sábado, 19 de março de 2011

O jogo do pião


JOGO DO PIÃO-Ilustração da artista plástica Cristina Malaquias, que teve a gentileza de me oferecer este magnífico desenho, que muito valoriza este post. Obrigado, Cristina.


OS TREINOS
A destreza no jogo do pião é fruto de horas esquecidas a treinar a rodopiante arte. A consagração de nicar maioritariamente os piões dos outros, desde sempre exigiu treinos intensivos e solitários em que usávamos dois piões, um para jogar e outro destinado a submeter-se a ser arremessado para fora do círculo do jogo. Por vezes, o treino era interrompido pela chegada de um parceiro que lançava o repto:
- “Eh pá! Pára isso e vamos jogar a sério.”
A resposta só podia ser uma:
- “É para já! Julgas que tenho medo?”
E o desafio tanto podia ser lançado por um presumido vencedor habitual, como por um corajoso habitual vencido, desejoso de inverter o sentido da sua má sorte. O primeiro destes com o pião mais incólume, o segundo com o pião mais marcado, mas qualquer deles, ferido de guerra. E digo guerra, porque jogar ao pião das nicas era exercitar estratégias de combate, que visavam desalojar o adversário do círculo onde estava, a fim de o nicar, se possível até à sua aniquilação.
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O PIÃO DAS NICAS
“Quem vai à guerra, dá e leva”, adágio que traduz na perfeição, o dia-a-dia dum pião. E o que é um facto indiscutível é que por mais que se dê, sempre se leva. Por isso, um pião das nicas é como que um ferido de guerra, que ostenta marcas identitárias – as nicas – distribuídas pelo seu corpo de madeira. São marcas inconfundíveis que revelam em toda a sua extensão, o passado de desventura de um pião ou, pela sua raridade, o passado de glória do mesmo, umas mais fundas, outras mais superficiais, dependendo do vigor de quem as firmou, bem como da consistência da madeira. E decerto que os mais rijos eram os de azinho. Daí o adágio: “Rijo como o azinho.”
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O CÍRCULO DO JOGO
Quando o círculo do jogo estava sumido, era chegada a altura de traçar outro no chão do terreiro. E esse seria um círculo perfeito, porque a brincadeira é a forma infantil de procurar a perfeição. Para tal, fazíamos como víramos fazer aos jardineiros municipais, quando tinham que marcar na terra uma zona circular, onde fariam nascer um canteiro de flores. Sabem como era? Usávamos uma guita e dois piões que prendíamos à extremidade da guita. Um dos piões era espetado no chão, por um de nós. Com a guita esticada, dávamos então uma volta completa com o outro pião, com o ferrão a sulcar o chão de terra batida. Quando o chão era mais rijo, em vez do segundo pião, usávamos um pauzinho de picão da braseira ou um pau de giz branco, palmado à socapa na escola. Tudo dependia da cor do chão. E isto era um ritual para nós tão importante, como estar em estado de graça, antes de receber a Eucaristia. Só mais tarde, ultrapassados os meus tempos de bibe e de pião, é que vim a conhecer a matemática da circunferência. Esta é conhecida desde a Antiguidade e tinha a ver com o acto prático de mensuração, como acontecia no Egipto, onde devido às cheias periódicas do Nilo, os agrimensores não tinham “mãos a medir”. Quem sabe se, porventura, não terão sido eles que através de múltiplas gerações, transmitiram iniciaticamente aos jardineiros municipais, a técnica do traçado da circunferência que lhes permite delimitar o círculo do canteiro. E dos jardineiros municipais nos tornámos discípulos naquela técnica, convictos de que não basta ver como se faz, é preciso também saber fazer.
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O PIÃO NA LITERATURA ORAL
A minha preocupação com a oralidade da língua, levou-me a pesquisar a presença do pião na literatura oral.
No âmbito do adagiário popular são conhecidos os provérbios: “Minha mãe a castigar-me e eu com o pião às voltas”, “Não anda o pião sem a baraça”, “Onde vai o pião vão o ferrão”. No domínio do calão são conhecidas algumas frases. Assim, “Apanhar o pião à unha” significa “Aproveitar sem hesitação uma oportunidade que surge inesperadamente”, bem como “Pião-das-nicas” tem o significado de “Bode expiatório”. Na toponímia, “Pião” é topónimo de lugares das freguesias de Afife, Estreito, Góis e Lagarteira. No contexto das alcunhas alentejanas, conhecemos as seguintes: PIÃO (Alcunha outorgada a alguém que em criança era jogador exímio de pião - Moura, Elvas, Monforte e Moura), PIÃO (O alcunhado é deficiente de um pé e ao andar parece um pião a rodar – Beja), PIÃO DAS NICAS (Moura) e PIÃO DE XARA (A visada tem perna curta e entroncada). A nível de adivinhas, existem muitas cuja solução óbvia é o pião. Destacamos duas. Na primeira, é o lançador que fala, referindo-se ao enrolamento da guita e ao lançamento do pião:
