesta data, encerram-se os festejos de Natal, sendo o dia
em que são retirados os enfeites natalícios e são desarmados os presépios. OS REIS
MAGOS (1945). Painel de azulejos (131,8 x 132 cm), da autoria de Jorge Barradas,
produzido na Fábrica Cerâmica Viúva Lamego. Museu Nacional do Azulejo, Lisboa.
5 de Janeiro
A 5 de Janeiro de 1876, começa a construção da Ponte D. Maria Pia, a primeira ponte
ferroviária a unir as duas margens do rio Douro, entre Vila Nova de Gaia e o Porto,
a qual viria a ser inaugurada a 4 de Novembro de 1877, em cerimónia presidida
pelo rei D. Luís I (1838-1889) e pela rainha D. Maria Pia (1847-1911). A estrutura
metálica apresenta um tabuleiro com 352 metros de extensão e sob ele, um arco
de forma biarticulada, com 160 metros de corda e 42,60 metros de flecha. A altura
medida a partir do nível das águas, é de 61 metros. A ponte foi projectada pelo Eng.º
 Théophile Seyrig (1843-1923) e edificada entre 5 de Janeiro de 1876 e 4 de Novembro
de 1877 pela empresa Eiffel Constructions Métalliques, da qual era sócio com Gustave
Eifell (1832-1923). A empresa teve que recorrer a métodos revolucionários para a época,
uma vez que era o maior vão construído até essa data, dada a largura do rio e as
dimensões das escarpas envolventes. Na obra trabalharam permanentemente 150
operários que utilizaram 1.600 toneladas de ferro. A ponte, de uma só linha, integrou
a linha do Norte até 1991, ano em que foi desactivada, face à entrada em serviço da
Ponte de S. João. À Ponte D. Maria Pia foram outorgadas as seguintes distinções:
- 1982: Classificada como Monumento Nacional pelo IGESPAR; - 1990: Classificada
como Internacional Historic Civil Engineering Landmark pela American Society of
Engineering (ASCE); - 2013: Considerada pelo jornal The Guardian como uma das 10
mais belas pontes do mundo. VINDIMADEIRAS, BARCOS RABELOS E PONTE D.
MARIA PIA – Painel de azulejos da frontaria da Estação da CP de São Mamede da Infesta.
4 de Janeiro
A 4 de Janeiro de 1248, morre exilado e sem poder, em Toledo, no Reino de Castela,
D. Sancho II (1209-1248), o “Capelo”, rei português deposto pelo Papa Inocêncio IV
(c. 1195-1254), com a acusação de que o povo português mostrava aversão pela sua
falta de moral e tirania. D. SANCHO II – Painel de azulejos do Jardim do Palácio
Galveias, em Lisboa.
3 de Janeiro
A 3 de Janeiro de 1787, no reinado de D. Maria I (1734-1816) é inaugurado o
Observatório Astronómico da Academia de Ciências em Lisboa, no Castelo de
São Jorge. OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA – Painel de azulejos da Aula da Esfera do
Colégio de Santo Antão, actual Salão Nobre do Hospital de São José, em Lisboa.
2 de Janeiro
A 2 de Janeiro de 1770 é instituída pela Rainha D. Maria I (1734-1816) por Carta de
Lei datada de 2 de Janeiro de 1790, a Academia Real de Fortificação, Artilharia e
Desenho (ARFAD), com o objectivo de formar oficiais engenheiros militares, bem
como oficiais de outras armas do Exército. Inicialmente, a ARFAD foi instalada no
edifício do Arsenal Real do Exército, transitando sucessivamente para o Palácio da
Regência, para o Palácio do Calhariz e para o antigo Colégio da Cotovia. Na sequência
da reforma do ensino superior técnico e militar, por Decreto de 12 de Janeiro de 1837,
a ARFAD sofreu uma profunda reforma, passando a denominar-se "Escola do Exército",
dando mais tarde origem à actual "Academia Militar", sediada no Palácio da Bemposta,
em Lisboa. PAINEL DE AZULEJOS COM CENAS MILITARES (1918) do pintor, ceramista,
ilustrador e caricaturista Jorge Colaço (1864-1942). Academia Militar – Palácio da
Bemposta, em Lisboa.
1 de Janeiro
A 1 de Janeiro de 1669, o papa Clemente IX (1600-1669) reconhece a Restauração da
Independência de Portugal, graças à acção do Padre António Vieira (1608-1697),
confessor de D. João IV (1604-1656) e por este nomeado embaixador de Portugal
junto à Santa Sé, para advogar a causa da independência. A RESTAURAÇÃO DA
INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL EM 1640 -  Painel de azulejos da autoria de
F. Gonçalves (activo entre c. 1954 e c. 1978). Liceu da Praia, Cabo Verde.