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“Para andar lhe ponho a capa,
E tirei-lha para andar;
Que elle sem capa não anda,
Nem com ela pôde andar”.
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Na segunda, é o pião que fala:
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“Para andar me põem capa,
Para andar ma vão tirar;
Se não posso andar sem capa,
Com capa não posso andar.”
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Finalmente a nível de cancioneiro popular são bem conhecidas quadras, como estas duas que integram uma popular canção infantil:
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“Eu tenho um pião.
Um pião, que dança.
Eu tenho um pião,
bem na minha mão.”
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“Gira que gira,
O meu pião,
Mas não to dou
Nem por um tostão."
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O BAÚ DAS MEMÓRIAS
Hoje o jogo do pião faz parte do imaginário dos putos da minha geração. Integra o baú espaçoso das nossas memórias de infância. Era um tempo sem televisão, sem vídeos, sem computadores, sem play-stations e sem joysticks. Era um tempo de brincadeiras e jogos, que além de nos divertirem, eram praticadas em grupo e estavam associadas ao exercício físico e ao desenvolvimento mental, nomeadamente da imaginação e da criatividade. Contribuíam assim para a nossa socialização e para o nosso bem-estar físico e mental.
Pelo contrário, as brincadeiras e os jogos de hoje, são jogos programados, que condicionam a imaginação e a criatividade, como convém a este sistema de poder, ao qual interessa a existência de cidadãos acríticos que aceitem passivamente, o que outros pré-determinaram. As brincadeiras e os jogos de hoje, contrariam a socialização da criança, fomentam o individualismo e a agressividade. E é claro, mal da civilização, estão na origem da obesidade infantil. É caso para dizer:
- Oh tempo volta para trás. Dá aos miúdos, os jogos e as brincadeiras que eles perderam…
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BIBLIOGRAFIA
– BRAGA, Teófilo. O Povo Português. Livraria Ferreira. Lisboa, 1885.
– CURVO SEMEDO. Composições Poéticas. Parte II (1903); Parte III (1817). Lisboa.
– EDITORIAL ENCICLOPÉDIA. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Vol. 21. Editorial Enciclopédia, Limitada. Lisboa, s/d.
FRAZÃO, A. C. Amaral. Novo Dicionário Corográfico de Portugal. Editorial Domingos Barreira. Porto, 1981.
- GUERREIRO, M. Viegas. Adivinhas Portuguesas. Fundação Nacional Para A Alegria No Trabalho. Lisboa, 1957.
– LAPA. Albino. Dicionário de Calão. Edição do Autor. Lisboa, 1959.
- LIMA, Augusto Castro Pires de. O Livro das Adivinhas. Editorial Domingos Barreira. Porto, 1943.
- LIMA, Fernando de Castro Pires de. Adagiário Português. Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho. Gabinete de Etnografia. Lisboa, 1963.
- LIMA, Fernando de Castro Pires de. Qual é a coisa qual é ela? Portugália Editora. Lisboa, 1957.
- MOUTINHO, José Viale. Adivinhas Populares Portuguesas.6ª edição. Editorial Notícias. Lisboa, 2000.
– MACHADO, José Pedro Machado. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Vol. 4. 5ª edição. Livros Horizonte. Lisboa, 1989.
- NEVES, Orlando. Dicionário de Expressões Correntes. Editorial Notícias. Lisboa, 1998.
- NOBRE, Eduardo. Dicionário de Calão. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1986.
– PORTO EDITORA. Grande Dicionário. Porto Editora. Porto, 2004.
- PRAÇA, Afonso. Novo Dicionário de Calão. Editorial Notícias. Lisboa, 2001.
– RAMOS, Francisco Martins; SILVA, Carlos Alberto da. Tratado das Alcunhas Alentejanas. 2ª edição. Edições Colibri. Lisboa, 2003.
– SANTOS, António Nogueira. Novos dicionários de expressões idiomáticas. Edições João Sá da Costa. Lisboa, 1990.
- SIMÕES, Guilherme Augusto. Dicionário de Expressões Populares Portuguesas. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1993.
- VIEIRA BRAGA, Alberto. “Folclore” in Revista de Guimarães, vol. XXXIII (1933); vol. XXXIV (1934).
  Hernâni Matos


“Breviário de Eleanor de Portugal” (segundo o uso de Roma), manuscrito e iluminado em Bruges, c. 1500, pelo Mestre dos antigos Livros de Orações de Maximiliano I e de Jaime IV da Escócia, que alguns estudiosos identificam como sendo Gerard Horenbout. MS M.52 fol. 3r, metade superior. Morgan Libray, Nova Iorque. No canto superior esquerdo, dois homens a jogar ao pião.

MARÇO - Iluminura (9,8x13,3 cm) do “Livro de Horas de D. Fernando” [Século XVI (1530-1534)], manuscrito com iluminuras da oficina Simon Bening. Número de Inventário: 01163.07 TC. Número de Inventário do Objecto: 13/3v. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa. Em baixo, o jogo do pião.

JOGOS INFANTIS (1560) - Pieter Bruegel, o Velho (1526/1530–1569). Óleo sobre madeira (161 x 118 cm). Museu de História de Arte, Viena.
JOGO DO PIÃO. Pormenor do quadro JOGOS INFANTIS (1560) - Pieter Bruegel, o Velho (1526/1530–1569). Óleo sobre madeira (161 x 118 cm). Museu de História de Arte, Viena.
BRINCADEIRAS INFANTIS (1774) - Gravura de Daniel Nikolaus Chodowiecki (1726–1801), extraída de “J. B. Basedows Elementarwerk mit den Kupfertafeln Chodowieckis u.a. Kritische Bearbeitung in drei Bänden, herausgegeben von Theodor Fritzsch. Dritter Band. Ernst Wiegand, Verlagsbuchhandlung Leipzig 1909". 
O PIÃO (c/1780) – gravura francesa de Augustin de St. Aubin (1736-1807), obtida a partir de chapa de cobre. Colecção particular.
Desenho de John Siebert, litografado por Joseph Brodtmann, cerca de 1830.
VELHO IRRITADO COM OS PIÕES DAS CRIANÇAS -  Ilustração de John Leech (1817-1864) que colaborou como cartoonista do jornal inglês Punch, entre 1841 e 1864.

O RAPAZ DO PIÃO (s/d). Oléo sobre tela do pintor grego Périclès Pantazis (1873-1884), pertencente a colecção particular.
O RAPAZ DO PIÃO (1906) – Obra do escultor inglês Edwin Roscoe Mullins (1848-1907).
Robert Douglas Spedden, de 6 anos de idade, de Nova Iorque, jogando ao pião a bordo do Titanic sob o olhar atento do pai, Frederic Spedden. Fotografia tirada pelo reverendo padre Frank Brown, na travessia entre Southamptom e Quenstown, antes de o navio, que na sua viagem inaugural atravessava o Atlântico, ter chocado com um iceberg e se ter afundado na madrugada de 15 de Abril de 1912. Dos 2223 pessoas a bordo, sobreviveram 706, entre elas, Robert e os seus pais (Fotografia extraída de http://titanic.pagesperso-orange.fr/).
JOGO DO PIÃO (c. 1930). Fotografia de João Martins. Negativo em nitrato. Divisão de   Documentação Fotográfica / IMC. Número de Inventário do Objecto: 00155.001.184 
JOGO DO PIÃO (c. 1930). Fotografia de João Martins. Negativo em nitrato. Divisão de Documentação Fotográfica / IMC. Número de Inventário do Objecto: 155.001.122
JOGO DO PIÃO (c. 1930). Fotografia de João Martins. Negativo em nitrato. Divisão de Documentação Fotográfica / IMC. Número de Inventário do Objecto: 155.001.181

JOGAR AO PIÃO – Estampa pertencente ao dossier pedagógico “Ser criança entre 1890 e 1940”, do Ecomuseu da região de Fourmies Trélon, França (Imagem extraída de http://www2.ac-lille.fr/patrimoine-caac/fourmies/enfant/jeux.htm).

segunda-feira, 14 de março de 2011

Do coice ao Cavalo-vapor

Churrião. Bilhete-postal ilustrado do início do século XX (Edição de Faustino António Martins, Lisboa).

Órfãos de pai e mãe, discípulos acidentais de Proust, procuramos angustiadamente o tempo perdido.
Foi na velha Albion, nos primórdios da Revolução Industrial, que os iniciáticos da energia elástica do vapor, deram o golpe de misericórdia na empregabilidade e ultrajaram a convicção libertária de que o Homem é o capital mais importante. Económica e sociologicamente estiveram na génese do capitalismo, das sequelas que se lhe seguiram, bem como de outros “ismos” que prosseguiram na sua peugada. Todavia e numa perspectiva cientifica de Arqueologia Industrial - é legítimo pensá-lo - foram arcaicos. Os seus arquétipos estavam limitados espaço-temporalmente à energia do cavalo, ao coice da mula e à teimosia do burro, o qual duma forma singular, sabe como ninguém dizer:
- “ Não. Não vou por aí”.
Para eles, a sua referência-mestra eram a energia e a potência dos motores de combustão a palha. Do coice e da tracção animal, assim se chegou ao Cavalo-vapor como unidade de potência.

Deus e a criação das aves


Deus disse: "Pululem as águas de uma multidão de seres vivos, e voem aves sobre a terra, debaixo do firmamento dos céus." (Génesis 1,20). A CRIAÇÃO: AS AVES E OS PEIXES (1430). Miniatura de Mestre Alexander (activo em France c. 1420-50). Koninklijke Bibliotheek, The Hague.

INTRODUÇÃO
O blogue “DO TEMPO DA OUTRA SENHORA”, assumiu desde o início, como lema seu: “A Escrita como Instrumento ao Serviço de Libertação do Homem”.
O anseio de Liberdade é uma das constantes do Homem, o qual se revê na ave. Esta, pelo facto de voar, tem capacidade de subir da terra aos céus e aqui se mover. Daí que se tenha tornado num vigoroso símbolo de liberdade, que expressa duma forma ímpar, a relação entre o céu e a terra, entre o plano horizontal e o plano vertical. Símbolo também dos estados superiores dos seres, que na ânsia de ascensão e de verticalidade, se libertaram do peso terrestre e ascenderam ao transcendente. A ave é por isso um ser presente em todas as culturas e tradições e, por isso, com forte presença na literatura de tradição oral, móbil do presente texto, desenvolvido em posts sucessivos, de acordo com o plano:

1 – Deus e a criação das aves.
2 – As aves e o Paraíso.
3 – As aves e o Dilúvio.
4 – Mitologia e Simbolismo das aves
5 – Como a Ciência vê as aves
6 – As aves na Literatura de Tradição oral

DEUS E A CRIAÇÃO DAS AVES
No quinto dia de Criação do Mundo:
- Deus disse: "Pululem as águas de uma multidão de seres vivos, e voem aves sobre a terra, debaixo do firmamento dos céus." (Génesis 1,20)
- Deus criou os monstros marinhos e toda a multidão de seres vivos que enchem as águas, segundo a sua espécie, e todas as aves segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom. (Génesis 1,21)
- E Deus os abençoou: "Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, e enchei as águas do mar, e que as aves se multipliquem sobre a terra." (Génesis 1,22)
No sexto dia de Criação do Mundo:
- Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra." (Génesis 1,26)
- Deus os abençoou: "Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra." (Génesis 1,28)
- E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus, a tudo o que se arrasta sobre a terra, e em que haja sopro de vida, eu dou toda erva verde por alimento." E assim se fez. (Génesis 1,30)
Mais tarde;
- Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levou-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. (Génesis 2,19)
- O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada. (Génesis 2,20)
- Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. (Génesis 2,21)
- E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. (Génesis 2,22)
- “Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.” (Génesis 2,23)
- O homem e a mulher estavam nus, e não se envergonhavam. (Génesis 2,25)

- BIBLIOGRAFIA
- ART ET BIBLE [http://www.artbible.net ]
- BIBLIA CATÓLICA [http://www.bibliacatolica.com.br]
- BIBLICAL ART ON WWW [http://www.biblical-art.com]
- CHEVALIER; Jean; Alain Gheerbrant, Alain. Dicionário dos Símbolos. Editorial Teorema. Lisboa, 1994.
- CIRLOT, Juan Eduard. Dicionário de Símbolos. Publicações Don Quixote. Lisboa, 2000.
- MEERMANNO KONINKLIJKE BIBLIOTHEEK [http://collecties.meermanno.nl]
- WEB GALLERY OF ART [http://www.wga.hu]


Continua
Deus disse: "Pululem as águas de uma multidão de seres vivos, e voem aves sobre a terra, debaixo do firmamento dos céus." (Génesis 1,20). A CRIAÇÃO DAS AVES E DOS PEIXES (1525 – 1530). Simon Bening (c.1483 - 1561) Prayer Book of Cardinal Albrecht of Brandenburg. MS. LUDWIG IX 19, FOL. 8. J. Paul Getty Museum, Los Angeles

Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra." (Génesis 1,26). A CRIAÇÃO DE ADÃO (1510). Fresco de Michelangelo Buonarroti (1475-1564). Cappella Sistina, Vaticano.
Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levou-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. (Génesis 2,19). ADÃO DANDO NOMES AOS ANIMAIS (1847). Litografia de Nathaniel Currier e James Merritt Yves.
E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. (Génesis 2,22). A CRIAÇÃO DE EVA (1525 – 1530). Simon Bening (c.1483 - 1561). Prayer Book of Cardinal Albrecht of Brandenburg. MS. LUDWIG IX 19, FOL. 7V. J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
O homem e a mulher estavam nus, e não se envergonhavam. (Génesis 2,25). PARAÍSO (c. 1530). Óleo sobre Madeira de Hieronymus Bosch (1450 - 1516). Museo del Prado, Madrid.

domingo, 13 de março de 2011

Forno: da iluminura aos provérbios

 
c. 1370-1400 - Tacuinum sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644).

Remontam aos primórdios dos tempos, os provérbios sobre a cozedura do pão, igualmente registada nas iluminuras medievais:
- "A quem coze e amassa não furtes a massa."
- "A quem tem seu pão no forno, podemos dar do nosso."
- "Ano caro, padeira em todo o cabo."
- "Ano caro, padeira em todo o caso."
- "Coze-se o pão, enquanto o forno está quente."
- "Descansai mulheres que caiu o forno."
- "Fazer a broa maior que a boca do forno."
- "Forno chorado, pão queimado."
- "Forno de padeira, com qualquer molho de lenha se aquece."
- "Forno feito, vintém no corucho."
- "Muitos padeiros não fazem bom pão."
- "Nam sejais forneira, se tendes a cabeça de manteiga."
- "Nem sempre o forno faz rosquilhas."
- "No fogo se ganha, no fogo se perde."
- "No forno e no moinho vai quem quer cochicho."
- "No forno se ganha a paz, no forno se perde."
- "No forno se ganha o pão, no forno se perde."
- "No Inverno forneira, no Verão taberneira."
- "O velho e o forno, pela boca se aguentam."
- "Para forno quente, três molhos de ramasca ou um torgo somente."
- "Para forno quente, uma torga somente."
- "Pela boca se aquenta o forno."
- "Quem mói no seu moinho e coze no seu forno, come o seu pão todo."
- "Se toda a gente fosse padeiro, ninguém comprava pão."
- "Uns aquecem o forno, outros amassam o pão."
 
c.1300 - Hispano-Moresque Haggadah (British Library Or. 2737, fol. 87v).
 
c. 1370-1400 - Tacuinum sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644).
 
c. 1390-1400  -  Tacuinum Sanitatis (BNF NAL 1673, fol. 56).

1400  -  Tacuinum Sanitatis (BNF Latina 9333).

1400  -  Romance de Alexandre (Bodleian 264, fol. 83).

1432 - Decameron (BNF Arsenal 5070, fol. 223v).

c.1440-1450  -  “Outubro” num  Livro de Horas (PML M.358, fol. 10r).

c. 1465-1475 - Konzil von Konstanz (ÖNB 3044, fol. 48v).

1470-1475  -  “Dezembro” num Livro de Horas (KB 76 G 14, fol. 12r).

1475-1500  -  “Dezembro” num Livro de Horas (KB 76 G 19, fol. 12r).

1490-1500  “Dezembro” num Livro de Horas (KB 76 F 14, fol. 14r).

1500 - Tacuinum Sanitatis (BNF Latin 9333, fol. 61).
1500 - Tacuinum Sanitatis (BNF Latin 9333, fol. 62).

sexta-feira, 4 de março de 2011

Do Carnaval à Quaresma - Notas de Literatura Oral


O Combate entre o Carnaval e a Quaresma (1559). Pieter Bruegel, o Velho (1526/1530–1569). Óleo
sobre madeira (164,5 x 118 cm). Museu de História de Arte, Viena. Do lado esquerdo, obeso, o
príncipe Carnaval que representa supostamente os protestantes, ao passo que à direita, o indivíduo
magro e triste, encarna os católicos.

A ACÇÃO DA IGREJA CATÓLICA
A Quaresma é o período de quarenta dias que antecipam o Domingo de Páscoa, durante o qual se comemora a ressurreição de Jesus Cristo, que segundo a Igreja, passou quarenta dias no deserto, em jejum e oração, como preparação para a vida pública.
A Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e termina na chamada Quinta-Feira Santa, data da celebração da última ceia de Jesus Cristo com os doze apóstolos. Após a Quaresma, inicia-se o chamado Tríduo Pascal, que finda no Domingo de Páscoa.
Na prática, o tempo de Quaresma são quarenta e sete dias, já que de acordo com o Cristianismo, o domingo, dedicado já como dia do Senhor, não é contado durante a Quaresma.
Durante a Quaresma, a Igreja convida os fiéis a um período de penitência e de meditação, através da prática do jejum, da esmola e da oração, como preparação para o Domingo de Páscoa.
Qual a origem da Quaresma? Em 313 da era cristã, o imperador romano Constantino, promulgou o Édito de Milão, que declarava a religião Cristã como legal e dotada de plena liberdade, ao mesmo tempo que anulava o vínculo até então existente entre o Estado Romano e a Religião pagã. Como consequência desse Édito, os templos e outros bens imóveis confiscados aos cristãos, foram devolvidos. Multidões de pagãos quiseram então entrar na Igreja. Foi assim que no séc. IV d. C, a Igreja criou a Quaresma.
O período de três dias que precedem a Quaresma é conhecido por Entrudo (Do latim introitus, -us, entrada, começo) ou Carnaval (Do francês carnaval, do italiano carnevale, de carnelevare, retirar a carne) e nele decorrem alegres brincadeiras e festas populares, que assumem múltiplas formas.
Apontado por muitos como tendo uma remota origem pré-cristã, o Carnaval assumiu importância no séc. IV d.C., quando a Igreja Católica, estabeleceu a Semana Santa antecedida dos quarenta dias da Quaresma. Um período de tão longa penitência e privações, incentivaria a realização de festas populares nos três dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. Os três dias de Carnaval são conhecidos por dias gordos, especialmente a Terça-feira gorda.

ONOMÁSTICA E ALCUNHAS ALENTEJANAS
A onomástica portuguesa não permite que alguém tenha como nome próprio, “Carnaval” ou “Entrudo”. Permite todavia que alguém, homem ou mulher use o nome “Quaresma”, como segundo elemento do nome, podendo até o termo “Quaresma” ser pronome de família. [4] [6] Todavia o sábio povo alentejano soube tornear o problema, através da atribuição de alcunhas alentejanas: São conhecidas as seguintes:
- CARNAVAL – O visado nasceu em dia de Carnaval (Redondo e Castro Verde). [13]
- ENTRUDO – Alcunha atribuída em Reguengos de Monsaraz. [13]
- ENTRUDO CASTELHANO - alcunha aplicada em Moura. [13]
- QUARESMO(A) - alcunha outorgada em Avis e Grândola. [13]

TOPÓNIMOS E CALÃO
São desconhecidos topónimos [3] e praticamente desconhecidos termos de calão, tendo por base as palavras “Carnaval”, “Entrudo” e “Quaresma”. [7][9][10][12][14]. Todavia, o termo “Carnaval” é sinónimo de orgia [2] e designativo de tudo o que dá para a galhofa. [15] Por sua vez, no calão transmontano, “Entrudo”, designa uma pessoa gorda. [15]

SUPERSTIÇÕES POPULARES
São significativas as superstições populares relativas ao "Carnaval" e à "Quaresma". Destacamos algumas:
- “Não se deve fiar na Terça-Feira de Carnaval, porque isso seria fiar as barbas ao Entrudo. Se alguém fosse visto fazendo isso em tal dia, não passaria sem ver a roca e o fuso queimados.“ [17]
- “Na Quarta-Feira de Trevas não se deve fiar depois do pôr-do-sol, porque foi então que os Judeus fiaram as cordas com que prenderam Nosso Senhor Jesus Cristo.” [17]
- “É bom em Quarta-Feira de Trevas pôr um ferro sobre a ave que choca ovos, para que estes não gorem.” [17]
- “Desde Quarta-Feira de Trevas até à hora da Ressurreição de Sábado d'Aleluia não se deve secar roupa porque ela apareceria com pintas de sangue.” [17]
- “É um preservativo para afugentar as trovoadas, queimar palma benta em Domingo de Ramos e espalhar o fumo pela casa.” [17]
- “Quando fazem trovões, para que não aconteça mal algum, é bom acender um coto de vela, que tivesse estado aceso nalguma igreja em Quinta-Feira ou Sexta-Feira Santa.” [17]
- “No Sábado de Aleluia, é bom furtar-se água da pia de baptismo de uma igreja; três gotas desta água deitadas no comer livram de feitiços a quem as toma, mas há-de ser depois de o comer ser tirado do lume, porque antes é pecado.” [17]

ADIVINHAS
As adivinhas são outro elemento importante da nossa literatura oral, com presença significativa no período que temos vindo a abordar. Curiosamente não conseguimos localizar adivinhas relativas ao "Entrudo" ou "Carnaval", mas são múltiplas, aquelas cuja solução óbvia é “A Quaresma”:

“Posto que velha me vejas,
Já fui moça e sou formosa;
Deu-me o céu, em sete filhas,
Descendência venturosa.

Cinco destas são mui justas;
Uma por santa se exalta;
A mais velha é muito boa,
Teve contudo uma falta.

Todo o mundo nos tributa
Mais ou menos atenções;
Trata a todos com respeito.
Segue as nossas devoções.” [5]

“Sou uma velha, muito velha,
Com o ranço na garganta;
De sete filhas que tive
Só uma me saiu santa.” [5]

“Uma mãe com sete filhas: uma com faltas, cinco justas e uma santa. Qual é a mãe?” [5]

“Uma mãe com sete filhas:
Cinco justas,
Uma santa
E outra com falta” [11]

“Sete irmãs são,
uma é santa
e seis não.” [16]

O ADAGIÁRIO PORTUGUÊS
É interessante o adagiário relativo ao "Entrudo" ou "Carnaval". Como se trata de um período de certa licenciosidade, que é ansiosamente aguardado, o Povo sabe contar os dias:
-”Dos Santos ao Natal, cada dia mais mal; do Natal ao Entrudo, come-se capital e tudo.”
-”Do Natal ao Entrudo é um mês, quem bem contar sete semanas lhe há-de achar.”
-”Esta vida são dois dias e o Carnaval são três.”
-”Do Carnaval à Páscoa vão sete semanas.”
Há adágios que exprimem bem as características especiais de que se reveste a quadra festiva:
-”É Carnaval, ninguém leva a mal.”
-”No Carnaval nada parece mal.”
-”Em dia de Entrudo não há querela.”
-”No Entrudo, come-se tudo”.
-”Farta-te gato, que é dia de Entrudo.”
-“Namoro de Carnaval, não chega ao Natal.”
-”Alegria, Entrudo, que amanhã será cinza.”
-“O Entrudo, leva tudo.”
A observação do céu levou a criação de máximas relativas à astrologia do tempo, como é o caso desta:
-”Não há Entrudo sem Lua Nova, nem Páscoa sem Lua Cheia.”
Os adágios tecem, por vezes, considerações de natureza meteorológica:
-”Entrudo borralheiro, Páscoa soalheira.”
-”Carnaval na eira, Páscoa à lareira.”
-”Entrudo borralheiro, Natal em casa, Páscoa na praça.”
Outras vezes é a própria fauna que é observada:
-”Pelo Entrudo – cartaxo penudo.”
O adagiário, dá de resto, orientações relativas ao trabalho:
-”No Natal, fiar; no Entrudo, dobar; na Quaresma, tecer; e na Páscoa, coser.”
Dá igualmente recomendações para a Agricultura:
-”Pelo Natal semeia o teu alhal, e se o quiseres cabeçudo, semeia-o pelo Entrudo.”
-”Quem quiser o alho cabeçudo, sache-o pelo Entrudo.”
-”Quem quiser o alho cachapernudo, plante-o no mês do Entrudo.”
A "Quaresma" é mais escassa de adágios que o "Entrudo" ou "Carnaval", já que sendo um período de penitência, é menos do agrado popular. Com fundamento religioso é conhecido o adágio:
- “A Quaresma é muito pequena para quem tem de pagar a Páscoa.”
Por lei geral da Igreja, os fiéis de mais de 14 anos, não dispensados, devem abster-se de comer carne em certos dias do ano. Em Portugal, são dias de abstinência a Quarta-Feira de Cinzas e as sextas-feiras do ano que não coincidam com solenidades litúrgicas. Desta tradição penitencial da Igreja, nasceu o adágio:
- “Salmão e sermão têm na Quaresma a sua estação.”
A disciplina penitencial podia ser quebrada por Indulto Pontifício através duma licença canónica, a chamada Bula, que permitia comer carne nos dias de abstinência, mediante o pagamento de dinheiro que visava segundo a Igreja, a fundação e manutenção dos seminários. Assim, os ricos que já podiam comer carne todos os dias, também podiam pagar a Bula à Santa Sé, para comerem carne pela Quaresma. Pagavam à Igreja pelo pecado e eram abatidos da lista dos que iam para o Inferno. Daí que haja adágios que, como profunda crítica social, relatam a opinião dos pobres:
- “A Quaresma e a cadeia para o pobre é feita.”
- “A Quaresma e a cadeia para pobres é feita.”
A Bula, como forma de indulto vigorava desde 31 de Dezembro de 1914 (Papa Bento XV) e só cessou com a nova disciplina penitencial decretada pela Constituição Apostólica Paenitemini, que trata do jejum e da abstinência na Igreja Católica e foi promulgada por Paulo VI, em 1966.

CANCIONEIRO POPULAR
O Entrudo, de que o povo muito gosta, é um período de excelência gastronómica, cuidadosamente preparado:

“Eu hei-de mandar fazer,
Que eu não posso fazer tudo,
Uma ponte de filhoses
Para passar o Entrudo.” [8] – Castro Verde

O Entrudo é, naturalmente, um período de divertimento popular, considerado curto:

“Divertimos o Entrudo
Que se nos vai acabando;
Sabe Deus quem chegará
Desde que vem a um ano.” [8] – Castro Verde

Com o Entrudo, termina a gastronomia de excelência e entra-se na Quaresma, que exige penitência:

“Já lá se vai o Entrudo
Com galinhas e capões;
Agora vem na Quaresma,
Estudam-se as orações.” [8] – Vila Verde de Ficalho

“Já se acabou o Entrudo,
Já não se fazem funções;
Agora vem a Quaresma:
Calabaças com feijões. [8] – Alandroal

O povo, que gosta do Entrudo, refere o fim deste, de uma forma algo mordaz:

“Aí vai já o Entrudo
Pelo caminho do poço;
Vai gritando em altas vozes
Que lhe cortaram o pescoço.” [8] – Castro Verde

Todavia, para gáudio do Povo, decorrido um ano, aí estará de novo o Entrudo, qual Fénix renascida das cinzas.


BIBLIOGRAFIA
[1] - BESSA, Alberto. A Gíria Portugueza. Gomes de Carvalho - Editor. Lisboa, 1901.
[2] - BÍVAR, Artur. Dicionário Geral e Analógico da Lingua Portuguesa. Lello e Irmão, editores. Porto, 1948.
[3] – FRAZÃO, A. C. Amaral. Novo Dicionário Corográfico de Portugal. Editorial Domingos Barreira. Porto, 1981.
[4] – GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Volume 23. Editorial Enciclopédia, Limitada. Lisboa, s/d.
[5] - GUERREIRO, M. Viegas. Adivinhas Portuguesas. Fundação Nacional Para A Alegria No Trabalho. Lisboa, 1957.
[6] - INSTITUTO DOS REGISTOS E DO NOTARIADO. Vocábulos admitidos e não admitidos como nomes próprios. [http://www.irn.mj.pt/sections/irn/a_registral/registos-centrais/docs-da-nacionalidade/vocabulos-admitidos-e/downloadFile/file/2010-09-30_-_Lista_de_nomes.pdf?nocache=1287071845.45]
[7] – LAPA. Albino. Dicionário de Calão. Edição do Autor. Lisboa, 1959.
[8] – LEITE DE VASCONCELLOS, José. Cancioneiro Popular Português, vol. III. Acta Universitatis Conimbrigensis, Coimbra, 1983
[9] - NEVES, Orlando. Dicionário de Expressões Correntes. Editorial Notícias. Lisboa, 1998.
[10] - NOBRE, Eduardo. Dicionário de Calão. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1986.
[11] - PIRES DE LIMA, Augusto C. O Livro das Adivinhas. 2ª Edição. Editiorial Domingos Barreira. Porto, s/d.
[12] - PRAÇA, Afonso. Novo Dicionário de Calão. Editorial Notícias. Lisboa, 2001.
[13] - RAMOS, Francisco Martins; SILVA, Carlos Alberto da. Tratado das Alcunhas Alentejanas. 2ª edição. Edições Colibri. Lisboa, 2003.
[14] – SANTOS, António Nogueira. Novos dicionários de expressões idiomáticas. Edições João Sá da Costa. Lisboa, 1990.
[15] – SIMÕES, Guilherme Augusto. Dicionário de Expressões Populares Portuguesas. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1993.
[16] - VIALE MOUTINHO, José. Adivinhas Populares Portuguesas. 6ª Edição. Editorial Notícias. Lisboa, 2000.
[17] - PEDROSO, Consiglieri. Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa e Outros Escritos Etnográficos. Publicações D. Quixote. Lisboa, 1988.

Entrudo familiar. Augustus Earle (1793-1838). Aguarela sobre papel (34 x 21,6 cm).
 Biblioteca Nacional da Austrália, Canberra.
Carnaval. Capa da revista "Ilustração Portuguesa" nº 781, de 5 de Fevereiro de 1921,
com ilustração de Leal da Câmara (1876-1948).
Carnaval. Cartoon de Stuart de Carvalhais (1887-1961) na revista "Ilustração Portuguesa"
nº 524, de 6 de Março de 1916.
Carnaval. Capa da revista “Ilustração portugueza” nº 886, de 10 de Fevereiro de 1923,
com ilustração de Melendez.